Galaxy A80: quando o marketing fala mais alto

O Galaxy A80 é o primeiro smartphone com câmera traseira giratória a chegar no Brasil. Ao mesmo tempo, ele acrescenta uma tela totalmente sem entalhes e com poucas bordas, ótima para conteúdo. Mas será que tudo isso é suficiente para que a gente acabe optando por ele ao invés de gastar um pouquinho mais para ter um aparelho da linha S? Esse é basicamente o tema de hoje.

É o seguinte, eu preciso começar esse review quase de cabeça para baixo, porque tem um elefante branco enorme na sala. O preço de lançamento do Galaxy A80 não vale a pena, simples assim.

A Samsung sempre trabalha dessa maneira, lança com preço altíssimo, dá algum brinde para ajudar a fechar a conta, permite que as varejistas e as empresas de telefonia consigam criar descontos excelentes e depois de 2 a 4 meses vão reduzindo o preço até ficar estável no patamar onde deveriam estar pra começo de conversa.

Um exemplo claro foi o Galaxy A9, que chegou custando R$3.200,00, só um pouco a menos que o A80, e hoje já é encontrado por R$1.600,00, uma queda ainda mais brusca que de costume.

Por isso, a análise de hoje vai considerar o valor depois de uma queda, ali na casa dos R$2.000,00, combinado?

Design e tela

Partindo dessa ideia, eu tenho de ser sincero e dizer que apesar de todas as ressalvas que irei fazer, o Galaxy A80 é um dos aparelhos mais interessantes do ano – pelo menos dentro dos que conseguiram sair do papel com sucesso. Não foi o caso dos dobráveis, ainda.

A grande atração aqui é claramente a câmera giratória, que impactou praticamente tudo na construção do aparelho. Até por ser um sistema mecânico, a principal preocupação se torna a durabilidade do equipamento. Ele foi bem em nossos testes, mas só o tempo dirá se os 300 mil acionamentos que a Samsung promete serão realidade. Mas nesse caso, eu acredito que temos um outro problema: os espaços expostos quando a câmera está ativa.

Pelo que eu pude observar, o A80 está relativamente bem selado, e pelo menos não é tão grosseiro quanto o Mi Mix 3 em seu sistema. Alguma areia mais fina ou poeira pode encontrar algum canto para se enfiar, e qualquer acúmulo exagerado no “trilho”, nessa parte que fica bem à mostra, pode gerar problemas com o tempo.

Nada super preocupante, afinal, partículas pequenas podem provocar dano em todo smartphone, mas pode ser uma boa proteger o celular com mais cuidado quando você estiver lá tomando um sol na praia.

Esse vai e volta todo da câmera, aliás, até distrai as pessoas de outro ponto importante: o A80 é enorme! Ele conta com o mesmo tamanho do Galaxy A70, mas com um corpo mais grosso e pesado para acomodar o sistema da câmera.

São 6,7 polegadas de tela que, combinado com a ausência de um entalhe ou qualquer tipo de furo, chega muito perto de deixar a frente do aparelho sendo 100% tela. Com tecnologia Super AMOLED, resolução Full HD Plus e proporção 20:9, o aparelho se torna excelente para assistir filmes com qualidade, jogar e até mesmo fazer uma edição de vídeo usando apenas ele – situação onde você acaba precisando de um pouco mais de área útil.

Além disso, diferente do seu antecessor e de boa parte da linha A, o A80 é construído todo em vidro, nada de glástico por aqui. Ele ainda conta com bordas de alumínio, que também dão uma sustentação melhor para a câmera giratória. É um conjunto bem bonito.

Vale comentar que você não consegue utilizar a câmera para fazer desbloqueio facial de tela, decisão que eu até entendo já que o processo seria um pouco mais lento do que outros concorrentes com soluções paralelas e colocaria um stress a mais no mecanismo, reduzindo sua vida útil.

O que eu gostei foi do aumento na precisão do leitor de digitais debaixo da tela. Ainda não está tão certeiro assim, e eu tive bem mais problemas que outras pessoas da nossa equipe. Basicamente está melhor que o Galaxy A50 nos primeiros meses e igual aos outros modelos da marca com a função.

A única parte ruim que encontrei na construção é que o som é mono, nada horrível, mas também longe do ideal. Inclusive, se você olhar de perto, nem vai ver uma saída de som na parte superior do aparelho. O alto falante para ligação fica escondido, mais ou menos no meio da tela, e deixa bem estranho atender uma chamada ou escutar um áudio do WhatsApp. Pode ser questão de costume, já que o celular fica numa posição diferente, fazendo você encostar o ouvido um pouco pra cima do meio contra a posição acima da tela em todos os modelos nos últimos 10 anos.

Para assistir vídeos ou jogar então, o som só sai por baixo, numa posição que ainda é fácil de tampar. Uma entrada P2 ajudaria, se ela existisse. Sim, o Galaxy A80 traiu o movimento e é o primeiro aparelho da linha A que chegou no Brasil sem entrada para fone de ouvido.

Para tentar remediar a situação, o fone que vem na caixa utiliza plug USB tipo C, retirando o adaptador da caixa. Se você já tem um PC atualizado com uma entrada USB-C talvez já se sinta mais adaptado, mas se não é o caso, pode acabar se frustrando um pouco.

Câmera

Por outro lado, o microfone não é dos piores, o que é importante, já que de acordo com a Samsung, o A80 foi “criado para a era live”, e é clara a vantagem que uma câmera giratória pode trazer para os produtores de conteúdo.

Para começar, as câmeras frontais não costumam ter uma boa estabilização e geralmente estão limitadas a resolução Full HD. Dois problemas que o sensor mais parrudo do A80 resolve, te possibilitando chegar até os 4K em vídeo e ainda dá uma palinha da super estabilização do Galaxy S10 em filmagens 1080p.

No entanto, temos alguns problemas que realmente puxam o Galaxy A80 para baixo. A câmera apresentava um problema com foco fixo quando a câmera estava virada para frente, que durante os nossos testes recebemos um update que corrigiu esse problema.

Só que essa não foi a única diferença que dependia da posição da câmera. O pós processamento também aplica uma máscara nas selfies, e isso deixa a foto bem parecida com qualquer outra selfie. Parece estranho eu reclamar assim, mas não é só o caso dele colocar uma cara branca e suavizar sua pele. O HDR não faz um trabalho tão bom e a qualidade fica mais baixa, porque o “modo padrão” recorta a imagem e reduz a resolução.

Além disso, temos limitações que realmente me parecem arbitrárias. Você não pode usar a câmera wide para filmagens no modo selfie, e nem o flash, duas coisas que você pode fazer com a câmera no modo traseiro. A lente super aberta pode deixar a imagem distorcida, claro, e o flash não é exatamente algo fácil, ou bom, de se usar, mas se tem atrás, não vejo o porque não ter na frente também. Perde-se o sentido em ter uma câmera giratória.

De qualquer forma, deixa eu explicar um pouco mais sobre o conjunto triplo de lentes. A principal de resolução 48MP e abertura f/2.0 funciona naquele esquema que por padrão junta 4 pixels em 1, formando uma foto de 12MP com mais “inteligência” aplicada. Quando virada para frente, a mesma câmera tira uma foto em 7,6MP, mantendo a opção de uma versão mais detalhada de 28,8MP.

A segunda lente é a ultrawide, de 8MP e abertura f/2.2, e ela é bem legal também. O próprio sistema ajusta um pouco das bordas nas selfies e faz um recorte para uma resolução final de 5 megapixels, mas o HDR pelo menos prioriza bem mesmo quando esta contra a luz.

Para fechar, temos um terceiro sensor chamado de “Time of Flight”, ou, para simplificar, uma câmera 3D. Sua principal função é o modo retrato em filmagens, que até é legal de usar e performou melhor do que eu esperava. Sinceramente, eu não gosto muito ainda do efeito mas pode ser o futuro – daqui umas 2 gerações teremos algo bem mais completo, como foi o caso do modo retrato.

Além disso, essa câmera também serve para habilitar mais funções em aplicativos de realidade aumentada. O Galaxy A80, aliás, já vem com um desses aplicativos para medir objetos. Ele é bem legal e é parecido com o que você encontra lá no iPhone.

Voltando para as fotos, deixa eu dar um contexto geral: elas ficaram boas, com uma boa nitidez na traseira e em fotos de paisagem, o reconhecimento de cena deixa as cores bem fortes e o HDR destaca os detalhes do ambiente. São esses os dois principais recursos que você perde se optar por tirar fotos na resolução máxima de 48MP.

Tiveram casos em que eu até gostei mais da foto em resolução maior, menos mexida e com a possibilidade de ampliar a imagem sem perder tanta informação. Não é que fica uma baita de uma resolução 4 vezes maior, mas tem um pouco mais de detalhes.

Vale comentar também que a Samsung também implementou um modo específico para fotos noturnas, algo que acabou de chegar em modelos como o A70. O resultado ajuda um pouco, mas fica longe de ser o que vemos no Pixel ou em uma GCAM da vida. Ela foi útil quando eu quis tirar umas selfies sem todo o processamento exagerado que teimam em colocar por aqui. Na maioria das outras situações, o software da Samsung vai melhor, tanto em fotos contra a luz quanto em vídeo.

No fim, eu gostei da câmera do A80, uma evolução perante o A70, principalmente na frontal, porém eu não esperava que essas limitações estranhas e o pós processamento “diferente”. Se estivesse tudo igual, na mesma qualidade, independe da posição, o A80 certamente estaria num patamar acima de praticamente todos os outros aparelhos. Mas não é o caso. Pegar um S10e pode ser uma opção melhor em algumas situações.

Desempenho e bateria

E realmente, esse é um celular para a “Era Live”, porque o A80 só vem com 128GB de armazenamento e não oferece suporte para um cartão Micro SD. Ele ainda vem com 8GB de RAM, o que garante uma boa longevidade para o aparelho, e o Snapdragon 730, poderoso para intermediários, é mais do que capaz de rodar tudo na Play Store, mas que fica para trás em algumas outras situações como processamento de vídeos e inteligência artificial. De qualquer forma, consegui jogar tudo sem travar ou esquentar, até mesmo nos mais pesados como Ark e Fortnite.

Vale comentar também sobre a bateria, de 3700mAh. Quantidade um pouco abaixo do esperado, meio que dando um passo para trás, já que o A70 tem mais capacidade e um sistema mecânico a menos para alimentar. E mesmo que o chip seja mais novo, chegando aos 8 nanômetros, o consumo foi um pouco alto, finalizando o dia com um pouco menos de carga que a maioria dos aparelhos com 4000 miliampere-hora.

Basicamente, você consegue chegar no final do dia com ele sem problemas se não exagerar. Por outro lado, ter carga menor significa menos tempo para enchê-la, e o carregamento rápido funcionou muito bem, precisando de apenas 30 minutos para chegar em 50% e uma hora para passar de 90%.

Conclusão

O resumo é que o Galaxy A80 chegou com pontos altos e outros que ainda o colocam pra trás de uma linha S. Nada de proteção contra água, nenhum envio de sinal de vídeo através do USB-C, e um processador que apesar de muito bom fica para trás da linha 8, que traz todas as inovações.

Ficando perto dos R$2.000,00 e recebendo algumas atualizações de software para a câmera frontal, o A80 pode ser uma opção bem completa, principalmente para quem quer experimentar um smartphone um pouco diferente e com ótimas câmeras frontais.

8 Total Score

User Rating: 1 (1 votes)
1 Comment
  1. O Samsung Galaxy A80 é um projeto com a maior falha dos últimos tempos.
    Você não consegue ouvir pois o telefone não tem autofalante frontal.
    Comprei e joguei dinheiro fora..
    Horrível. Não comprem.

Leave a reply