Essa é a Q7F, a TV que abre a nova linha QLED da Samsung. Ela quer trazer equilíbrio entre custo e conectividade – principalmente para quem tem mais produtos da Samsung em casa – criando um novo segmento dentro da família de TVs da marca. Ela não é a atualização direta de nenhuma tela do ano passado, mas o direcionamento é o mesmo da Q60D: um produto de boa qualidade de imagem, que serve como ponte entre telas LCD mais simples e mais avançadas.
Construção e conectividade
A linha QLED passou por uma certa transformação nas últimas gerações. A combinação de novas tecnologias com alguns cortes de especificação tornou esse tipo de painel muito mais acessível. A Q7F é o primeiro passo, puxando para o lado mais econômico da categoria – por isso a comparação com a Q60D.
E podemos perceber esse direcionamento logo na construção. A Q7F é mais parecida com os modelos da linha Crystal, que são as LCDs mais baratas, do que modelos topo de linha ou intermediários. Ela tem os pés de plástico, separados – comuns em modelos mais básicos, e bem diferente da base de metal que você encontra subindo de preço.

O que pode ser um diferencial do design da Samsung em relação outras marcas é a montagem. Os pés são encaixados apenas. Você não precisa de ferramenta, eles são apenas encaixados e fixados apenas com o próprio peso da TV.
Aqui na traseira você encontra ainda dois pares de espaços, para escolher como você quer deixar a base montada. Se você quer o look considerado mais refinado, o centralizado, é só encaixar o pé mais ao meio. E para a aparência tradicional, você encaixa os pés nos espaços mais próximos das pontas.
Também existe a escolha de altura. Mais alto, que ajuda na hora de colocar uma soundbar embaixo. Ou então, mais baixo para esconder melhor os cabos.
Deixar nos cantos e mais baixo ajuda um pouco na estabilidade também – achei que a tela realmente fica bem alta na altura máxima – porém isso só seria problema se você tivesse pets ou crianças em casa.
Além disso, a Q7F pode ser encontrada nos tamanhos 50, 55, 65, 75 e 85 polegadas. Todas com o design slim, bem fino para uma tela LCD. Eu sempre comento que menor que isso, acho exagerado, até por problemas de aquecimento das peças internas. E parece que alguém dentro da Samsung concorda, pois na comparação com a Q60D, ela está mais grossa.

Voltando para a traseira, as conexões ficam todas do lado direito da tela, apenas com uma USB e 3 portas HDMI 2.0. Todas suportam resolução 4K a 60 quadros por segundo, e a porta número 3 é HDMI ARC, para passagem de som. Tudo isso em cima de uma RJ45, para conexão cabeada com a internet, e antena.
Falando em som, os alto-falantes são voltados para baixo, e com a qualidade de sempre. 2 canais de 20 W com boa definição e sem tanta presença de graves. As TVs Samsung costumam depender mais de software do que de hardware, e eles estão presentes aqui. Tem “som adaptativo”, “sincronia sonora” e também o “som em movimento” – uma função que tenta ampliar a sensação de movimento dos objetos na tela.
Tudo funciona legal, mas sabemos que o desejo da Samsung é que você combine a tela com uma soundbar.
Qualidade de imagem
A Q7F possui painel de tecnologia Quantum DOT, ou QLED. Isso significa que, comparada com uma LCD mais simples, mais em conta, ela tem cores mais puras. É fácil perceber essa diferença, sem nem precisar colocar ela lado a lado com outra LCD.
A função do QLED, para ser mais específico, é limpar a cor. Ele vai reduzir a interferência de outros tons, para aquele LED chegar, por exemplo, no vermelho certo. Isso melhora os detalhes da cena e torna a imagem mais agradável. Parece até que ela está numa resolução maior em alguns casos.

Por isso, automaticamente, a Q7F vai ser superior a qualquer TV LCD sem QLED. Pensando em cores, que é a grande vantagem do QLED, a Q7F preenche 85% do espectro DCI-P3. Valor praticamente empatado com a Q60D, mas ainda longe da Q70D. Por isso, eu comparo a Q7F mais com a Q60D. De qualquer forma, é uma boa profundidade de cores, capaz de mostrar um vermelho bem vivo.
O contraste e o brilho são afetados pelo acabamento antirreflexo, e os valores caem para 1.900:1 e 289 nits. Na Q60D, eu medi 2.740:1 e 329 nits.
Só que esses são os números sem os recursos inteligentes da tela, que ajustam alguns parâmetros de acordo com o conteúdo da cena. Os dois principais recursos são o micro dimming e o Color Pro Boost.
O primeiro deixa a luz mais escura ou mais clara, dependendo da imagem, o que causa a sensação de contraste ser maior do que o medido. Enquanto o segundo, Color Pro Boost, faz o que o nome sugere, deixa a saturação maior, para a cor parecer mais viva.
Além disso, uma novidade é o tratamento antirreflexo da tela – o comum é o acabamento espelhado, que era o caso da Q60D e Q65D da geração passada. A Q7F não, ela tem esse tratamento que elimina bastante o reflexo.

A principal vantagem é que luzes fortes no ambiente não prejudicam a imagem, mesmo se o brilho não estiver no máximo.
Nós testamos com luzes e janela, e o resultado foi bom. Então, apesar do brilho medido ser menor que 300 nits, a performance real é melhor.
Outro recurso que trabalha por trás das cortinas é o upscaling – o aumento de definição de conteúdos que não estão em 4K. A Samsung já domina essa técnica há bastante tempo, e agora que as TVs estão cheias de recursos – e capacidades IA – eu esperava um pouco mais, mas não dá para dizer que o upscaling é ruim.
Ainda dá para perceber quando o conteúdo tem definição muito baixa, porém, para o dia a dia, é uma melhora boa. Só não está tão diferente da geração passada.

O que é novo, é que a Samsung expande também o número de televisores que vem com um calibrador embutido. Existem duas versões, uma mais avançada, encontrada nas TVs mais caras, e essa daqui que é uma calibração simples. Você roda ela com o auxílio da câmera de um smartphone, e a TV vai mudar o modo de imagem “cinema”.
Ele passa a se chamar “cinema (calibrado)”, e costuma ser tão bom quanto o Filmmaker. Depois você pode alterar algo específico que não gostou da calibração, como a temperatura da cor – se você achar que ficou muito quente. Mas a ideia é que esse seja o modo mais próximo do ideal.
E, claro, a TV tem HDR10 e HDR10+. Em filmes e séries mais novas, por exemplo, os streamings oferecem o conteúdo em algum desses formatos HDR. Eles transmitem mais informações para ela, e aí a TV consegue controlar melhor o que aparece em cada LED, principalmente em questão de brilho e contraste.
Não são muitos programas que estão disponíveis em HDR10+, mas o HDR10 é relativamente comum. Assistir a esses conteúdos aqui na Q7F destaca ainda mais a força do Quantum DOT – mesmo comparado com TVs LCD que também possuem HDR10.

A Samsung deu uma boa reformulada no sistema da TV. Desde o processo inicial de configuração, ele está novo, bem mais integrado com o Smart Things. A configuração sem o celular é até um pouco escondida. Você tem que sincronizar o controle, para só depois ele liberar a opção.
Isso está ligado a um outro objetivo da Samsung, que é estimular o uso do ecossistema. Por um lado, se você tem um celular na mão, com a conta Samsung, ele fica mais simples.
Sistema Smart TV
Depois de passar por essas etapas, chegamos à maior mudança. O menu de configurações. Essa foi uma parte que eu sempre achei burocrática demais no Tizen de gerações passadas, e agora está resolvida.
Primeiro que quando você aperta o botão de engrenagem, ele abre as configurações nesse modo janela, não um banner embaixo como antigamente.
Essa é uma forma mais rápida de navegar também, bem parecida com o que a LG fez ano passado, porque você pode mexer a seta para todos os lados, não só esquerda e direita. E a opção “Todas as configurações” é a primeira, não a última.

Mas a surpresa é quando você entra nesse menu aí. A minha expectativa era que a tela ficasse grandona, mas não. Continua tudo num quadrado pequeno também. Um pouco maior que o anterior, mas sem afetar o conteúdo na tela.
Só para explicar melhor, quando você quiser ajustar a tonalidade de cor ou a nitidez, a imagem está lá como referência. E também deixa o sistema menos travado. Ainda percebi uns engasgos, reflexo da Samsung encher o sistema de recursos e deixar um pouco pesado, porém não chega a impossibilitar o uso da TV.
De uma forma geral, gostei das mudanças. Achei que foram positivas, aprimorando um dos sistemas que eu já achava um dos melhores.
Já a parte da tela inicial, essa mudou pouco. Passando rapidinho por ela, para quem não conhece. Ela é separada em 4 abas. De baixo para cima, a principal é a “Início”, onde estão os aplicativos de streaming instalados. É onde você deve passar mais tempo.

Depois a aba “Jogos” que é o Gaming Hub da Samsung. Ela reúne os aplicativos de jogos em nuvem e alguns atalhos para as opções mais pertinentes para esse uso, como a sincronização de controle. São cinco serviços aqui agora, o principal sendo o Xbox Gamepass.
O Daily+ foi uma novidade da geração passada, que é uma tela direcionada para conectividade.
A Samsung vai bater bastante na tecla do app que transforma sua TV num karaokê de verdade. O Smartphone Galaxy se transforma no microfone e você pode cantar à vontade. É bem legal para quem gosta, e uma forma prática de mostrar a integração entre TV e celular. É um dos recursos possíveis graças a evolução do Smart Things.
É por ele também que você tem uma visão da sua casa, com um mapa 3D. Dentro dele, dá para colocar os seus outros dispositivos, como linha branca e luz inteligente. Tudo com boa integração, principalmente com outros produtos da Samsung.

Falando nisso, se você tiver usando um Galaxy Watch, é possível controlar a TV por gestos, No relógio, você acerta a sensibilidade do movimento e e velocidade do ponteiro. E depois que pega o jeito, pode ser uma forma bem prática de usar sua TV. É um recurso que faz parte da ideia da Samsung, de materializar os recursos inteligentes das TVs, que eu achei muito boa.
E a última é a Arte, a aba que mais mudou este ano. O design está diferente, a forma que os temas foram separados também. O que é novidade esse é o papel de parede generativo, onde você cria uma imagem a partir de frases que o sistema te mostra, para ambientar melhor sua TV.
Conclusão
Todas essas abas não aumentam a capacidade da TV, é uma forma de organizar melhor a interface, que é bem-vinda. É diferente, por exemplo, do Google TV, que é muito focado em conteúdo, mas quando você tenta explorar as capacidades daquela TV, aí fica confuso, com recursos escondidos. Na Q7F você não tem esse problema.
O que eu espero que melhore é o peso, porque assim como os menus que eu comentei, a tela inicial também é engasgada. Pode ser que isso melhore com o tempo, afinal a Samsung promete 7 anos de atualizações de sistema para suas TVs, igual faz com celulares.
Por hora é difícil saber qual é o caminho, mas eu fico na torcida de ser o primeiro – afinal, dizer que a TV será atualizada por tanto tempo, significa firmar o compromisso de que ela vai funcionar por 7 anos.
A Q7F chega no Brasil junto de dois outros modelos, a QEF1 e a Q8F, a primeira com mudanças pontuais de construção e a segunda um pouco mais avançada.
No lançamento ela se encontra ainda acima da faixa dos 3 mil reais, mas sabemos que é questão de tempo até reduzirem um pouco esse valor para algo mais condizente. Por isso, considere a comparação com a Q60D, uma TV QLED mais de entrada.


Qual melhor opção para comprar a Q7F ou Q70D??
As Duas no tamanho 75 polegadas
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