Zenfone 5Z: o verdadeiro topo de linha da Asus

O Zenfone 5Z é provavelmente um dos melhores casos para explicarmos o que um processador mais potente pode fazer. Com basicamente todos os componentes iguais ao Zenfone 5, trouxeram um incremento para o Snapdragon 845 que proporciona algumas diferenças importantes.

É com isso também que ele traz um dos melhores custo benefício pelo seu hardware agora em 2018. Mas vale realmente a pena?

Fazia um tempo que a ASUS não lançava um flagship no brasil, o Zenfone 4 Pro, não sei se vocês se lembram, não veio pra cá no ano passado, já que de acordo com a empresa, não valia muito a pena por conta de altas taxas e dificuldades de produção local – necessário para manter o preço competitivo.

Design

A solução foi otimizar, então não, você não está vendo dobrado. Afinal, quem já viu o Zenfone 5 conhece o 5Z. O corpo é idêntico com as laterais de alumínio, acabamento em vidro com círculos concêntricos, e claro, a pegada mais quadradinha que eu tanto gosto.

Essa semelhança entre os equipamentos foi provavelmente o ponto que tornou possível a produção local, economizando em processo de montagem e peças. Apesar de rara, essa é uma solução interessante. De cabeça mesmo só consigo lembrar do Galaxy S Light, que foi lançado lá na China em Maio e é construído igual ao Galaxy S8 e os novos LG G7 One e Fit que não foi a melhor das aplicações.

Sinceramente, ter dois modelos iguais não é ponto negativo, já que é um modelo bem bonito, com aparência premium. Por outro lado, ser de vidro tem um preço. O Zenfone 5Z é extremamente escorregadio e doido por marcas de dedo, então o ideal é colocar a capinha de TPU que vem junto na caixa.

Outro ponto importante do design é o polêmico notch. A ASUS se vangloriou em ser a primeira a anunciar essa feature num aparelho Android e dele ser menor do que a concorrência, mas sinceramente não teria porque ser maior, já que diferente do iPhone X ou Xiaomi Mi 8, só estão presentes o falante, a câmera selfie e o sensor pra luz e proximidade, sem nenhum outro sensor para um reconhecimento facial mais seguro como íris ou o Face ID da Apple. Prefiro deixar esse método de lado e fico só no desbloqueio por digitais que costuma abrir rápido e não me deu problemas na hora de usar.

Onde eu tive problema e também reclamei no review do Zenfone 5 é que apesar de ter uma tela muito bonita, os ícones no topo ficam todos desalinhados. É coisa boba, mas seria tão simples arrumar isso, e parece que é algo que só acontece com eles. O Xiaomi Mi 8 tem menos espaço e está mais organizado.

Tela

A importância do notch é que ele possibilita esse design que elimina quase tudo que não é tela, chega a ocupar quase 90% da frente do aparelho. Feita com tecnologia LCD e resolução Full HD Plus com proporção 18,7:9,ela é bem grande, como é de costume para os flagships de 2018.

Troféu “joinha” pra ASUS pela boa customização de cor feita pelo aplicativo Splendid que já possui dois presets que suprem bem o gosto da maioria dos usuários, deixando as cores mais vivas ou mais realistas. Se você quiser dá pra fazer um ajuste mais fino mexendo em contraste, filtro de azul, pra deixar ela do jeito que você quer.

Software e desempenho

Esse é claramente o foco da ZenUI 5, fazer o aparelho se adaptar a você e não o contrário, e pra conseguir essa façanha ele conta com vários recursos de inteligência artificial que vão aprendendo seus costumes com o tempo. O novo Android 9 Pie começou a implementar algumas funções parecidas, então 2019 provavelmente vai ser o ano da AI.

Quem proporciona toda essa festa é o chipset Snapdragon 845 com o processador interno Hexagon 685, uma plataforma especializada em inteligência artificial e machine learning que oferece toda uma base para a matemática mais complexa que esses recursos utilizam.

Um destaque é a função da ZenUI, chamada “AI Boost”, que realoca os recursos do celular para os apps que estão demandando mais, fazendo o Zenfone se sair melhor nos benchmarks até quando comparado com smartphones mais caros que também utilizam esse chip, como por exemplo o próprio Galaxy S9 Plus.

A versão que temos aqui é de 6GB de RAM e chega a quase 15 mil megabytes por segundo de acordo com o A1SD, marca de flagship mesmo, auxiliados ainda pelo “Optiflex”, outro recurso de AI, que cria um buffer para os apps mais utilizados. Vai ser difícil o Zenfone 5Z engasgar.

Sinceramente, essa performance toda chega até ser um pouco overkill para o que temos hoje, o verdadeiro diferencial fica na longevidade do produto que provavelmente ainda aguenta rodar de tudo por mais uns 2 ou 3 anos.

Câmera traseira e frontal

E é claro que também tem o “AI câmera” que se divide em duas funções, a primeira é a “aprendizagem fotográfica” que te faz perguntas de vez em quando pra entender como você gosta das fotos. O problema é que é bem de vez em quando mesmo.

A segunda função é a “detecção de cena” que identifica qual o tema da imagem que você está tentando capturar e faz alguns ajustes como cor, saturação, brilho e tudo mais, pra “trazer o melhor da foto”, como por exemplo, saber identificar uma planta ou adaptar o brilho se você tiver na night.

O efeito costuma ser legal, mas se você não gostar, não tem como desabilitar essa função, algo que me incomoda um pouco, aliás, não gosto dessa filosofia “fazemos a câmera pensar por você” da Asus. Eu posso não ser fotógrafo profissional mas eu gosto de ter controle sobre as minhas fotos. No Mi 8 por exemplo, dá pra desligar essa opção com apenas um toque. O único jeito de escapar desses recursos por aqui é indo para o modo Pro.

Tirando esse probleminha, o Zenfone 5Z tira fotos muito boas. Os sensores da câmera principal são de 12MP e abertura f/1.8 combinado com 8 MP wide-angle, com ângulo de 120 graus e abertura f/2.0, que com ajuda do SPECTRA 280, o HDR é rápido e gera bons resultados, inclusive na selfie, que tem um sensor de 8MP e abertura f/2.0 também. O único contratempo é que às vezes o branco fica bem estourado, e inclusive era para o Zenfone 5Z receber uma atualização especial para deixar o pós processamento um pouco mais para o gosto dos brasileiros, deixando a pele menos esbranquiçada, mas por enquanto ela só está disponível no Zenfone 5.

No geral, mesmo do jeito que ela está agora as fotos costumam ficar boas, principalmente em ambientes externos ou com uma iluminação média/boa, elas ficam nítidas, com cores definidas e sem surpresas. Só preciso chamar a atenção para a inconsistência em baixa luz, situação onde fotos consecutivas ficam com um pós processamento diferente e com uns bugs estranhos.

As gravações chegam a 4K em 60 fps na principal e 2K em 30 fps na frontal. Não é a melhor que existe, o branco estoura com uma certa facilidade, poderia ter uma estabilização melhor, mas dá pra produzir conteúdo numa boa.

Bateria

Um outro ponto que eu gostei bastante nesse aparelho foi sua bateria de 3300 mAh que dura o dia inteiro com muita facilidade, chegando a umas sete horas de tela em uso normal, ou até mais utilizando os diversos recursos de controle de bateria.

Aliás, o celular tem bastante funções nesse quesito. O Power Master centraliza todos eles e oferece opções úteis como o gerenciador de inicialização que não permite que apps iniciem automaticamente com o celular ou o modo de bateria “super econômico” que desativa quase tudo pra duplicar o tempo da bateria.

Outra coisa legal é que você pode programar um horário pra esse modo, deixando ele ligado entre a meia noite e 6 da manhã, por exemplo, se você não precisar deixar a internet ligada enquanto dorme.

Pra complementar, o carregador presente na caixa conta com 18 W de potência capazes de levar de 0 a 100% em pouco menos de 1 hora e meia, conseguindo também passar de 50% em 30 minutos, uma boa marca. Se você tiver qualquer problema, 15 minutos na tomada já garante que pelo menos você chegue em casa.

Conclusão

Depois de passar algumas semanas com o aparelho, é fácil afirmar que certamente esse é um flagship. O Zenfone 5Z é veloz, tem câmeras de qualidade, alto falantes estéreo muito bons e um ótimo custo benefício, oferecendo o Snapdragon 845 mais barato até o momento e deixando pouca coisa de fora pra isso.

Eu me importo com a falta da certificação IP68 e carregamento sem fio, mas sinceramente, não são as características mais prezadas pelos usuários. Só tem um problema grande por aí. A inconsistência da câmera em baixa luz incomoda e apesar de ser uma coisa que pode ser resolvida via software, me deixa com um pé atrás sempre que saio para precisar fotografar ou filmar.

Se isso for resolvido, o Zenfone 5Z é uma boa opção pra quem não quer gastar tanto num Galaxy S9 ou não quer arriscar importando um produto sem assistência técnica.

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