Motorola One Macro: diferencial que não vale a pena

O Motorola One Macro é o mais recente membro dessa linha bem diferente da fabricante. Além de nomes criativos, cada um deles traz um detalhe especial, que os afasta daquela normalidade das outras marcas. Será que isso é bom ou ruim? Mantém a tradição da linha One ou será que a Motorola precisava por o pé no freio nos lançamentos? Vamos responder exatamente isso no review de hoje.

Construção e tela

O Motorola One Macro foi um baita de um lançamento estranho. Não porque ele é estranho, mas talvez ele não devesse ter esse nome. Deixa eu te explicar melhor: ele foi lançado junto da oitava geração de Motos G, e tem basicamente a mesma cara e especificações que os outros dois modelos. No fim, era pra ele ser o Moto G8 normal, mas eu acho que a Motorola quis fazer mais um teste para ver como as duas linhas conseguem andar juntas.

Para começar, o corpo é basicamente igual ao Moto G8 Plus, que é igual ao Moto G8 Play. Todos tem praticamente o mesmo tamanho nessa ultima série de lançamentos, o que deixa a pegada boa e não ficou escorregadio na mão, apesar de ser grande.

O acabamento degradê é bem legal, mas eu acho que a qualidade do material, tanto na traseira quanto nas bordas das tela, faz com que ele não pareça tão moderno assim.

Parece um aparelho lançado junto das primeiras gerações do entalhe no Android, sem melhorar em nada o que já vimos no Moto G7. Não é exatamente ruim, mas outras marcas já avançaram nesse quesito.

O entorno da tela e o queixo são bem maiores do que o necessário, e temos um pouco de vazamento nas bordas, o que não deixa a iluminação homogênea. Isso pode atrapalhar em alguns jogos e diminui a relação entre o corpo e a tela. Estou basicamente repetindo todas as críticas feitas nas análises dos dois modelos G8, não é nada específico.

O One Macro traz bandeja de chips híbrida, alto falante mono na parte debaixo do aparelho, e entrada p2 na parte de cima. Na caixa temos também um fone de ouvido intra auricular de qualidade regular. Fico feliz que a maioria das marcas andam fazendo um pequeno upgrade nesse quesito, ao invés de retirá-lo completamente, como é o caso das chinesas.

Um ponto que acho importante comentar é justamente a tela. Ela utiliza tecnologia LCD IPS, o padrão para essa linha que tem apenas o Motorola One Zoom com AMOLED. Ela também não traz nenhuma extravagância no quesito proporção, se mantendo no padrão de 19:9.

A mudança mais impactante no entanto, foi na resolução. A tela com resolução HD só havia sido vista anteriormente lá no primeiro Motorola One, que a gente criticou bastante pela falta de brilho. Se ter menos resolução não é tão legal, pelo menos conseguiram trazer melhorias em cores e justamente no brilho. Não dá para sair com ele no sol e esperar um resultado bom, mas não parece tão apagado como antes.

Como sempre, vale lembrar que se você assiste muito YouTube, Netflix e afins, vale investir um pouco mais no Moto G8 Plus para sempre ter também o conteúdo na melhor resolução possível. Agora se esse não é seu foco, ter uma tela HD também tem seus benefícios: menos resolução significa menos consumo de bateria, e jogos mais leves, algo que o One Macro com certeza agradece.

Desempenho e bateria

Isso porque o chipset que o alimenta é o Helio P70, da Mediatek. O mesmo processador que encontramos dentro do G8 Play. Ele foi feito para aparelhos de entrada, e se beneficia muito da resolução mais baixa.

Isso quer dizer que Asphalt 9 trava menos no Motorola One Macro do que no Moto G8 Plus, que no papel, tem processador mais potente. Outros jogos também seguem essa mesma linha, rodando até que tranquilo, se não forem muito pesados.

Porém, o foco por aqui não é passar muito tempo jogando, já que a bateria vai embora relativamente rápido. Call of Duty consumiu pouco mais de 20% por hora, o que não é o pior resultado que vimos recentemente num processador Helio, porém é um pouco alto.

É bom prestar atenção antes de iniciar uma jogatina, para ter certeza que você consegue chegar em casa no final do dia. O mesmo é valido em praticamente todas as atividades, ficando um pouco acima da média quando comparado com outros aparelhos de 4.000 mAh de bateria. Felizmente, a temperatura não subiu tanto durante o uso, estabilizando em 40º C nas regiões mais quentes.

O carregador é de apenas 10 W e precisou de 2 horas e 11 minutos para uma carga total. Tudo dentro do esperado para o tamanho da bateria dele.

No quesito configuração, o Motorola One Macro traz 64 GB de armazenamento e 4 GB de RAM, quantidade muito boa, e que é um bom motivo para optar por esse aparelho, em vez do Moto G8 Play. Honestamente, pareceu que reduziram a memória do G8 Play só para diminuir a competição entre esses dois aparelhos. Esses valores são ótimos para garantir bastante espaço para seus vídeos e fotos, e dificilmente o sistema do celular vai travar.

Software

Infelizmente, algumas decisões da Motorola, referente ao software desse aparelho, acabam expondo algumas fraquezas da marca. O problema não é que a interface é ruim ou lenta, mas sim o fato do One Macro ter abandonado o projeto One da Google, que era uma das melhores características da linha.

Agora não temos mais a garantia de duas atualizações de Android, e o que o substituiu não amplia a usabilidade do celular para além do Moto Gestos. O aplicativo de câmera do Macro também não é exatamente o mesmo dos outros modelos, e parece um pouco mais lento e menos trabalhado.

Sem contar algumas ausências estranhas: a bandeja de atalhos, por exemplo, não tem um botão para ligar ou desligar o brilho automático da tela. São coisas pequenas e pode até ser que você goste de uma interface mais limpa, só que outras marcas estão investindo em interfaces cada vez mais ricas em funcionalidade, e nem mesmo o Google Pixel utilizam algo tão vazio.

Com outras marcas emplacando interfaces cada vez mais completas e funcionais, acho que vale a Motorola se mexer um pouco nesse quesito, já que o último passo de trabalhar com o Android One foi totalmente abandonado.

No quesito conectividade, o Macro copia o G8 Play novamente, utilizando o bluetooth versão 4.2, e a limitação de conectividade apenas com redes Wi-Fi de 2,4 Ghz. Faltam alguns sensores também, sendo que o mais importante é a bússola, que ajuda bastante em navegação. Longe do ideal, mas também não é nada fora do comum para aparelhos de entrada.

Câmera

Como em toda a linha One, esse não é apenas o foco do aparelho como um fator determinante para sua nomenclatura. Na traseira você encontra um conjunto triplo. A lente principal possui resolução de 13 MP e é acompanhada de outra usada para definir profundidade no modo retrato, e claro, uma outra lente macro, que serve para fazer aquelas fotos bem de perto.

Apesar do nome sugerir que o aparelho traz um grande foco em câmeras, não dá para dizer que ele brilha muito nesse segmento. As fotos com a câmera principal são bastante vibrantes, mas não muito detalhadas. Como os outros dois sensores são de suporte, a sensação é de que você não tem tanta opção assim como em modelos com Zoom ou uma lente grande angular.

O lance de tirar fotos macro até que é legal, mas não traz resultados incríveis. Com uma lente apenas para isso, se esperava um resultado um pouco melhor, embora seja compreensível pela faixa de preço do celular.

Aliás, você pode usá-la para gravar vídeos também, o que é legal, talvez até mais interessante que a fotografia. No entanto, independente da lente que você escolher para filmar, a resolução fica em Full HD, com estabilização eletrônica.

Na frontal a simplicidade se mantém, com uma câmera que possui 8 MP e até que se sai bem em boa luz, mas qualquer redução já deixa a vida dela bem difícil. Os cabelos perdem bastante detalhe, o HDR também não vai tão bem, e o pós processamento até mexe bastante, mas não consegue recuperar a definição que falta nas fotos. Aqui a resolução da gravação também é Full HD, porém sem estabilização.

Conclusão

O Moto One Macro anda numa linha tênue, e depende de muitos fatores para ser bem sucedido. Ele se posiciona como o aparelho de entrada da linha Motorola One, porém o preço ainda não reflete essa realidade. Isso é normal, principalmente para a Motorola.

Em poucos meses, estando abaixo dos mil reais ele já fica bem mais competitivo, substituindo por completo o Moto G8 Play e, quem sabe, uma solução melhor que o Moto G7 Power, para quem prefere desempenho em vez de bateria e quer se manter na Motorola.

Até essa queda chegar, vale a pena olhar os outros modelos da linha, como o One Action e o One Vision trazem melhorias em todos os quesitos por um preço competitivo. Até mesmo o Galaxy A50 aparece como uma opção legal.

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