Redmi Note 7 vs Motorola One Vision: propostas semelhantes

A dúvida entre pegar um smartphone importado e um nacional não é algo novo, e sinceramente, as empresas nacionais evoluíram e trouxeram opções mais condizentes nos últimos tempos. Esse é o caso do comparativo de hoje. Será que vale a pena pegar o Redmi Note 7, o custo benefício importado a ser batido, ou o Motorola One Vision, o “diferentão” nacional?

Design

Antigamente, a gente falava bastante que os aparelhos chineses, inclusive os intermediários, ficavam para trás na construção. A ideia era economizar e implementar só o necessário. Outras empresas não demoraram para perceber os benefícios disto. A Motorola, por exemplo, topou fazer um “downgrade” de materiais, mas tentando manter a boniteza.

O Moto G6, por exemplo, era feito em metal com traseira de vidro, e o Motorola One Vision até mantém o vidro, só que a armação passa a ser de plástico, a mesma combinação do Redmi Note 7. A Samsung foi direto para um plástico com cara de vidro.

Essa mudança não é algo necessariamente ruim, apenas um reflexo da própria preferencia do público. Como a maioria das pessoas prefere deixar o celular seguro dentro de uma capinha, acaba tornando essa questão quase irrelevante. O importante é ter um conjunto consistente, e nesse ponto, não dá para reclamar de nenhum desses dois.

Na parte inferior você encontra um alto falante mono de qualidade parecida entre os dois, nada que impressione. O USB-C que já é norma, bandeja híbrida na lateral, e claro, uma entrada de fone de ouvido no topo, função que simplesmente só agrega.

Além disso, o Note 7 traz o emissor infravermelho. Essa é uma daquelas funções que você nunca achou que precisaria ter no celular, mas depois que se acostuma a usar, vira quase uma necessidade. Uma mão na roda para quem vive esquecendo onde colocou o controle da TV.

Tela

Quando olhamos para o tamanho, o assunto fica um pouco estranho, porque o Motorola é bem mais enxuto, vindo na proporção 21:9, contra o mais tradicional 19,5:9 do Redmi. Só escutando os números, pode parecer que a diferença não é tão grande, mas com o aparelho na mão, você nota quão excêntrico o Vision ficou.

O benefício dele é justamente com uma pegada menor te dar o mesmo tamanho de tela de 6,3 polegadas que o Redmi Note 7 traz, e até com isso trazer um multitarefa também melhor. É questão de gosto, tamanho de mão e utilidade.

Com relação à qualidade da tela eu não tenho muito o que falar, já que os dois basicamente entregam o mesmo. Tecnologia IPS LCD, resolução Full HD Plus, diferença de brilho máximo imperceptível e mais opções de configuração de cores para o Note 7, mas nada que você vá perceber muito se não colocar os dois lado a lado.

O que talvez te incomode ou faça escolher por algum deles é o entalhe, posicionado no centro no celular da Xiaomi ou na esquerda no caso da Motorola. Acho os dois bem discretos e já não ligo muito mais pra eles.

Desempenho e bateria

O Redmi Note 7 utiliza o Snapdragon 660, enquanto o One Vision traz a estranha combinação Motorola e Samsung, com o chip Exynos 9609. Os dois ficam realmente muito próximos quando falamos de benchmark, capazes de satisfazer todas as suas necessidades gamers ou de produtividade.

Só existe uma pequena diferença na GPU, onde o chip da Qualcomm tem uma leve vantagem. Nada que você vá notar durante uma partida. O que pode incomodar é o fato de alguns jogos ficarem com uma barra preta no lado esquerdo por conta da tela mais esticada.

No quesito armazenamento, o Note 7 oferece mais opções, o que pode ser bom para quem quer economizar, só que o Vision já vem direto com 128 GB, quantidade máxima que o Note 7 oferece.

Só que na bateria, não tem jeito, mesmo com o chip mais gastão, o Note 7 segura mais durante o dia, já que possui 4.000 mAh de carga total, contra 3.500 mAh no Vision. Até consegui um tempo próximo em algumas atividades específicas, mas no contexto geral, o Note 7 termina o dia com 5 a 10% a mais.

Outro ponto interessante é que mesmo com a bateria extra, o tempo na tomada é igual, em torno de 2 horas e meia para chegar em 100%. Não é algo sensacional em nenhum dos casos, mas é particularmente ruim para o Motorola, que tem menos carga e que geralmente trazia o carregamento rápido para os seus equipamentos.

Software

Um ponto de escolha no entanto pode ser o sistema operacional. O Android One é até que uma boa alternativa para a Motorola, que não costumava mexer tanto assim na sua interface, e ainda conseguiu trazer as duas coisas que eu mais gosto para o Vision, o app de câmera bem completo e os Moto Gestos.

A versão 10 da MIUI, por outro lado, conseguiu resolver vários dos problemas antigos da Xiaomi, melhorando bastante a otimização do sistema, removendo bloatware, e mesmo que não atualize tão rápido, ela costuma trazer vários recursos do último Android na própria interface, o que pode ser uma vantagem daqui para o futuro.

Nesse ponto, eu acredito que sua escolha irá depender bastante do que já usou previamente. O Motorola irá atualizar mais rápido através do programa Android One, mas a MIUI tem uma longevidade boa. Além disso, eu não consigo mais ficar sem as funcionalidades que esses sistemas mais customizados e completos me proporcionam.

Câmera

Quando falamos de sensores traseiros, os dois são equipamentos extremamente parecidos, já que utilizam o mesmo sensor de 48 MP com um sensor adicional de profundidade de 5 MP. O pós processamento e a abertura um pouco maior do One Vision é que vão trazer um pouco de diferença para ele.

Nas fotos noturnas temos um pouquinho mais de luz principalmente nos cantos. Achei o resultado até ligeiramente melhor, mas sendo bem sincero, nenhum dos dois realmente vai super bem nesse quesito.

Em ambientes iluminados, o Vision entregou uma imagem um pouco mais quente e que eu também gostei, mas tem de tomar cuidado porque ele exagera em alguns momentos. No modo retrato ele pode deixar a pele laranja em alguns momentos e o fundo estoura um pouco mais por conta do abertura também um pouco maior. Mesmo assim, devo dizer que eu iria de Vision, principalmente porque esse modo sai um pouco mais definido nele.

No caso da câmera frontal minha opinião se repete, mas o Note 7 fica mais para trás, já que conta com um sensor de 13 MP um pouco mais antigo que o sensor de 25 MP do Vision. Novamente, o Vision tem cores mais saturadas, tanto porque ele exagera, como por conta do Note 7 ter uma câmera onde se percebe a ausência de cor.

Vale comentar também que a Motorola trouxe uma função de HDR para vídeo que te dá uma opção a mais para iluminar ou não seu rosto dependendo do que precisar.

Conclusão

Claramente, importar o Redmi Note 7 sem ser taxado vai valer mais a pena, mas sabemos que comprar no marketplace brasileiro anda sendo uma opção para muita gente, até porque a chance de ser tributado é sempre maior. Comprando por aqui se paga um pouco mais, mas por outro lado o produto chega muito mais rápido.

Ao pagar um pouco mais caro por um Motorola One Vision, você terá uma tela bem diferente, um corpo mais ergonômico para mãos pequenas, e basicamente uma câmera frontal melhor, além de claro, uma traseira um pouco mais “quente”. De resto eles ficam bem parelhos, com o Vision saindo atrás em bateria, desempenho e do meu ponto de vista, sistema operacional.

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