iPad vs Tab S4: a batalha entre Android e iOS nos tablets

O mercado de tablets mudou muito nos últimos anos. Chegamos em um platô onde todas as marcas menores perceberam que não valia a pena continuar investindo em um mercado “pequeno” como este e quem ficou teve de começar a investir e mudar um pouco as coisas.

O último ano, aliás, foi frutífero e estamos com dois modelos com sistemas quase que antagônicos para te ajudar a escolher qual se adapta mais a você: o Samsung Galaxy Tab S4, topo de linha Android, e o Apple iPad de 6ª Geração, o mais barato e potente da maçã.

Design

Geralmente eu começo falando de características externas dos equipamentos, mas é complicado tentar colocar esses dois aparelhos frente a frente, já que o iPad 6ª geração é meio que uma categoria abaixo e o certo seria comparar o Tab S4 com o novo iPad Pro, mas ele é basicamente o dobro do preço. Então está aí um ponto, preços são bem diferentes entre esses carinhas. A ideia aqui então é mostrar o que cada sistema é capaz em conexões, software e como eles se posicionam.

Para começar, o que fica bastante claro é que o iPad não tenta ser mais do que um tablet, toda sua interface e funções ficam fechadas nesse modelo e criam uma experiência que é única através da gaveta de aplicativos na parte de baixo e dos novos gestos. Isso limita algumas funções e cria outros tipos de usos, muito mais focados no touch e no uso da caneta.

Dá para citar, por exemplo, o fato de que ele não permite mouse e que todos os modelos que possuem lightning tem uma péssima imagem quando colocados em um monitor externo. Isso é basicamente a Apple limitando o seu tipo de uso para o que eles querem. E sinceramente isso é bom e ruim. Ruim porque te limita, mas bom porque todas as interações são bem fechadas e funcionam de forma lisa.

O Galaxy Tab S4, por outro lado – e poxa, estamos falando aqui do estado da arte dos tablets Android – te dá um nível bem maior de opções de uso, chegando muito mais perto de um computador portátil. Um pau para toda obra que serve pra ser tablet, estação de trabalho móvel e até mesmo um PC de mesa com um touch já preparado. Ele realmente tenta ser um híbrido.

Usabilidade

Para começar, podemos usar o mouse! Só que isso não é a Samsung tentando transformar seu tablet em PC, afinal, a caneta já vem por padrão no S4 e com isso é muito fácil usar um ou outro no dia a dia. E aliás, as duas experiências são boas.

Assim começa o diferencial do Tab S4 – e sim, eu vou rasgar um pouco de seda por aqui. O modo Dex cria uma interface inteira para que o Android seja utilizado com janelas e com uma barra de trabalho inferior. A experiência precisa melhorar com uma ferramenta de organização dessas janelas como no Windows e mais algumas correções e adaptações, mas já evoluiu bastante nos últimos anos.

Além disso, está rolando um beta do Linux Ubuntu rodando lisinho aqui no sistema. Não é rápido pra caramba porque estamos falando de um Snapdragon 835 rodando um sistema operacional em cima de outro sistema operacional, mas abre precedentes para as próximas gerações.

Isso é importante porque estamos rodando um sistema completo com possibilidade de rodar códigos no terminal para quem é programador – tudo isso em um tablet com espaço para 4G e longa duração de bateria – características que estão sendo buscadas nas próximas gerações de notebooks com processadores ARM, esses de celulares.

Com os dois equipamentos apresentados, a minha opinião é que a Apple está criando uma interface de tablet mais produtiva, enquanto a Samsung está transformando o tablet em uma estação de trabalho que é sim um notebook ou um PC, e separando isso das funções de tablet, tentando chegar mais perto dos tablets com windows touch.

E é complicado porque a Samsung precisa criar essa interface inteira nova para não depender do Android “geralzão”, que claramente não está interessado nos tablets. Eu falo isso porque enquanto a Apple pode investir e pensar bem no seu ecossistema e criar sistemas úteis como os modos de gestos, que permitem maior velocidade na transição de aplicativos, a barra inferior, o aplicativo de gerenciamento de arquivos. Assim, o Tab S4 fica um pouco para trás e ainda parece um celular de uns anos atrás.

Ecossistema

O que ferra, aliás, é que apesar de o Samsung ter bom desempenho, variadas opções de área de trabalho e ser bem completo em conexões, faltam os aplicativos potentes e bem desenhados que o iPad tem. O Luma Fusion é capaz de editar vídeos em 4K com qualidade, o Ferrite te permite editar podcasts e som, o Cubase e Garage Band ajudam em gravações sem input lag, e poxa, faltam até aplicativos de escrita mais bonitões que encontramos só no iOS.

Para um uso geral está tudo presente no Android, mas se precisa de algo bem específico, você provavelmente vai ficar no equipamento da Apple. Pelo que eu li – e posso estar errado – os aplicativos de desenho também são mais completos ou pelo menos possuem mais opções no iOS, com o Photoshop completo chegando em algum futuro próximo e sem previsão no sistema da Google.

Novamente, não é questão de hardware. As duas canetas tem os mesmos níveis de pressão, funcionam de forma extremamente parecida para quem não sabe desenhar como eu, só gosta de fazer anotações e são ergonômicas. É software, só isso.

Mas claro, cada um tem seu ponto e uma coisa que me deixou maravilhado no Tab S4 é que se você abre o Dex em uma tela externa, é possível usar os aplicativos do tablet nele e abrir outra instância no DEX, ou seja, você meio que consegue fazer tarefas em paralelo – algo impensável no iPad. Só não dá para abrir o mesmo aplicativo.

Nesse ponto o Ubuntu é até melhor, já que você roda um software completo na tela e todos os apps do tablet ficam disponíveis nele.

Além disso, temos o lance das conexões. O novo iPad Pro agora tem o mesmo USB-C do Android, mas a conexão ainda é um pouco restritiva. Como já falei, o mouse fica de fora e nada de HD Externo ou pendrives, só rola pegar arquivos de cartões SD e microSD. O Tab s4, basicamente aceita tudo via cabo OTG.

Conclusão

O resumo da conversa é que o iOS é um sistema melhor para tablets, criando uma boa relação com os celulares e com o MacOS, preenchendo lacunas, mas sem tentar avançar nas funções dos outros sistemas.

O Galaxy Tab S4 já é muito melhor como um 2 em 1, como uma máquina utilitária para produtividade, focado em quem escreve e manda emails, transfere arquivos e não tem uma necessidade específica de aplicações de música, vídeo, foto e áudio.

Até por isso é complicado falar que um é melhor que o outro, eles seguem caminhos diferentes. Agora, se você está querendo pegar um tablet Android que não o S4, eu tenho de ser direto e falar que o iPad está bem mais completo, vai direto nele.

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