Xiaomi Mi A3: esse celular precisava existir?

O título desse review está um pouco exagerado, eu sei, mas é por uma boa causa, já que o Xiaomi Mi A3 não precisava existir e você nem deve comprá-lo pelo preço que está. Para explicar o motivo dessa contra indicação rápida, vou te falar quando ele vale a pena e mostrar o que faz dele um celular difícil de recomendar no lançamento.

Construção e conectividade

A Xiaomi fez questão de lançar mais de 15 aparelhos desde o começo do ano. A própria carcaça do Mi A3 já serviu como base para o CC9, ou vice e versa. O louco para mim é que o Mi A3 até que causou uma boa primeira impressão.

Sua traseira é feita em vidro, e a armação é de metal, materiais pouco usados para os intermediários desse ano. Pelo resto do corpo você ainda encontra tudo que espera, com o USB Tipo C junto do alto falante mono na parte de baixo, entrada P2 na parte de cima e bandeja híbrida, com espaço para um segundo chip de operadora ou expansão de memória.

Ele traz também todas as bandas de rede que precisamos aqui no Brasil em sua versão internacional, e tem todos os sensores de navegação, inclusive o infravermelho. Ou seja, a construção é toda redondinha. Ele é bonito e mais compacto do que o normal.

Tela e software

Mas é só ligar o celular que os assuntos polêmicos começam. Tudo porque a tela tem resolução HD. A verdade é que usar um celular com tais características não é um fim do mundo para ninguém – eu mesmo uso o iPhone XR e realmente não tenho me importado -, já que para um display ser bom ou ruim você tem de considerar várias outras características. Melhor um HD com bom brilho e cores que nem o A3 do que um Full HD com baixo brilho, que você não enxerga em lugar nenhum.

No entanto, tem coisas que realmente não ficam legais em HD. Até mesmo assistindo uma série você nota que as cenas escuras ficam com um gradiente ruim, mesmo tendo o contraste, em teoria, melhor do OLED.

Durante uma jogatina de Free Fire, temos outro exemplo de algo impactado pela resolução menor, pois qualquer coisa mais distante fica serrilhada, dificultando a brincadeira de sniper. Para resumir, nada disso acontece com a mesma intensidade no Redmi Note 7 – que tem um LCD Full HD. E que eu não deveria contar, mas está mais barato.

É bom lembrar também que nem toda tela AMOLED nasce igual, e parece que o Mi A3 utiliza uma matriz de pixels PenTile, usada pela Samsung por muito tempo e que ao intercalar pixels azul e vermelho, pode trazer um resultado um pouco pior em letras e detalhes para painéis com a densidade de pixel por polegada que o Mi A3 entrega. O resultado é que textos são mais difíceis para ler com a mesma clareza.

Só que é claro que a Xiaomi não iria se enfiar nessa polêmica por nada. O motivo dessa escolha foi o leitor de digitais por baixo da tela, que só funciona nesse tipo de painel. Ela queria de qualquer jeito atualizar a tecnologia e manter o celular no orçamento.

Se a novidade valeu a pena, fica ao seu critério, porque o sensor erra de vez em quando e não é tão preciso quanto os aparelhos mais caros, só que dentro dos “intermediários de entrada”, ele até que se compara bem. Ainda prefiro a velocidade de leitura que um Note 7 oferece, mesmo que ele ainda pareça um pouco com os aparelhos do ano passado. Consistência vale a pena.

Outra questão em torno do AMOLED é a intensidade das cores, que por padrão são bem mais vivas que no LCD. Se você não gosta de tanta informação, de uma saturação maior, geralmente é possível realizar alterações. Na própria MIUI da Xiaomi temos uma ótima ferramenta para isso, que fica totalmente de fora do Android One, sistema utilizado nessa linha. Se não gostou da configuração de fábrica, fica sem ter o que fazer.

Quem gosta de instalar launchers diferentes, ou só prefere o Android padrão, pode até ver o uso do Android One como uma vantagem. Ter uma experiência padrão Android com hardware da empresa chinesa. Mas sinceramente, a MIUI já está tão bem otimizada e com funções que me agradam, que o Note 7 também vai melhor nesse quesito.

Desempenho e bateria

O Mi A3 basicamente empata com o modelo da Redmi no hardware, perdendo nos detalhes. O armazenamento é de 64GB com 4GB de memória RAM, e tudo isso alimenta o chipset Snapdragon 665, que parece mais potente, mas não apresenta resultados melhores que o 660 do Note 7. A sua Adreno 610 até soa melhor que a 512, só que nos testes de placa de vídeo o resultado ficou muito próximo, ficando até atrás de acordo com o 3DMark.

O que aconteceu foi uma mudança no foco do chip, melhorando algumas questões de inteligência artificial, que afetam as câmeras e aumenta a segurança, como no desbloqueio facial, que não funciona se você tiver com os olhos fechados. Pessoalmente, nada que justifique o preço mais elevado quando comparado com o Redmi, que traz mais opções de acréscimo de RAM ou armazenamento interno.

O Mi A3 tenta melhorar a bateria quando comparado com seu irmão de família diferente, não colocando bateria a mais, já que temos apenas 30mAh adicionais. Com um processador mais focado em economia, a tela resolução mais baixa e um carregador rápido de 18W, ele aguenta um pouco mais em todas as situações e tem um bom tempo de carga. É um aparelho para sobrar bem no final do dia.

Câmera

Ser extremamente parecido com um aparelho mais barato não quer dizer que não existe motivo para comprar o Mi A3. Se você é completamente doido por selfies e quer a melhor câmera frontal possível abaixo de 1300 reais, aí faz sentido você pensar no Mi A3.

Ela tem 32MP de resolução nessa lente frontal com abertura f/2.0, me lembrando bastante a qualidade do Galaxy A50, só que apresenta mais detalhes, por conta da alta resolução. Ela também te deixa com o rosto bem mais corado que o A50, as custas de um efeito HDR um pouco pior.

O modo noturno infelizmente não funciona com essa câmera, mas você até consegue usar a câmera normal em ambientes mais escuros. O modo retrato vai bem, se firmando com uma boa opção para selfies.

Só que quando vamos para a traseira, ele fica mais a par com seus concorrentes. São 3 lentes, onde a principal possui resolução de 48MP, a segunda é ultrawide com 8MP, e a última é para realizar o desfoque. As fotos na resolução máxima perdem os efeitos inteligentes, e no geral não oferecem muita vantagem frente ao modo Quadpixel, que tira fotos em 12MP, unindo 4 pixels em 1.

Com o HDR habilitado, o Mi A3 tem performance similar ao Note 7, pois temos basicamente o mesmo sensor com um processador quase igual. O que pode variar um pouco é o software. Inclusive ele filma em 4K ou em 1080P a 60 frames, mas não espere muito da estabilização.

Conclusão

O que eu tentei explicar nesse review é que só com um upgrade de câmera frontal com tela ruim e preço mais caro, o Mi A3 não faz sentido, principalmente enquanto o Mi A2 com seu processador igual e tela melhor estiver perto dos 350 reais mais baratos aqui no Brasil via importação ou enquanto o Redmi Note 7 também estiver competitivo.

Ele é um aparelhinho legal que só traz mais do mesmo, em um preço que deveria ser menor e espero que se torne logo.

Aliás, só lançar aparelhos que concorrem com outros da própria empresa, sem trazer nada de novo para a mesa, não é um problema exclusivo da Xiaomi. Na verdade a Samsung também sempre amou fazer isso, é só olhar para o Galaxy A30 e para o Galaxy M30. Acredito que está na hora das duas repensarem essa estratégia.

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