Moto G8 Play: evolução e retrocesso por mais uma geração

O Moto G8 Play abre as portas para a mais nova linha de smartphone da Motorola. Com um design traseiro totalmente repaginado e apostando em um novo processador, será que esse aparelho consegue se manter barato ao mesmo tempo em que supera o bastante “esquecível” Moto G7 Play? É o que a gente vai descobrir no review de hoje.

Construção

Apesar do lançamento antecipado da linha G8 acontecer no mesmo ano que a anterior para, segundo a própria Motorola, trazer tendências atualizadas, nós não vemos uma evolução tão grande de uma geração para a outra.

Sim, eu sei que o layout traseiro foi basicamente alterado para algo mais perto dos modelos da linha Motorola One, mas o que mais estranhei é que todos os últimos três lançamentos tem basicamente a mesma cara, com uma mudança de cor ou adição de câmera aqui e acolá.

No caso do Moto G8 Play, a traseira é reflexiva, e tem um degradê bem leve que pode ir de preto para ônix e uma versão que vai de vermelho para magenta. Sinceramente, se eu não tivesse prestado atenção, nem teria percebido que o modelo escuro faz essa transição.

Ainda na parte de trás, podemos notar a ausência do “olho de minion”, mudando para as câmera em linha vertical, se transformando, basicamente, em um “i” gigante. Perdeu um pouco de originalidade, mas ganhou em um look mais moderno.

No centro temos o leitor de digitais, que é físico, e olha, pensando em intermediários e modelos de entrada, eu acho que essa é a melhor opção mesmo. Nenhum aparelho desse lançamento adotou o sensor por debaixo da tela que poderia ser lento e inconstante. A Motorola preferiu não arriscar.

O que o Play inovou na traseira, ele perde na frente, pois a armação borrachuda, e o entorno da tela com bordas bem largas, reduz a área útil frontal e deixa a aparência mais próxima de um celular de 2017 do que de um lançando no final de 2019.

Tela

Sinceramente, a tela parece um componente mais barato, que nem os Galaxy A10Galaxy M10 tem. A pegada, no entanto, ficou bem firme. Dificilmente ele escorrega da sua mão, mesmo sendo um aparelho bem grande. Ainda recomendaria deixá-lo na capinha, que o acompanha, mas dá para arriscar ficar sem se você não quiser deixar o G8 Play um pouco mais grosso.

Eu me incomodei também com o tamanho da sua tela. Aparelhos com mais de 6 polegadas não combinam com telas HD, na minha opinião. Porém, a tela melhorou quando comparada com a geração passada, que tinha um brilho bastante baixo e era bem inconsistente na iluminação, principalmente em volta das bordas.

Além das cores continuarem sendo meio lavadas, apesar de continuar HD, todos os outros pontos evoluíram por aqui. Não dá para dizer que é excelente, mas dificilmente você encontra uma resolução maior na faixa de preço em que o Moto G8 Play se encaixará logo depois desse período de lançamento.

Desempenho e bateria

Partindo para o hardware, a história também fica bem complicada. O MediaTek P70 tem pontuação de benchmark bem próxima do Snapdragon 665, que a gente encontra no Moto G8 Plus, o colocando a frente de toda a linha do começo do ano.

O problema é que ele tem apenas 32GB de armazenamento e 2GB de RAM. Qualquer esperança que o G8 tinha de oferecer uma baita performance por um preço mais em conta, parecido com o Redmi Note 7, acaba por aqui.

Estamos num ponto que os aplicativos estão cada vez mais pesados, dificultando cada vez mais se virar só com essa quantidade. Até mesmo se o seu uso está restrito a WhatsApp, YouTube e algo mais simples. Só de mexer na própria interface do celular, ele pode travar e os recarregamentos de apps serão constantes, já que a RAM não vai conseguir segurar quase nada.

Na jogatina, os resultados foram variados. No Asphalt 9 dá umas travadas de vez em quando, no PUBG também, mas o novo CoD foi bem, com uma resolução reduzida que o próprio aplicativo já propõe. Existe aquela questão antiga do aquecimento nos chips da MediaTek, só que aqui, como ele não é tão potente assim, a temperatura estabilizou num nível bem aceitável, o que mostra uma evolução da fabricante e que permitiu jogar algumas horas sem incômodo nas mãos.

O legal é que eu pude mesmo jogar por um tempo bom, afinal a ausência da versão Power, forçou o Play e toda a linha a subir a capacidade da bateria para 4.000mAh. Pensando que estamos falando de um intermediário, com tela HD, o consumo ficou dentro da média, mas já obtivemos resultados melhores em configurações similares com Snapdragon e modelos Exynos.

Na caixa temos um carregador de 10W que precisou de 2 horas e 5 minutos para uma carga completa. Bateria maior pode demorar mais na hora da recarga, mas também dura mais. No geral, esse não é um aparelho com uma baita durabilidade de bateria, mas também não vai te deixar na mão e aguenta o dia todo.

O que me incomodou um pouco foi que o G8 Play não resolveu os problemas de conectividade da linha passada, mantendo o Bluetooth na versão 4.2, e limitando o Wi-Fi apenas para redes de 2,4 Ghz, sem suporte para a banda de 5 Ghz. Esse tem sido o padrão para os aparelhos de entrada, e ainda é cedo para saber se no ano que vem, as empresas vão começar a dar mais atenção para essas duas características.

Fora isso, ele continua sendo o mesmo Motorola do começo do ano, com os Moto Gestos, que a gente tanto gosta. Não temos nenhuma função nova há muito tempo, mas pelo menos nada foi retirado.

Ele mantém o software de câmera, coisa que o E6 Play perdeu, e infelizmente a Motorola desistiu do Android One, trazendo apenas uma atualização confirmada para o Android 10 e 2 anos de suporte e atualizações de segurança. Coisa que o Moto G7 Play também ficou de fazer.

Câmera

Quando vamos para fotografia, esse aparelho tenta adicionar uma variedade maior, trazendo três câmeras na traseira, além da frontal, totalizando quatro sensores.

O conjunto triplo começa com a principal de 13MP, ultrawide de 8MP e sensor de profundidade para o efeito “bokeh”. Apesar de possuir muitos modos diferentes, a qualidade não passa do básico. A definição é baixa, o efeito HDR não consegue resolver os brancos estourados e falta um pós processamento melhor, para dar mais vida para as cores da cena.

A adição de uma ultrawide cria a possibilidade de fotos mais elaboradas, mas as limitações, conforme você mesmo pode conferir no exemplo, ainda são grandes.

Para as selfies, a história não muda. A câmera frontal possui 8MP com abertura f/2.2 e também não foge do básico. A câmera tem dificuldade em quase qualquer situação, e começa a apresentar chiados, até mesmo em média luz. O software até tenta dar um tapinha nas fotos lá na galeria, mas ainda é evidente a falta de definição e de contraste nas fotos.

Em gravações, apesar de gravar em Full HD, as dificuldades na captura de imagem continuam, e a estabilização eletrônica não consegue resolver muito toda a tremedeira.

O G8 Play traz muitas opções, mas o grande numero de lentes não muda o fato dele continuar sendo um aparelho de entrada bastante simples, sem destaque para fotografia.

Conclusão

O Moto G8 Play é claramente uma opção mais interessante do que o Moto G7 Play logo no seu lançamento. Processador com melhor desempenho, tela melhor e infelizmente as mesmas configurações de RAM e armazenamento, com um software que só vai chegar até o Android 10. As câmeras são bem abaixo do que eu esperava, deixando claro para qual segmento ele está direcionado.

No fim, achei o G8 play uma opção legal que tem de ficar abaixo dos R$700,00 para fazer sentido e que pode brigar bastante com o Moto G7 Power, que tem um design ultrapassado, mas tem mais bateria e RAM, deixando-o mais consistente pra quem quer abrir mais aplicativos.

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