Galaxy S10+: para quem pode ter o melhor

O Galaxy S10 é uma grande marca para a Samsung, por não apenas celebrar o décimo ano da linha, como entregar um aparelho que é o melhor no que se propõe em vários quesitos. Mas nem tudo é simples e não só as linhas anteriores já eram bastante maduras como o acréscimo de preço pode te fazer se questionar. Vale pagar caro para se manter atualizado? É o que vou tentar desvendar nesse review.

Design

Pra começar, eu preciso dar minha opinião pessoal: o Galaxy S10 ainda me parece de uma linha análoga ao Galaxy S8. Quase que um S8SS. As diferenças são bem maiores que da linha 8 para a 9, mas ainda tenho uma sensação bastante similar.

Isso é na verdade bom, porque o Galaxy S10 é atual, enquanto o 8 estava à frente do seu tempo e se mantém atual ainda em 2019. Temos de entender que nada disruptivo vai acontecer no segmento, que já está extremamente maduro. E eu ressalto a qualidade das linhas anteriores por conta das poucas bordas laterais e do acabamento incrível, que claro, foi mantido por aqui.

A grande diferença fica para o aproveitamento de tela maior, resultado dos entalhes feitos com corte a laser para as câmeras frontais. Essa é uma solução que eu gosto e que caiu bem.

É engraçado que pra mim as bordas já eram pequenas nas gerações anteriores, mas só passaram a me incomodar na hora que coloquei os aparelhos lado a lado. É o marketing criando uma necessidade para nós.

Mas vamos lá, essa é a melhor tela ever. Um dos maiores aproveitamentos com 93,1%, redução de emissão de luz azul mesmo sem precisar do modo de leitura – uma característica imperceptível -, e claro, a taxa de brilho superior aos outros anos e maior do mercado.

Sempre vale a pena melhorar nesse quesito. Por fim, resolução QuadHD. É realmente uma baita de uma tela, a melhor. Mas eu já fico satisfeito com menos.

Aliás, deixa voltar pro corpo do aparelho. Os chanfros na traseira se mantém, a câmera vira horizontal porque 3 mais um flash são demais e os botões se mantém. Com um porém: o botão de liga e desliga foi colocado super pra cima. Eu imagino que isso tenha sido feito para você se acostumar a ligar o celular através do leitor de digitais na tela e esquecer o botão de Home, que some nas próximas gerações.

Se não for isso, seguimos com pequenos probleminhas ergonômicos na linha a ano a ano. E já que estamos falando disso, temos pontos bons e ruins no quesito de autenticação. O leitor embaixo da tela do Galaxy S10 é um dos melhores, já que consegue ler com maior velocidade e acertar mesmo com a mão molhada, mas ainda é um pouco mais lerdo que os físicos e exige que você esteja melhor posicionado.

Uma atualização algumas semanas depois do lançamento melhorou bastante o leitor em todos os quesitos, o colocando perto, mas ainda para trás do leitor físico.

O reconhecimento facial presente em toda a linha não recebeu upgrade algum nos últimos anos, mesmo com a tecnologia de profundidade presente na câmera frontal e do processador com inteligência artificial, ele ainda não é dos mais seguros. Você consegue desbloquear ele apenas com um vídeo em que apareça seu rosto.

Bixby. Ela tá atualizada, bem mais bonitinha, mas eu particularmente ainda não encontrei tanto uso pra ela, nem pra assistente do Google e nem pra Siri. Não é ela, sou eu. Aliás, você pode trocar a funcionalidade do botão para as mais variadas ações, menos ativar a Google Assistente, óbvio. Nada de novo por aqui.

Outro ponto alto é a saída de som, ela voltou a ser parecida com as pequenas cavidades do S8, mas teve um incremento bom em volume. Celulares nunca serão uma caixa de som separada, mas o S10 Plus está bem legal. O ruim é que se você não tomar cuidado ele pode distorcer um pouco, então nada de colocar no máximo.

Desempenho

Agora vamos para um ponto polêmico, pelo menos pra mim. O Snapdragon 855 é o melhor processador da atualidade, com funções bem específica, mas que só vai aparecer no modelo americano. Aqui no Brasil recebemos o Exynos 9820, que sim, é um bom processador e pula dos 280 mil pontos para quase 330 mil no Antutu, uma boa marca, mas que fica para trás do Snapdragon.

Esse chipset adiciona funções de inteligência artificial e melhor conexão de dados, além de ter melhorado bastante a velocidade da memória RAM de um ano para o outro. Esse é um dos motivos da pontuação ter subido. O incremento de memória RAM também ocorre em quantidade que inicia em 8 GB e vai até 12 GB.

Sinceramente, no a dia a dia não tenho do que reclamar do Exynos, mas me incomoda pagar caro por um aparelho que irá ficar de fora de algumas funções como o modo retrato em vídeos, o menor gasto energético proveniente da construção de 7 contra 8 nanômetros e a compatibilidade com alguns aplicativos que usam APIs da Qualcomm para funcionar – a exemplo da GCAM que melhora os resultados das câmeras e que é essencial em um cenário onde a própria Samsung não foi capaz de trazer um concorrente à altura do Night Sight da Google, a melhor evolução que ocorreu nos últimos tempos.

De resto temos tudo por aqui. Unidades neurais, que eu já falei, HDR em vídeo, acesso a maiores cartões de armazenamento e a memória RAM melhor. Então, você pode comprar um S10 Plus com até 1 TB de espaço e adicionar mais um por cartão SD.

Isso pode ser legal se você, como eu, usar o celular pra trabalho e gostar do Dex, que agora não só está mais fluido com os novos processadores, como aceita monitores Ultrawide pela One UI, sistema operacional que visa ser usado com uma única mão.

O Galaxy S10+ vem com o carregamento sem fio reverso que permite carregar acessórios como o Galaxy Watch ou o Galaxy Buds, que estão mais integrados com a última versão do sistema. Para carregar outros aparelhos você irá perder muita energia no processo, mas para coisas pequenas como acessórios super vale a pena, já que temos 4100 mAh de capacidade.

Isso trouxe para ao aparelho a possibilidade de 8 a 9 horas de tela, o melhor desempenho desde então. Para carregar, como o aparelho vem com o mesmo carregador de 18 watts, você vai precisar esperar um pouquinho mais, cerca de 1 hora e meia, tempo que nem é tão maior assim.

Câmeras traseiras

Está na hora de falar de uma dos diferenciais desse celular, as câmeras. Pra começo de conversa, precisamos ser sinceros: as câmeras adicionais servem para o celular ser mais caro e porque não tem muito mais o que evoluir no sensor principal no curto prazo, então as possibilidades serão expandidas horizontalmente.

Dito isso, diferente do Galaxy A9, onde os sensores adicionais entregavam resultados questionáveis, temos aqui uma baita de uma grande angular e uma uma boa lente de zoom.

A lente ultrawide consegue ótimos resultados em boa luz e não perde tanta definição em cenas de média luz como no A9. Isso se deve aos 16 megapixels de resolução que junto com a abertura f/2.2 ainda não possuem um alcance dinâmico igual da principal, mas que já entregam um resultado bom para ser editado posteriormente.

Aliás, deixa eu já abordar esse tema: o aplicativo de pós edição de fotos da Samsung está muito fraco. Editar luz e cor nele é bem complicado e faltam opções. A Samsung já foi melhor nesse quesito.

A lente de zoom mantém a estabilização ótica que ajuda bastante a tirar fotos mais precisas e continua me impressionando, é realmente legal ter as 3 opções na mão. Wide de 0,5, padrão com abertura variável para se adaptar a situações com menos luz e depois 2x de zoom.

No geral, tivemos melhorias no HDR ano a ano, a implementação de inteligência artificial para detecção de cenas, tanto para otimização de configurações como para te dizer qual é a melhor composição de foto. Função bem legal, que dá umas dicas boas, mas que pode errar, afinal, ela não sabe o que você está querendo.

Para vídeo, a empresa ainda trouxe algumas inovações nessas câmeras traseiras. Além do modo de super slow motion com 960 frames por segundo que já tinha na geração anterior, a opção de vídeo super estabilizado me impressionou. Ao utilizar a câmera ultrawide, o sistema pode fazer um recorte grande e segurar todo o chacoalhar sem perder informação, e fica bom demais.

Temos de lembrar que isso só funciona em Full HD e que temos uma distorção leve por causa da lente, mas já é um diferencial claro para cenas mais agitadas e sem gimbal.

A outra função nova, e até o momento exclusiva, é a gravação em HDR10, que promete te dar maior liberdade para você fazer uma alteração de cores posteriores. Por isso mesmo, o resultado direto não é melhor do que o modo “normal” do celular, ele exige edição.

Além disso, o formato tem de ser “lido” por software específico e não vai funcionar com qualquer aparelho, então exige também uma curva de aprendizado.

Câmeras frontais

A câmera frontal finalmente evoluiu depois de alguns anos com configurações similares. Temos um sensor de 10 megapixels com abertura f/1.9 que tem um resultado muito bom no recorte de cabelos, mesmo os mais complicados, entregando algo bem parecido com o Pixel, que realmente coloca a pessoa pra “frente”.

É uma evolução clara perante os últimos anos, mas o que me incomoda e que sempre exige que eu faça ajustes posteriores é que não importa a cena, eu fico muito branco. Eu fui até olhar no espelho para ver se era real e se a culpa era minha. Novamente, ao tentar editar no próprio aplicativo de câmera, a única opção que eu tenho é me deixar mais rosa.

A segunda câmera – que fica de fora do S10 normal – é um sensor de profundidade que já mostra o seu resultado ao vivo e que quando tampada realmente impossibilita tirar uma foto de modo retrato, além de cancelar o desfoque em tempo real, fatores que mostram que é realmente utilizada.

A gravação em 4K também com essa lente é um avanço legal e importante para criadores de conteúdo, público que a Samsung fez questão de priorizar com esse aparelho. A função de Instagram, aliás, vem tentar resolver um problema de muito tempo: a queda de qualidade de arquivos no Instagram.

Com esse modo, qualquer coisa que você gravar vai direto pra plataforma, de maneira fácil. E sim, usar essa função traz resultados melhores do que gravar no próprio Instagram, mas é similar à gravar na câmera nativa e fazer upload, ou seja, basicamente um atalho. Nada de qualidade igual da Apple.

Com isso, dá para fechar essa seção falando que o S10+ tem o conjunto mais completo de todos os smartphones até o momento. Pode não ser o melhor em alguns quesitos, mas é o mais completo.

Conclusão

Sabendo de tudo isso, deixa eu dar o meu veredito. O Galaxy S10+ é o melhor celular do momento. Como sempre a Samsung te dá todas as opções disponíveis em um sistema consistente. Ele tem a melhor tela do momento, a melhor câmera wide, um bom desempenho de bateria e filmagens em HDR10.

Tem tudo que um celular de 2019 pode ter, mas você terá de pagar por isso, e não vai ser pouco. Então é necessário achar uma motivação clara para fazer o upgrade, o que provavelmente irá cair para as novas câmeras e suas funções, já que o processamento e tela das versões anteriores já eram bom o bastante pela metade do preço.

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