A S90F é a TV OLED intermediária da Samsung. Na prática, toda OLED é considerada topo de linha, mas este é o modelo que não apresenta cortes relevantes e também não custa um valor excessivamente alto. Ela fica no meio da tabela, indicada para quem quer o melhor tipo de painel disponível atualmente em TVs.
Design e conectividade
Ela é bastante parecida com o modelo do ano anterior, a S90D, e isso se reflete no preço, com uma diferença que pode ficar abaixo de 300 reais, mesmo trazendo um painel melhor, principalmente na questão do brilho.
Dentro do portfólio atual, a Samsung lançou três TVs OLED nesta geração, o que é uma novidade. Até a geração anterior eram apenas duas, e a S90 era a mais barata. Agora existe a S85F, que se posiciona como a OLED de melhor custo-benefício.

A principal questão, portanto, é entender em que situações a S90F faz mais sentido do que a S85F.
Na parte de construção, a Samsung seguiu a filosofia de não alterar o que já funciona. A S90F é praticamente idêntica à S90D: mesmas dimensões, mesmo peso e mesmo design.
Ela utiliza dois pés separados, unidos por uma placa metálica encaixada por cima, criando a aparência de uma base central. Os encaixes dispensam ferramentas e ficam relativamente firmes. Os pés se fixam bem à tela, embora a placa metálica possa se soltar em alguns casos, o que poderia ser melhor resolvido com outro tipo de encaixe ou um pé sólido.
As conexões ficam concentradas em um recorte na traseira, com portas voltadas para baixo e para a lateral. São quatro entradas HDMI 2.1, com suporte à taxa de atualização máxima da TV, de até 144 Hz. Além disso, há duas portas USB, saída de áudio óptica, entrada de antena e porta para cabo de rede.

Nas conexões sem fio, a TV conta com Wi-Fi 5 e Bluetooth 5.3. É um conjunto padrão, sem mudanças relevantes entre tamanhos ou em relação ao ano anterior.
Em termos de tamanhos, a S90F é vendida apenas nas versões de 55, 65 e 77 polegadas. Não há versão de 48 polegadas, nem uma opção maior de 83 polegadas. A Samsung concentrou a linha nos tamanhos mais vendidos, o que faz sentido considerando o alto custo de produção de painéis OLED muito grandes.
Em relação ao design, há uma diferença perceptível entre as linhas S85 e S90. A S90F tem um visual um pouco mais elaborado, embora não tão refinado quanto o visto em algumas Neo QLEDs de gerações anteriores.
Áudio e recursos sonoros
A qualidade de áudio segue um padrão que vem sendo observado há algum tempo nas TVs da marca. A S90F possui um sistema de 2.2 canais, com potência total de 40 watts. Não é um som ruim, mas está longe de ser completo.
A Samsung tenta compensar essa limitação com recursos de software, especialmente o Q-Symphony, que permite sincronizar os alto-falantes da TV com soundbars e até caixas de som compatíveis. O recurso funciona bem, inclusive com modelos intermediários, mas exige a compra de um equipamento adicional.
Nesse aspecto, concorrentes como TCL e LG acabam se destacando, já que suas TVs mais caras oferecem sistemas de som mais potentes, reduzindo a necessidade imediata de uma soundbar.
Qualidade de imagem
É na imagem que a S90F apresenta as principais evoluções em relação ao modelo anterior e vantagens sobre a S85F e TVs WOLED da LG.
O painel utilizado é do tipo QD-OLED, que entrega cores mais intensas. O processamento da TV potencializa esse efeito, deixando até conteúdos mais antigos com tons mais vivos.
Em medições, a tela alcança cerca de 99% de cobertura da gama de cores DCI-P3, padrão utilizado em filmes e séries atuais. O contraste é infinito, característica inerente às telas OLED, e o brilho apresentou um avanço significativo.
O brilho máximo passou de aproximadamente 300 nits na geração anterior para cerca de 400 nits com a opção de pico de brilho ativada. A tela também conta com uma superfície antirreflexo leve, que melhora a visualização em ambientes mais iluminados.

O brilho costuma ser um ponto fraco das OLEDs. Como referência, cerca de 500 nits é o ideal para uma sala iluminada comum. A S90F se aproxima bastante desse valor, reduzindo uma das principais desvantagens da tecnologia, especialmente quando comparada à S85F e a gerações anteriores, que ficam na faixa dos 300 nits.
É importante destacar que, para atingir esse brilho mais alto, é necessário ativar a função de pico de brilho. Com ela ligada, a tela aquece mais, e não é recomendável manter essa opção ativada o tempo todo, já que níveis elevados de brilho reduzem a vida útil do painel.
Com essa função desligada, ainda há vantagem em relação aos outros modelos: cerca de 249 nits na S90F, contra aproximadamente 210 nits na S90D e 190 nits na S85F.
Apesar de números maiores aparecerem em materiais promocionais, eles consideram cenários pouco realistas, com brilho máximo aplicado apenas a pequenas áreas da tela.

Mesmo assim, a S90F entrega sua melhor experiência em ambientes mais escuros, tanto em SDR quanto em HDR.
Outros aspectos da imagem são muito positivos. As OLEDs não sofrem com vazamento de luz ou artefatos visuais, e o upscaling de conteúdos de menor resolução funciona muito bem. A TV também é compatível com HDR10+, formato concorrente do Dolby Vision, oferecendo bom aproveitamento de contraste e cores.
Um ponto menos positivo é a calibração de imagem de fábrica, que tende a ser exagerada, com saturação excessiva. O uso do modo Filmmaker ou das ferramentas de calibração via aplicativo SmartThings resulta em uma imagem mais equilibrada e fiel.
Sistema e software
A S90F vem equipada com o Tizen 2025. Graças a um processador mais potente que a média, a fluidez do sistema é muito boa. O foco em ecossistema é evidente, com diversas integrações entre TV, celular, notebook e tablet.

A interface foi simplificada, tornando a navegação mais intuitiva, especialmente para usuários menos familiarizados com tecnologia. A TV conta ainda com recursos como Gaming Hub, Samsung TV Plus e opções de espelhamento e sincronização de tela.
Há também o Vision AI Companion, que apresenta possibilidades de uso da TV, embora ainda com funções limitadas. A S90F tem previsão de receber até sete anos de atualizações, incluindo versões futuras do Tizen.
Conclusão
Em termos de posicionamento, a S90F atua como o principal modelo OLED da Samsung, enquanto a S85F é a porta de entrada para essa tecnologia. A diferença entre as duas é relativamente pequena. A S90F oferece imagem superior e som um pouco mais encorpado, mas a S85F já entrega ótima qualidade, com a principal limitação sendo o brilho.
O principal motivo para optar pela S90F é justamente esse brilho extra, que faz diferença em salas mais iluminadas ou para quem busca o melhor desempenho possível em HDR. Para muitos usuários, essa vantagem pode não justificar a diferença de preço, mas para quem prioriza imagem acima de tudo, a S90F cumpre bem esse papel.


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