Galaxy A50: um excelente intermediário

O Galaxy A50 é o intermediário com algumas “firulinhas”. Mais do que o estritamente necessário – como é o caso do Galaxy A30 -, ele adiciona algumas características que podem agradar os usuários. Será que vale a pena investir mais nele por conta disso ou economizar e ir comer um hambúrguer? É o que vou tentar discutir hoje aqui com vocês.

Construção e Tela

O ano de 2019 marca uma mudança na estratégia da Samsung para a “Linha A”. Os novos aparelhos deixam de lado alguns luxos, para focar em aspectos mais chamativos, que o público costuma valorizar mais.

O primeiro lugar que você vê um desvio de priorização é na construção. O corpo agora é todo feito em plástico, um polímero reflexivo, que preserva a aparência premium do vidro, mas é mais barato e menos resistente a quedas. A clara economia na construção não é tão problemática quanto parece, já que, hoje em dia, quase todo celular fica guardado numa capinha.

Por sinal esse é outro corte, porque não tem capinha na caixa do Galaxy A50. Modelos de outros fabricantes vem com o acessório e isso é meio que necessário, já que temos um aparelho bem grande e escorregadio. Aliás, o corpo também não é IP68, como vimos no Galaxy A5 2017, ou seja, não tem tanta proteção contra água, resistindo bem apenas a respingos.

Há algumas gerações a Samsung apostou nessa característica e agora abriu mão, então nada de piscina para esse rapaz aqui. Por outro lado, temos a TV Digital como uma função específica do modelo brasileiro. Sim, o público no geral gosta dessa função aqui no país, então tchau capinha para conseguir colocar isso aqui.

Algo que ficou para trás também foi a qualidade sonora. A Samsung já mostrou que não esqueceu o P2, entrada presente até nos modelos mais caros, mas o áudio aqui é mono, numa posição muito fácil de tampar, e a qualidade do som é fraca.

Ainda em construção, o equipamento finalmente conta com uma entrada USB-C, uma evolução interessante quando comparado com o Galaxy A7, que ainda utilizava a entrada antiga.

Só que a verdade é que, se o aparelho for bonito, todos esses detalhes de construção acabam ficando em segundo plano, e o que não faltam são elogios para a aparência do Galaxy A50.

As cores parecidas com o Galaxy S10 até confundem quem só conhece os smartphones por cima. E para ser sincero, temos de dar um crédito para a Samsung. Eles investiram pesado em colocar uma tela de qualidade por aqui.

O notch em forma de gota e as bordas bastante pequenas, dão um ótimo aproveitamento para esse aparelho, que é grande. Junte isso ao fato do painel continuar sendo de tecnologia Super AMOLED, e pronto, temos ótimo nível de cores, brilho e contraste. Se você realmente busca um aparelho para consumir mídia, essa certamente é uma boa opção, apesar de poder economizar com a mesma tela no Galaxy A30.

Hardware e Software

Com 4 GB de RAM e 64 GB de armazenamento, o diferencial desse modelo perante outros da marca é o processador: o Exynos 9610 – idêntico ao processador do Motorola One Vision – fica logo a frente do Snapdragon 660, o suficiente para rodar a maioria dos jogos na qualidade alta. Eu consegui jogar Asphalt 9 no máximo, sem travar e nem sentir queda de frames. Esse celular também aguentou bem os modos mais caóticos de PUBG e as teamfights cheias de gente no Arena of Valor.

No geral, ele foi bem com tudo que eu testei, e deve continuar assim pelos próximos anos, considerando que os jogos geralmente são otimizados para os chips menos potentes. Além dos jogos, o sistema roda bem dentro das limitações que a interface da Samsung impõe sob as transições e animações, que já está atualizada para a versão 9 do Android, e a interface nova da Samsung, a OneUI.

Além de uma cara totalmente nova, essa skin tem varias aplicações que ajudam a tirar proveito das vantagens da tela AMOLED, como o modo escuro para vários aplicativos do sistema, e os novos modos mais econômicos de “Always On Display”, que receberam algumas mudanças no arranjo das configurações para facilitar a usabilidade com uma mão.

Com esse chip atualizado também é possível trazer outras funções, como a leitura de digitais abaixo da tela. A usabilidade é parecida com a do Galaxy S10, mas ele funciona com tecnologia igual ao OnePlus, de maneira visual, emitindo uma luz verde no seu dedo ao posicioná-lo no local correto.

Só que essa solução ainda não está tão madura, e tem algumas falhas. Apesar de não errar tanto, você tem que deixar o seu dedo lá, pressionado, por um pouco mais de tempo, quando comparado com os leitores antigos, físicos. Uma dica que eu vi por ai, e funcionou comigo, foi gravar mais de uma vez o mesmo dedo, em alguns ângulos mais malucos. Existe um limite de digitais que você pode gravar, mas como geralmente as pessoas só configuram um dedo, essa duplicidade não deve te afetar negativamente.

Outra maneira de lidar com isso é utilizando o leitor facial, que sim consegue ir bem com mais frequência, até no escuro total do quarto, por exemplo. Esse modo funciona direto com a câmera, sem leitor de iris, nem nada, o que reduz a segurança do celular, mas pelo menos você não vai ter problemas na hora do desbloqueio. A alta resolução da câmera frontal provavelmente ajuda na leitura, então, vamos começar a falar dela.

Câmeras

Na lente frontal, a resolução é de 25 megapixels e abertura f/2.0, um valor bem alto, que você precisa habilitar mexendo na proporção da foto. Ela ainda utiliza a câmera relativamente aberta para tirar fotos em dois modos diferentes, o normal, e outro fechado, que reduz a resolução.

No geral, o resultado foi bom, sem cores exageradas, e principalmente, sem cara branca. Os dois modos são legais, e se beneficiam da resolução alta, para não perder tanta qualidade assim. O que mais me impressionou foram as fotos com HDR ligado, que destacam muito bem todos os detalhes, e salvam a cena até naqueles dias nublados.

O modo de desfoque funciona bem, e combina o HDR, algo que nem sempre acontece. O chato é que só funciona em rostos, já que é totalmente feito por software, e, aparentemente, não é possível alternar entre o modo aberto e fechado, é só com um pouco de crop mesmo que o retrato funciona.

Tirando isso, parece que as fotos aplicam um pós processamento parecido com o embelezamento, mesmo que ele esteja desligado, o que me incomoda. Em vídeos, a gravação é em 1080p e temos apenas estabilização por software. No Instagram, o resultado é bom, sem problemas adicionais.

A câmera traseira já é um pouco mais complicada. O sensor principal conta com resolução também 25 megapixels com abertura de f/1.7, e adiciona mais sensor ultrawide de 8 megapixels e abertura f/2.2. A terceira lente é apenas uma opção de 5 megapixels para analisar profundidade.

Por aqui já temos o otimizador de cenas, que às vezes exagera, principalmente nos verdes, mas no geral deixa as fotos bem bonitas. O foco dinâmico, por conta do sensor adicional não está limitado a nada e recorta tudo que estiver no foco, sem erros bruscos.

A alta capacidade do HDR também se repete, e como a abertura sugere, as fotos com a câmera principal vão até que bem no escuro, mas nada demais. Já a câmera ultrawide continua sendo uma das que eu mais gosto como secundária, mesmo não sendo mais tão novidade. Ela não serve para fotos mal iluminadas, mas resolve as fotos em festa de família grande, que tem que caber todo mundo no quadro.

Em vídeos, temos um repeteco da selfie, apesar de contar com um baita processador. A Samsung continua travando o vídeo em 1080p a 30 frames. Essa é uma estratégia para que o vídeo sempre utilize estabilização eletrônica – única opção por aqui.

O resumo é que as câmeras não tem nenhum diferencial claro, além de uma selfie com resolução bem acima da média, mas eu até que gostei dos resultados, das opções, e claro, do fato de elas estarem dentro do que eu esperava pelo preço.

Bateria

Para fechar, só faltou comentar da bateria, outro pilar dos novos modelos da marca. Ao invés de tentar carregar rápido igual ao Moto G7 Plus, a Samsung optou por maior carga. Por aqui temos 4000 miliampere-hora, que passam fácil de 10 horas de navegação no Youtube com brilho quase no talo.

Os resultados são bons já que o celular está bem otimizado através de um chipset de 10 nanômetros, a tela oled e algumas modificações no software. A Motorola geralmente faz um pouco mais com menos, mas a Samsung anda melhorando nesse quesito. O carregador de 15 Watts da caixa precisa de 1 hora e 45 minutos na tomada para levar o aparelho de 0 a 100%, um tempo razoável.

Conclusão

Olhando para a linha como um todo, o A50 é basicamente o intermediário plus, que se destaca por um processador mais potente, câmeras que agradaram, e especificações atualizadas. O leitor de digitais é meio que uma firula, a câmera ainda tem bastante espaço para melhorar, mas é um bom primeiro passo.

O Galaxy A50 já está saindo por 1700 reais no varejo, um preço bem ok e a hora que chegar perto dos 1500 pode ser um belo de um negócio. Acima disso eu recomendo esperar, porque Samsung geralmente acaba perdendo um pouco de valor com o tempo.

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3 Comments
  1. Gostei da sua opinião, mas mesmo assim por ser corpo de plástico não me agradou, prefiro continuar ou com corpo de metal ou com corpo de vidro, mas mesmo assim parabéns!

  2. Artigo muito bem explicado e abordado. Eu fiz a compra antes de lê-lo, embora algumas coisas eu poderia ter buscado conhecer melhor antes, creio que atendera minhas expectativas. Mas obrigado pelo seu trabalho, bacana de mais.

  3. Reply
    Rafael Candido da Silva julho 30, 2019 at 2:46 pm

    Estou bastante inclinado a comprar este celular., já vi ele por menos de R$1.200,00. Sou muito indeciso e pesquiso bastante. Se o A70 baixar legal, vou nele. Tem também o Mi 9 SE, se baixar posso pensar.
    One Vision não gostei do formato.
    Moto G7 Plus parece inferior.

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