Lenovo Yoga 920: ainda vale a pena pagar caro?

Se você procura um notebook 2 em 1, a Lenovo tem uma opção em cada faixa de preço. E nos topos de linha o Yoga 920 realmente se sobressai pelo design. Agora, será que vale a pena no contexto geral? É o que eu vou tentar mostrar hoje!

Design

A apresentação do produto no unboxing já é bem legal, uma caixa bonita, com compartimentos e coisas que se movem. Isso faz sentido, já que o Yoga 920 tem um foco bem grande no design. De cara, o que você percebe é que ele é fino, com pouco menos 14 milímetros e bastante resistente – você não consegue dobrá-lo – a carcaça é realmente em alumínio que não é nem de longe pesado. O engraçado é que os chanfros são um pouco pontudos demais, mas não chegou a me incomodar.

O grande diferencial e provavelmente o que mais chama atenção no Yoga 920 é a sua dobradiça que mais lembra uma pulseira de relógio. Sem entrar nas especificações de material, o que dá para falar é que ela é bastante firme em todo os 180º que o Yoga 920 possibilita. Isso é bastante importante para momentos onde você quer utilizar a caneta para anotações.

O tampo do teclado é resistente à pressão, o próprio acabamento em metal não deixa marcas de dedo e o leitor de digitais, até por se parecer com os usados em smartphones parece mais familiar. E é claro, faz boas leituras se o seu dedo estiver limpo.

Na lateral direita temos o botão de ligar e desligar, um posicionamento bem comum em 2 em 1 e bem ruim, na minha opinião, já que acabo apertando ele algumas vezes e um USB 3.0, no lado direito, dois USB-C utilizando tecnologia Thunderbolt 3 fazem a vez e ainda a saída de fones.

Essas entradas USB-C podem ser o futuro dos notebooks por conta da sua versatilidade mas ainda são bem chatinhas. O notebook chegou em casa e eu não consegui ligá-lo no meu monitor direto. Meu mouse, teve de ficar no lado ao contrário porque tenho apenas uma entrada USB e que comecem os adaptadores se eu precisar colocar o cartão Micro SD ou ligar mais alguma coisa no USB. Eu não gosto tanto da tendência, mas acho que comparado com outros modelos o Yoga 920 até que não está tão mal equipado para a transição.

Os alto falantes estão posicionados na parte de baixo do notebook – algo bem comum novamente nos 2 em 1. Eles são de qualidade bem mediana apesar de serem da JBL e pioram quando você usa ele fechadinho no modo tablet. Não é ruim, mas eu esperava mais.

Uma coisa que está bem localizada é a câmera, que voltou a ser em cima da tela. O Yoga 910 veio com aquela opção também presente nos Dell 2 em 1 de câmera em baixo da tela, mas na boa, o mais comum é usarmos o modo conferencia com o notebook em forma normal, o que acabava por mostrar mais nossa narina que nosso rosto.

Tela

O modelo que chegou aqui no Brasil possui tela com resolução Full HD mas existe uma versão 4K lá fora também. O painel de 13,9 polegadas utiliza tecnologia IPS – com isso, o nível de constraste e cores é bem bom, além claro dele ter um ótimo ângulo de visão.

É apenas no brilho que a tela fica um pouquinho atrás dos concorrentes, com um valor médio de 280 nits. O Macbook Air que eu uso diariamente tem uma média de 310, então eu sempre achava que tinha mais um nível de brilho para chegar no máximo.

De qualquer forma, usá-lo no modo tenda para assistir uns seriados durante a noite é muito bom, é uma das coisas que esses 2 em 1 facilitam. Vale lembrar que o painel é touchscreen e que funciona bem.

Configuração e desempenho

O modelo que temos em mãos conta com um Core i7 8550U e 8GB de RAM DDR5, além de um SSD de 256GB com velocidades bem boas de até 1,2 giga por segundo só em escrita. Isso faz com que o sistema rode de forma bastante fluida – até mesmo a pesquisa do windows que geralmente dá uma lagada vai bem aqui.

O chato desse notebook é que apesar de ter um processador bom e uma placa integrada UHD Graphics 620 ele acaba sendo meio fraco para jogos. LOL no médio alto não passa de 100 frames e eu tive de jogar as configurações para o baixo no Fortnite para jogar com qualidade. Bioshock Infinite, de 2013 até que roda bem no médio, enquanto Rise of the Tomb Raider, um jogo mais novo não tem chance alguma de rodar. Basicamente esse é um PC para trabalhar e rodar um joguinho aqui ou ali para desestressar, não é gamer não.

O modelo não esquenta muito e tem um botão para ligar e desligar as ventoinhas que sim, fazem um pouco de barulho. Quando desligadas ele entra em modo de economia e quando ligadas, de desempenho. Eu gosto de ter essa liberdade e sim, na hora de jogar, renderizar ou fazer algo mais pesado você sente a diferença.

O teclado é bastante confortável e cada tecla tem sua base arredondada como a maioria dos teclados da Lenovo. Eu fiquei surpreso dele não ser retroiluminado, o que me incomodou bastante. O trackpad segue as diretrizes novas da Microsoft e já possui todos os atalhos que facilitam bastante a vida. Ele também tem uma boa qualidade, tornando fácil a transição de um aparelho Apple para esse daqui.

Para quem quer usar o Yoga 920 com a caneta eu tenho notícias boas e ruins. A active pen 2 da Lenovo já vem na caixa e se você perder é fácil de comprar outra com a empresa, ela também já vem com um suporte de plástico que permite você encaixá-la no lado do notebook através de USB.

O chato é que com isso ela acaba tampando o botão de power do equipamento. Tem também o fato dela necessitar de uma pilha AAAA que não vem na caixa e que é meio chata de se achar por ai – eu mesmo tive de comprar pelo mercado livre.

Voltando para o lado bom, essa caneta tem mais de 4 mil níveis de pressão e depois que você vai até as configurações e seleciona para ela ignorar o toque na tela quando a caneta estiver funcionando, escrever vai bem que é uma beleza. Eu particularmente não gostei tanto da ergonomia da caneta e me vi apertando seus botões sem querer, coisa que não acontece no meu Tab A 585 que tem uma S Pen bem mais simples. Então ponto negativo nesse quesito.

Como noticia boa, eu devo comentar sobre a firmeza da tela enquanto você escreve e da opção de escrever no modo cabana que é bem útil e resistente. Para falar a verdade eu acabei me acostumando usar uma mescla de touch e caneta nos últimos dias, não é o tempo todo, mas já acabei tentando encostar na tela do meu notebook recentemente sem sucesso.

Agora vamos para a bateria. Esse equipamento conta com 70 watts hora de capacidade, um valor que fica acima de ultrabooks e modelos com processadores da linha U. Por isso mesmo, a empresa promete 15 horas de uso, mas sabemos que é difícil chegar nessa quantidade.

Segundo testes do pessoal do techradar, o aparelho aguentou 9 horas e 53 minutos rodando um filme em Full HD que estava no HD. Para o meu tipo de uso que é muito Chrome com um pouco de Photoshop, ele passou um pouquinho de 6 horas, uma marca não tão incrível assim, mas bem aceitável.

O lado bom é que com uma hora e meia de carregamento você já tem 92% da bateria de volta – e nem precisa levar mais o carregador do celular se ele também for USB-C.

Conclusão

As empresas precisam se proteger contra um aumento repentino do dólar, que não é nada difícil de ocorrer no momento atribulado do Brasil. Por isso mesmo o Yoga 920 sai por míseros 10 mil reais aqui no Brasil. Eu realmente acho um preço bem acima da média, difícil de recomendar.

Em dólar por outro lado, já faz mais sentido para aqueles que procuram uma qualidade acima da média, configurações e possibilidades de um 2 em 1.

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