Galaxy M10: básico e barato sem deixar na mão

Lançado em abril desse ano, o Galaxy M10 é atualmente o aparelho mais barato da Samsung, abrindo mão de algumas características para tentar entregar uma experiência de smartphone naquele conjunto que a gente conhece bem: bonito, barato e quem sabe bom.

Será que a Samsung abriu mão dos recursos certos pra entregar um smartphone pra uso básico? É exatamente sobre isso que vamos falar no review do M10.

Design

Eu vou começar falando do design desse modelo, que na real, segue mais ou menos as mesmas linhas em toda família Galaxy M, que só é vendida pela internet e de certa forma, substituiu parte da bastante conhecida linha J.

Com um corpo em plástico e pintura metalizada, ele é bem fino e bonito, mas eu usaria uma capinha, porque a chance de riscar aqui é grande, inclusive tive problemas com isso.

O conector P2 está na parte de baixo, junto com a entrada Micro USB, mas o retrocesso ficou mesmo para o alto falante, que foi parar na parte de trás, coisa que eu não via há muito tempo nos aparelhos da Samsung. O áudio já não é aquela coisa, e acaba sendo extremamente fácil de ser tampado quando você está vendo um vídeo ou jogando na horizontal.

Os botões ficam todos na lateral, são fáceis de serem alcançados e poderiam passar um pouco mais de confiança. O problema mesmo é a falta do sensor de impressão digital. Pra desbloquear o aparelho, só através das senhas na tela mesmo. Apesar dele ser um aparelho de entrada, no preço atual de lançamento dele ainda não faz sentido, só se ficar abaixo de 600 reais.

Tela

Esse foi um grande ponto de evolução nessa linha mais barata. E quando falo evolução, não estou falando de resolução por si só, que ainda é menor, mas de redução de bordas. O M10 tem apenas um entalhe em formato de gota e um aproveitamento da área frontal bem interessante.

Mesmo para um aparelho com o intuito de ser barato, ele serve para consumir mídia com seus pouco mais de 6,2 polegadas de painel LCD. De modo geral, a qualidade é bem razoável, já que a resolução é apenas HD e o brilho é meio baixo, dificultando bastante a visibilidade numa área externa em dias mais claros.

Para fechar, eu achei que o display de tom azulado virou meio que um padrão dessa linha. Eu não curto, dá para regular nas opções, e você só vai ver diferença se comparar com equipamentos de uma categoria superior, mas claro, eu tenho de comentar.

Sistema

Um ponto que eu gostei do M10 é que o sistema já está rodando a OneUI 1.1 com Android Pie. Ele foi lançado com a versão anterior do Android e sem a OneUI, mas a atualização chegou pouco antes de começarmos este review. Gosto dela por ser uma interface personalizada que ficou muito bonita e otimizada, mas que ainda carece de alguns recursos mais avançados.

O fato é que, descartando a velocidade e o hardware, a experiência de usar um M10 é bem similar a de usar um S10 Plus ou um Galaxy A70, e nisso a Samsung vem fazendo um bom trabalho, mesmo nesses equipamentos mais baratos. Não é igual, claro, mas a consistência do software da Samsung já foi um problemão nessas linhas mais básicas.

Por falar nisso, o hardware é o que se espera de um smartphone de entrada. O processador Exynos 7870 já tem um tempo no mercado, mas não decepciona nas tarefas mais básicas. Foco aqui para “mais básicas”. Com os oito núcleos rodando a 1,6 gigahertz e uma GPU Mali-T830, você vai conseguir ver seus vídeos na resolução HD, mandar mensagens no WhatsApp, pedir um Uber e conversar com os amigos no Facebook numa boa. Mas não dá para tentar fazer tudo isso junto de uma vez só, ele vai espanar.

Falta também desempenho. Em jogos mais elaborados como PUBG e Asphalt 9, algumas engasgadas vão ser frequentes, e por ter uma memória RAM de 3 GB, será difícil manter vários aplicativos rodando em segundo plano.

Inclusive, esse foi um ponto meio estranho, porque não foi difícil ver o aplicativo do Reddit e do Instagram fechados, depois que eu usei o Youtube. Era para ele ter segurado mais abas abertas. Enfim, não dá para exagerar com esse modelo aqui.

Bateria

Agora, a bateria foi uma grata surpresa para mim. Ao contrário do Galaxy M20 e do Galaxy M30 que tem 5.000 mAh de bateria, por aqui são apenas 3.400 mAh de capacidade com uma autonomia bastante digna.

Vale destacar aqui o consumo de apenas 4% em trinta minutos de navegação pela internet. Pra efeito comparativo, o K12 Plus da LG, concorrente direto desse bichinho aqui, consumiu bem mais na mesma tarefa.

Claro que em jogos e gravação de vídeo você vai gastar mais do que isso, mas com uma tela de pouco brilho, menor resolução e um processador simples, essa é uma média bem boa. E tem de ser, já que sinceramente, a única opção é carregá-lo de noite. São cerca de 3 horas para que o aparelho vá de zero a cem através do carregador de apenas 5 watts que vem na caixa.

Câmera

Na traseira, o Galaxy M10 entrega dois sensores, o principal de 13 MP com abertura f/1.9 e o secundário de 5 MP com abertura f/2.2, também responsável pelas fotografias wide-angle.

Minha única consideração para fotos noturnas é que você não deve usar esse smartphone para fotos noturnas. Sem brincadeira, o resultado é sempre ruim. Não existe mágica por aqui. Por conta do ISO alto e a baixa velocidade é comum ver um ruído exagerado, sem contar a baixa definição das imagens. E isso vale tanto para a câmera traseira quanto a câmera frontal.

Quando está tudo bem iluminado, a câmera principal faz boas fotos, mas eu sinto que ele perde definição muito fácil nas áreas mais escuras da imagem. O sensor tenta compensar, mas fica ruim. O pós processamento também é um pouco desequilibrado, deixando as imagens com um contraste exagerado e pecando um pouco na saturação.

Eu sei que eu estou reclamando bastante, mas tenha noção de que esse é um celular de entrada, então ele entrega aquilo que consegue pelo preço. Pelo menos, o balanço de branco consegue segurar bem e a lente grande angular é legal para conseguir pegar cenários diferenciados, mesmo que as bordas fiquem muito distorcidas.

Sabe o que é mais doido? Não é difícil ver as cores na grande angular ficarem melhor que na câmera principal. Um ponto positivo, se você tirar água de pedra, é o modo retrato, que não erra tanto em boa luz.

Já nas selfies, o resultado é bem confuso. Com a câmera de 5 megapixels com abertura f/2.0, tem hora que a foto fica legal, com um bom nível de detalhes e cores muito equilibradas, e em outro momento, fica tudo meio borrado, mesmo sem o modo de beleza. Ele é incosistente, então é preciso se atentar ao foto de que para a foto sair boa precisa de mais tempo e cuidado.

Pra usar a câmera selfie, sugiro que você faça várias fotos, mudando um pouco a angulação e mantendo sempre o braço o mais estável possível. Isso vai te ajudar na hora de escolher a melhor foto da galeria.

Na gravação em Full HD, o resultado é bem parecido com o que eu comentei das fotos. Na câmera frontal é comum você ver um ISO mais alto, o que resulta num nível de ruído exagerado e quando tá tudo bem iluminado fica melhor. O mesmo acontece na câmera traseira, com um probleminha adicional no foco, que é bem lento. A falta de estabilização ótica pode ser um problema, mas de novo, é um aparelho de entrada. Não tem como incluir essas coisas por aqui.

Conclusão

Não tenho dúvida de que o Galaxy M10 pode ser uma ótima opção de smartphone de entrada para consumo de mídia e aplicativos mais básicamos se cair um pouco o preço, chegando na casa dos 600 reais.

Ele tem armazenamento, bateria, tela e até câmera para estar nessa faixa, mas a falta de leitor de impressão de digital e de um pouco mais de desempenho me preocupa, tornando-o uma opção mais focada no básico das redes sociais e navegação.

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