MacBook Air 2018: antes tarde do que nunca

O MacBook Air foi por muito tempo a porta de entrada para os notebooks Appple. Se você não precisava de um desempenho muito pesado e queria bateria e portabilidade era fácil acabar optando por ele. Com a primeira atualização desde 2012, no entanto, tivemos algumas surpresas: as melhorias foram acompanhadas por um preço maior e muito mais perto do MacBook Pro. Nesse cenário, o MacBook Air continua valendo a pena?

Eu preciso começar esse review dizendo que o Macbook Air anterior está indo para o seu terceiro ano como meu notebook principal. Uso um Dell G7 para poder jogar e trabalhar em casa, mas geralmente no estúdio ou em qualquer lugar que eu precise levar um notebook quem está por lá é o Macbook Air.

Design e tela

Ele é sempre a opção pela portabilidade, e o novo modelo conseguiu incrementar ainda mais isso, reduzindo o peso em 100 gramas e suas medidas em 2 centímetros para um lado e um centímetro para o outro. Como sempre, o pequeno avanço ajuda e é puxado principalmente pela redução das bordas da tela, que eram enormes desde muito tempo.

2019 está sendo um ano de pequenas bordas até para modelos de entrada e não tinha como a Apple manter como estava. Acho que também que as bordas escuras trazem uma experiência muito melhor que o modelo anterior.

Mas claro, não é só isso! Saímos de um painel TN com resolução um pouco acima do HD para uma tela retina de resolução 2K. Lá fora eu encontro muito review metendo o pau nessa tela TN do anterior, mas o mercado brasileiro não colabora e por pior que seja é difícil achar uma tela melhor que a do MacBook anterior por 4 mil reais. Agora, a evolução é muito grande, tanto em resolução como em qualidade de cor, é uma experiência bem melhor.

O brilho da tela é parecido com a do MacBook Air anterior, mas fica pra trás do MacBook Pro, que tem uma tela basicamente igual em quesito resolução, cor, contraste e etc. No caso do MacBook Air, dentro de casa durante o dia eu tive de usá-la no máximo e talvez aumentaria um pouco mais se pudesse, então se você usa muito fora de casa pode valer fazer um upgrade.

Eu entendo que parte dessa redução de claridade da tela está associada não só ao fato de que você precisa ter algo pior para querer pagar mais, como para reduzir o gasto de energia, afinal, esse é um grande chamativo dessa linha.

Como a bateria pulou de 54 para 50,3 Watts hora, alguns “rebalanceamentos” tiveram de ser feitos. Primeiro, como eu falei a tela gasta mais por conta da resolução, mas tem um brilho limitado. O processador passou para uma versão de final Y, que gasta menos e tem um clock inicial mais baixo e que não precisa de um sistema de resfriamento – apesar de ter. A iluminação do teclado tem poucas opções e acrescenta pouco consumo. E claro, quase não temos portas.

Conectividade

Tal como nos outros modelos atualizados, nada de conexões excedentes. Duas entradas USB-C com thunderbolt, que servem tanto para carregar como para você acrescentar adaptadores – os conhecidos “dongles” – que são extremamente necessários.

Eu tenho uma relação de amor e ódio com essas conexões, afinal, ao sair do MacBook Air que tem tudo já embutido eu basicamente não conseguiria fazer nada nesse modelo aqui, mas está muito mais barato comprar um adaptador, e sinceramente, essas conexões não só aumentam as possibilidades como mantém esse notebook aqui atual.

É possível com o tal do thunderbolt 3 colocar dois monitores 4K em paralelo ou até mesmo usar um monitor 5K. É possível também, através dessa conexão que tem valores bem altos, utilizar uma placa de vídeo externa, função que estará cada vez mais presente nos notebooks.

Para fechar, a conexão mais perto da borda permite que você carregue seu computador com até 100 Watts de potência, podendo compartilhar o carregador com o celular ou simplesmente melhorar a sua própria velocidade de carga – que já falo mais pra frente.

Apesar de legal, no meu dia a dia eu preciso ligar meu mouse, acessar um cartão SD e salvar um arquivo no pendrive pra minha mãe – situações que mais incomodam do que abrem possibilidades. Vale lembrar que como as entradas são na esquerda, me atrapalham com o mouse já que sou canhoto.

Touchpad, teclado e som

Ainda na carcaça é onde percebemos a maior evolução – a começar pela maior parte – o trackpad maior. Ele cresceu cerca de 20%, e olha, não há nenhum aumento ou melhora de funções. Ele só é legal por ser maior mesmo e como sempre, está difícil algum concorrente fazer melhor.

Depois, temos a presença do TouchID, que só está presente aqui junto com o chip de segurança T2. Você não pode esquecer sua senha porque o primeiro login sempre pede para você digitar, mas depois que fez o primeiro login é só alegria, até para compras na Apple Store você pode usá-lo. Facilita a vida. E ficou de fora do MacBook Pro sem touchbar.

Depois, podemos passar para o teclado. Esse novo modelo de borboleta incomoda algumas pessoas, mas para mim define os computadores da Apple. Eu atualmente uso o Magic Keyboard e é uma transição engraçada, enquanto o MacBook anterior percorria um longo caminho, o Magic Keyboard fica no meio do caminho e esse teclado aqui é o mais raso de todos.

Vale a pena ficar de olho se mais pessoas estão tendo problemas com o teclado. Já vi alguns relatos nesse modelo e em gerações anteriores do mesmo sistema, e como é tudo grudado teria de trocar basicamente o notebook inteiro se der pau. Eu curto, vou colocar como ponto negativo.

E claro, vamos para o último ponto: o som. Ele não é tão alto assim, mas consegue produzir uma qualidade melhor do que a média e faz bem ao apontar os falantes para o usuário. Não sei porque tem empresa que jogam pra baixo. Não precisa pensar muito para saber que é melhor jogar o som no usuário. As caixinhas realmente não impressionam, mas dão prazer de serem ouvidas em um local mais quieto.

E claro, dá para fechar a construção com as cores: agora em prata, rosa e cinza espacial que se mesclam com linhas um pouco mais retas que o modelo anterior.

Desempenho

A gente passou bastante tempo pelo lado de fora, porque por dentro a verdade é que a evolução foi pequena. Até porque o design é basicamente de 2012, mas em 2017 foi o último upgrade interno. O Intel i5 8210Y por si só é mais capaz que o anterior, mas em testes de benchmark os valores são só ligeiramente maiores do que os modelos de quinta geração, nada de muito incrível, até porque ele precisa segurar uma resolução muito maior.

Por experiência própria com o anterior, isso é mais do que o suficiente para trabalhar sem problema algum nas mais variadas funções, só não vai dar para exigir muito de tarefas mais pesadas como jogos ou renderizar no Premiere Pro.

Um ponto interessante no uso desse processador é que ele não perde desempenho fora da tomada, justamente por ter uma amperagem baixa e conseguir se “auto resfriar”. Mesmo assim temos uma ventoinha que é ligada depois de uns 20 segundos que o computador está trabalhando em alto desempenho e que ajuda a não perder força. Mesmo assim, até jogos indies que começaram a aparecer mais no Steam para MAC podem sofrer pra rodar.

Vale comentar que a memória RAM, que se inicia em 8 GB e pode ir até 16 GB sem nenhum tipo de upgrade posterior se mantém como DDR3 e teve um incremento em sua velocidade, que passa a ser de 2133 MHz.

No caso do SSD também não tivemos melhorias em velocidade nem em quantidade mínima, mas o novo MacBook Air chega à até 1,5 terabytes de armazenamento se você estiver disposto a deixar um caminhão de dinheiro com a Apple.

Em questão de bateria o avanço foi pequeno e se aplica principalmente às tarefas mais simples. Com o processador de menor clock você consegue quase 1 hora a mais de uso leve, mas se precisar forçar um pouco mais vai sentir o notebook deixando a bateria ir embora rápido.

Como sempre, além da grande bateria, temos também um bom carregador. Em uma hora você consegue 43% de bateria, 90% em duas horas. É possível reduzir esse tempo com um carregador ainda mais potente de 65 Watts, que leva o aparelho de 0 a 100 em pouco menos de duas horas, e carrega 70% em apenas 1 hora, uma ótima marca.

Eu tentei também usar um carregador comum de celular, de apenas 18 Watts e basicamente o computador conseguiu ‘não descarregar’ durante esse uso. Então vale a pena pegar uma power bank com uma corrente um pouco maior.

Conclusão

O resumo da conversa é que o Macbook Air é um excelente computador e extremamente completo dentro de suas próprias limitações – que são desempenho e brilho de tela. Comparando ele com o MacBook anterior, fica claro que os 200 dólares a mais valem sim, mas a verdade é que tanto o modelo novo quanto o velho estão acima do que deveriam.

Esse “upgrade” fica confuso quando transformamos para valor Brasil onde a diferença pode chegar até 2000 reais. Nos dois casos o Macbook Pro encosta em preço com uma tela e processador melhor, justamente os dois pontos que ficaram de fora por aqui e começam a aparecer concorrentes de produtividade Windows como o LG Gram e o Style S50.

Basicamente é um prazer usar o MacBook Air 2018, mas poderia ser um pouco mais barato e fácil de fazer a transição.

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