Motorola One Action: diferencial que ninguém pediu

Buscando ser a mais diferente da festa, a Motorola trouxe mais uma versão para a família One para o Brasil, e dessa vez a atração do Motorola One Action não é nem pior nem melhor do que o anterior, só é diferente. Sai câmera noturna e entra uma “câmera de ação”. Será que ela faz diferença? É o que vai descobrir hoje em nosso review completo, que vai responder se vale a pena ou se é bom o suficiente para você investir seu dinheiro.

Construção e tela

O lema da Motorola para a linha One é ser diferente e trazer um pouco mais de tendência. Pensando nisso, o Motorola One Action até que cumpre esse papel. Começando pelo corpo, ele segue a mesma proporção 21:9, que vimos lá no Motorola One Vision e que quase nenhum outro aparelho tem. Essa é a chamada proporção cinematográfica, que deixa o aparelho com uma cara bem alongada e uma pegada bem diferente.

Ele é tão alto quanto os maiores celulares que temos aqui, só que a largura é bem menor por conta dessa proporção de tela. Surpreendentemente, eu até gostei da pegada e ela dá a firmeza necessária para filmar com a câmera action. Dá para envolver o celular inteiro com uma única mão e fazer suas gravações, só não dá na verdade pra chegar perto de água com ele.

A construção é praticamente a mesma do One Vision, só que todo de plástico, para dar aquela cortadinha de custo básica sem que a gente perceba muito, afinal, ainda temos uma pintura com tinta brilhante, refletiva e cores mais extravagantes. Azul Denim, Branco Polar e uma cor bastante extravagante o Aqua Marine, que é mais bonito na vida real que em fotos e vídeos.

Debaixo do celular você encontra a saída de som, que infelizmente é mono, algo que eu esperava não ver depois do Moto G7 Plus, que é estéreo e mais barato, mas cá estamos. Pelo menos ainda temos a entrada para fone de ouvido, que fica na parte de cima do aparelho.

Partindo para frente, a câmera de selfie fica localizada no canto esquerdo, em torno de um furo bem similar ao encontrado no Galaxy S10, só que com um contorno bem mais largo. Na verdade, todas as bordas são bem mais grossas que as encontradas nos celulares atualmente, que almejam a frente 100% tela.

Isso se deve provavelmente porque o painel é LCD, e a luz poderia vazar se fosse algo fino igual o aparelho da Samsung. Pequenos vazamentos ocorrem mesmo assim nas bordas e principalmente no buraquinho para a câmera de selfie, mas não é nada que incomode.

Mesmo exprimida, ela alcança 6,3 polegadas e é de resolução Full HD, ficou muito bonita e dá para aproveitar qualquer tipo de conteúdo, desde que você não se importe com a forma estranha, já que diferente do primeiro Motorola One temos uma taxa de brilho que faz sentido para intermediários e que torna possível usar esse aparelho na rua.

Desempenho e bateria

No hardware, as semelhanças com seu irmão One Vision são ainda maiores. Quem alimenta os dois é o Exynos 9609, com os mesmos 128GB de armazenamento e 4GB de RAM. Se você leu nosso review do Motorola One Vision, sabe bem o que esperar do Motorola One Action.

Esse é um chip produzido pela Samsung, que no papel, é um pouco mais fraco que o Exynos 9610 do Galaxy A50. Só que na prática, graças ao sistema bem leve da Motorola, com o android bem limpo que temos aqui, ele acaba sendo equivalente ao Galaxy.

De qualquer forma, o Action é até que poderoso para um intermediário, conseguindo prover uma boa experiência nos mais diversos jogos. A única questão aqui é mesmo a tela, que não se adapta tão bem a maioria dos títulos da Play Store, gerando uma faixa preta bem grande na região do furo.

Para dar alguns exemplos, o Asphalt 9 preencheu todo o espaço disponível, já o Free Fire ficou com as faixas que me incomodam e mesmo assim as bordas de baixo ainda esconderam parcialmente algumas opções do menu. Nada que impossibilite você de jogar, só que incomoda de vez em quando. Pode ser que no futuro os jogos ou até mesmo a Motorola realize alterações de software para melhorar a experiência, mas é chato ficar na espera.

A lista de semelhanças não para por aí, já que os dois que possuem os mesmo 3500mAh, que são consumidos praticamente na mesma taxa que no Vision. Para não falar que está tudo igual, o carregador da caixa é um pouco menor, 10W, e precisa de mais tempo na tomada para encher a carga de 0 até 100%.

Em software, mais uma vez a mesma coisa. A linha chama “One” justamente por utilizar o sistema Android One, uma versão enxuta e meio sem sal, mas bem próxima do Android stock, que é atualizada com maior velocidade e frequência.

Você só vê a mão da Motorola em alguns apps menores, como o Moto Gestos que eu gosto bastante, e no próprio aplicativo de câmera, que é bom, mas não trouxe o modo noturno para o Action.

Câmera frontal e traseira

Na frente, são 12 megapixels e abertura f/2.0. No geral ele vai bem, é uma das câmeras que menos me deixa branco, quase ganho um bronzeado com ela. As cores são bem realistas e o contraste das fotos fica ótimo, sem nenhum branco estourado durante dias mais claros. Você acaba sentindo um pouco a falta do HDR nas fotos em modo retrato, nada de céu azul e bonito nesse modo, mas o recorte até que fica bom.

Na traseira, a lente principal também tem 12 megapixels, mas faltou o Quad Pixel do Vision, que junto do software, ajuda nas benditas fotos noturnas que ninguém faz bem.

Essa primeira lente é auxiliada por um sensor de profundidade para fazer o modo retrato com melhor definição e para mexer naqueles recortes de cor que a Motorola adora colocar. Eu acho que no geral, esse sensor principal vai bem. As fotos com modo retrato ficam boas e assim que houver uma queda de preço, pode ser uma opção bem legal pra quem gosta de foto. Só ficou atrás pela resolução mais acanhada e pela falta de um modo noturno.

Para fechar as câmeras traseiras, temos a bendita “action cam”. Ela é uma câmera que basicamente só filma, não tira foto. Não é só isso. Ela grava na horizontal mesmo com o celular em pé. Pois é, bem fora do comum, mas existe um motivo para isso.

O foco do Action é, como o nome sugere, capturar momentos de “ação”, ou seja, em movimento. Para isso, você precisa estar com ele confortável na mão – e em pé é a melhor pedida. Apesar da imagem ficar bem menor para monitorarmos, fica maior que uma GoPro. Então, ter ele na mão assim ajuda na hora que estamos andando de bike, patinete e afins. O segundo quesito é estabilização. Essa câmera é uma das melhores de ângulo aberto pelo preço, e provavelmente a única que tem uma estabilização decente.

Quando falamos que a estabilização é decente, é porque se você andar até que fica estabilizado, mas se correr já muda tudo, e ela dá uns soquinhos que não ficam muito legais no filme final para tentar se manter estável. Tem de pegar o esquema para usar, muito mais do que em um S10 que vai trazer uma função de ultrawide estável muito mais completa. São as trocas que você faz ao pegar um intermediário.

Essa lente grava os videos em Full HD até 60 frames por segundo, necessários para cenas de ação mas que aumentam um pouco a trepidação, então fique atento. Sobre o lance de foto e resolução, não dá pra dizer que ela não tira foto de jeito nenhum, é só que você precisa gravar antes pra depois aparecer o botãozinho de câmera. Problema é que essas fotos saem com 4MP, já que estamos falando de um sensor Quad Pixel de 16MP. Elas ficam ruins. Não tire a foto assim.

Conclusão

O Motorola One Action é um aparelho diferente, e com ele, vemos que a Motorola está tentando achar um novo espaço para ela no mercado e se transformar na empresa dos aparelhos intermediários super especializados, em vez de só trazer mais do mesmo. O Vision é o aparelho para fotos noturnas e o Action é para filmar esportes, sem ignorar o restante do celular.

Com pequenas reduções em construção, velocidade de carregamento e câmeras, o One Action entrega quase o mesmo com um preço inicial R$200,00 menor. Em alguns meses, com redução, pode se tornar uma pedida ainda melhor que o Vision, que pra mim ainda é mais interessante, pelo simples fato de eu sair mais a noite do que pra fazer esportes. Se você fizer o contrário, talvez esse aparelho seja pra você, só lembrando da limitação que a falta de uma proteção contra água IP68 traz.

No fim, recomendo sim o Motorola One Action, assim que ele baixar de preço pós lançamento e sem considerar a Action Cam como uma Ultra Wide. O negócio é fingir que ele tem só a câmera principal mesmo. Se você me permite terminar com uma nota rápida, eu estou animado para ver a próxima “engenhoca” que a Motorola vai trazer.

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