Finalmente o Kindle colorido chegou ao Brasil. Com mais de um semestre de diferença e uma grande polêmica no meio do caminho, agora temos o Kindle Colorsoft em terras tupiniquins. Passei alguns dias com ele e quero te passar todos os detalhes para falar se vale ou não a pena pagar mais de 550 reais adicionais para ter uma tela colorida.
Kindle Colorsoft
- Tamanhos de tela: 7″
- Resolução: 300 ppi (preto e branco), 150 ppi (colorido)
- Armazenamento: 16 GB
- Iluminação embutida: 25 LEDs
- Bateria: até 8 semanas
Antes de falar do Kindle, é preciso esclarecer uma coisa desde o início. Provavelmente vão aparecer comentários falando sobre outros modelos de e-readers coloridos, como o Kobo Clara Colour, principal concorrente do Colorsoft.
Eu não duvido que ele tenha seus pontos positivos, porém eu nunca tive contato com o produto. Então, vou evitar fazer qualquer comparação direta entre eles. Assim como também não cabe falar de tablets hoje.
Existe uma galera na internet que subestima leitores digitais em função dos tablets, que eu concordo serem melhores em vários aspectos, mas isso não quer dizer que o Kindle não tenha seus diferenciais. Aqui nós o encaramos como outra categoria de produto.
Ler em um equipamento desse é muito mais confortável que qualquer tablet, já que ele é mais compacto, com um tela mais adequada, e principalmente, não fica com várias notificações pulando na sua cara o tempo inteiro.
Então eu acredito que comprar um leitor, independentemente da marca, ainda é um investimento em uma leitura mais saudável.
Posicionamento
Isso quer dizer então que vale a pena pagar mais caro no Kindle Colorsoft?
Primeiro vamos posicionar esse cara dentro da família de leitores da Amazon para depois falar das novidades dele.

Na própria página do produto tem uma tabela que vai nos ajudar a fazer isso: todos têm telas antirreflexo e apenas o primeiro modelo, o Kindle base, tem 6 polegadas, contra 7 do restante.
Outra informação relevante são os números de leds dos painéis, que auxiliam na amplitude de brilho de cada modelo, começando em 4 no mais barato e indo até até 25 nos mais caros.
E por fim, a informação mais importante dessa tabelinha é saber que, no caso dos Paperwhite e Colorsoft, existem versões com mais recursos, os chamados “Signature Edition”.
Esses modelos são muito parecidos com seus irmãos de mesmo nome, mas trazem 4 diferenças: têm mais armazenamento, carregamento sem fio, sensor de luz adaptável, e o acabamento é metálico em vez de emborrachado, o que não faz a menor diferença caso você use com uma capa.
O modelo que compramos para esse review é o Colorsoft comum, sem o sensor de luz automática.

Então, na traseira, ele tem uma pegada de plástico levemente emborrachado que é super confortável, mas famoso por ficar engordurado com o passar dos anos.
E sim, normalmente esses produtos duram anos com os usuários. O meu pessoal, por exemplo, está comigo desde 2021, quando eles ainda usavam conexão micro USB para carregar. Felizmente, todos os mais novos trazem o USB-C, que facilita a vida de quem quer andar com apenas um carregador dentro da mochila.
Além do conector temos apenas o botão power e um pequeno LED indicador para o momento em que ele estiver carregando.
No geral, é um construção super simples, sem segredo nenhum. E uma perfumaria legal da versão coloria é que o símbolo da Amazon na traseira tem um detalhe furta-cor, enquanto os modelos preto e branco são apenas em baixo relevo.
Tela
Agora, é na tela onde estão as principais novidades desse cara. E eu devo dizer que tive um misto de sentimentos aqui, porque ao mesmo tempo que algumas expectativas foram superadas, também tiveram momentos em que fiquei frustrado.
Sendo muito sincero, assim que Amazon anunciou esse Kindle no ano passado, eu fiquei bastante animado. Mas logo abaixou quando, poucos dias depois do lançamento, começaram a sair aquelas notícias da faixa amarelada da tela dele.
Está certo, depois a marca parece ter resolvido o problema, e eu mesmo não sofri com nada parecido nos dias em que usei ele. Mas depois disso, me pareceu que a recepção do produto ficou um pouco mais morna, com a galera menos eufórica.

Mas ele tem sim alguns pontos bem legais. Por ser colorido, a identificação das capas dos livros na tela inicial do aparelho fica mais intuitiva. Assim como as marcações, que agora podem ser feitas em 4 cores diferentes: Amarelo, Rosa, Azul ou Laranja.
Pessoalmente, não sou do tipo de leitor que faz muitas marcações, mas sei que tem bastante gente com esse hábito. E isso ajuda a formar uma hierarquia maior do conteúdo.
Além disso, outro uso que eu imaginei ser o destaque absoluto desse Kindle é para a leitura de quadrinhos. No entanto, curiosamente é a partir daqui que começam a parecer os problemas. Sim, problemas, no plural.
Resolução e experiência
O primeiro é a forma como essa tela funciona. Se voltamos naquela tabelinha do início, vemos que todos os modelos contam com um painel com densidade de 300 pixels por polegada, que é mais que o suficiente para leitura confortável de textos.
Mas veja que nos modelos Colorsoft existe uma distinção, já que a densidade cai para 150 pixels por polegadas em arquivos coloridos. Isso acontece porque, embora ele tenha 300 micropontos de tinta por cada polegada de tela, ele ainda precisa meio que “transformar” essa tinta eletrônica em cores.
Então, ainda existe mais uma segunda camada de filtro colorido, que tem a metade de micropontos que a de baixo.

Na prática, isso significa que você continua tendo páginas de texto nítidas, e cores razoavelmente vivas, sem que o aparelho precise trocar completamente de tecnologia. E o próprio dispositivo escolhe automaticamente qual camada usar conforme o conteúdo que é exibido.
Isso fica muito claro, quando você dá zoom em arquivos PDF, por exemplo. Enquanto arquivos de leitores digitais, como o famoso EPUB, são organizados como um texto contínuo na tela, cada página do PDF funciona como uma imagem, então quando abrirmos um aqui e damos zoom, dá para perceber o atraso do aparelho para reconhecer o texto e mudar a resolução do painel.
Além disso, dá para perceber que mesmo em conteúdo P&B, o filtro adicional do Colorsoft deixa toda a tela mais azulada quando comparada aos modelos Paperwhite.
Olhando bem de perto, é como se o painel fosse mais texturizado, parecendo mais um jornal do que um papel como acontece nos modelos em preto e branco. Esses detalhes podem parecer pequenos, mas fazem toda a diferença a depender do tipo de leitura que você prefere.

Para quem lê muito mangá, por exemplo, comprar um Paperwhite faz muito mais sentido do que o Colorsoft. Não apenas porque as revistas japonesas normalmente são preto e branco, mas sim porque o contraste do Paperwhite é muito melhor.
E lembra que eu falei sobre a textura do colorido parecer um jornal? Essa sensação se repete em conteúdos coloridos, já que todas as cores são significativamente mais escuras, mesmo com o brilho da tela no máximo.
Dá para resolver um pouco dessa questão arrastando o dedo de cima para baixo e mudando o estilo de cor para o mais vívido. Mas mesmo assim, é uma configuração que não faz milagre.
Sistema
A última observação – que é a mais problemática na minha opinião – é o quanto a Amazon poderia ser muito mais prática com o seu sistema.
Toda a comunicação do Colorsoft, em algum momento, sempre deixa claro que um dos principais usos para ele é justamente ler quadrinhos.

No entanto, o aparelho não suporta arquivos CBZ e CBR, que são duas das principais extensões usadas por quem consome esse tipo de mídia. Então, se em algum momento você esbarrar com essas siglas, ainda vai precisar convertê-los para PDF ou EPUB.
E depois disso, não basta ligar o aparelho no computador e transferir via USB. Você precisa entrar em uma plataforma da própria Amazon para subir seus arquivos por lá, caso contrário, os quadrinhos vão ficar em preto e branco.
Se, assim como eu antes de fazer esse roteiro, você não sabia dessa necessidade, marque a página de transferência da Amazon está aqui embaixo na descrição.
Conclusão
Olha, eu entendo que pode parecer que não gostei do Kindle Colorsoft. Afinal, eu trouxe vários pontos contra ele, não é mesmo?
Mas, de verdade, eu vejo valor sim em ter uma tela colorida. A própria hierarquia nas marcações de texto; as cores, mesmo que um pouco mais escuras, ainda são mais imersivas; e até para ler gráficos elas vão ajudar.
Eu vejo um valor nisso tudo… só não vejo R$ 1.500,00. Infelizmente, por mais que eu adore esse tipo de produto, o adjetivo principal para esse Kindle é burocrático. E a culpa disso é da própria Amazon, que dificulta o manejo de qualquer arquivo que não seja de dentro da loja dela.
Em relação a imagem do aparelho: ela é boa e vai te atender na maioria dos momentos, desde que você leia muitos quadrinhos coloridos.
Porque, para leitores de livros mais densos com imagens esporádicas, ou mangás, vale mais a pena economizar com o Paperwhite.
E digo mais: o modelo de 16 GB atende à maioria esmagadora dos usuários. Só considere subir para 32 GB se você lê pelo menos uma hora e meia por dia. E eu só pegaria o Colorsoft em alguma das várias promoções que a Amazon faz por ano. Quem sabe, com uns 30 % de desconto ele faça mais sentido. E mesmo assim, pense no tipo de leitor que você é.


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