Xiaomi Mi Mix 3: design como prioridade

Depois de um ano inteiro lançando um monte de aparelho igual, a Xiaomi deixou o notch para lá e chegou o mais perto possível de uma verdadeira tela sem bordas em um smartphone. Bonito, potente e diferentão. E isso não é tudo, fica aí que ainda tem muita coisa ainda para eu falar do Xiaomi Mi Mix 3 em nossa análise completa.

Design

Os grandes fabricantes de smartphone estão há anos numa corrida para ver quem consegue transformar toda a frente do celular em uma tela limpa, completamente sem bordas. A própria Xiaomi deu seus pulos ao lançar o Mi Mix 1 e 2 que ditaram algumas tendências, mas só agora que realmente estamos conseguindo eliminar as bordas quase que em sua totalidade.

No ano passado já tivemos 2 novos sistemas mecânicos aparecendo na jogada com o Oppo Find X e o Vivo Nex 1. Mas é provavelmente no lançamento do Honor Magic 2, e finalmente o Mi Mix 3 que teremos uma solução que eu particularmente acho que é a mais viável.

Deslizando para cima e para baixo você libera e esconde as câmeras. É até nostálgico mexer no Mix 3, me lembra aquela época em que celular com 2 polegadas de tela era algo sensacional.

Esse mecanismo me deixou um preocupado com a fragilidade do celular, mas a Xiaomi promete que dá para abrir e fechar mais de 300 mil vezes. Para pessoas comuns, vai quebrar outra coisa antes disso dar pau. Até porque, como ele é manual e a trava é magnética, não existe a necessidade de um motorzinho para ativar o dispositivo.

A parte de cima do slider é feita toda em vidro na frente e laterais de plástico. A base do corpo possui armação de alumínio e costas de cerâmica, que parece vidro mas não é, é melhor.

Esse material é mais resistente a arranhões, porém costuma quebrar com maior facilidade em quedas. É uma troca que eu não sei se muitos estariam dispostos a fazer, principalmente quando se trata de um aparelho importado. O melhor é deixá-lo na ótima capinha que já vem na caixa e diminuir o risco das quedas.

Tela

Aproveitando que estamos falando de corpo e construção, o Mi Mix 3 tem tamanho confortável mesmo chegando à quase 6,4 polegadas. Isso é puxado pelas poucas bordas que o deixam mais compacto. Em beleza ele também não fica para trás, aliás, pode ficar na frente, já que conta com um painel super AMOLED de resolução FullHD e proporção 19,5:9.

Ele é basicamente um dos aparelho mais bonitos da Xiaomi, senão o mais bonito. Uma tela desse tamanho e sem o notch é uma das melhores experiências para jogar e consumir mídia que eu já tive, apesar de que se acrescentar muito no valor, pode ser substituído por um notch pequeno e tela OLED na minha opinião.

O brilho é forte, mesmo em áreas externas, debaixo do sol, e, para minha surpresa, também possui brilho automático. O sensor você encontra abrindo o slider, ao lado das duas câmeras. A saída de som para ligações fica no meio, e não é utilizado como um segundo alto falante para completar um conjunto estéreo. O falante externo mesmo fica na parte de baixo e é mono, limitado e fácil de tampar. O P2 foi abandonado no passado e tudo é feito pela entrada USB tipo C, com adaptador já presente na caixa.

Atrás você encontra o leitor de digitais que funciona bem, mas o mais legal é o desbloqueio facial deslizando a tela para baixo, que é bem rápido e funciona de maneira consistente. Foram poucas as vezes que o desbloqueio não foi instantâneo.

O lado negativo desse mecanismo de abertura é a falta de qualquer proteção contra líquidos, mais um bom motivo para mantê-lo sempre na capinha. O Mi Mix 3 também possui bandeja dupla, com dois espaços para chips de operadora, mas sem suporte para expansão de memória.

No geral a construção do Mi Mix 3 me agradou bastante, e o slider, apesar de ser um ponto de vulnerabilidade a mais para o aparelho, traz mais benefícios do que pontos negativos. Era certamente o que eu esperava de um verdadeiro flagship da Xiaomi.

Desempenho

As características de top de linha também não param por aí. O Mix 3 utiliza o Snapdragon 845 e alcança resultados equivalentes aos Androids mais rápidos do ano, como o OnePlus 6 e o S9 Plus. Isso significa basicamente que você pode jogar de tudo, sem se preocupar com nada.

Joguei PUBG e Asphalt 9 e não senti nenhuma queda de frame. O aumento da temperatura não incomodou tanto, mesmo sem ter um sistema de resfriamento diferenciado.

A memória também é rápida e o tamanho é bom. Existem modelos de 6, 8 e até 10 gigabytes de RAM, acompanhados de 128 ou 256 gigabytes de memória interna, porém lembrando, sem espaço para micro SD.

Além de peças boas, os bons resultados do hardware também podem ser atribuídos ao software. A MIUI é uma interface que muda bastante coisa do Android puro, o que gera estranheza para quem não está tão acostumado, porém ela vem evoluindo bastante e está bem melhor do que antigamente.

Câmera frontal e traseira

Pensando agora nas câmeras. O Mi Mix 3 possui 4 quatro sensores no total: dois na frente e dois atrás. Nos dois casos a segunda câmera serve para auxiliar fazer o desfoque, com a traseira prometendo uma segunda lente zoom, uma telephoto, e a frontal trazendo um diferencial importante: esse tal destaque, também chamado de modo bokeh, retrato, foco dinâmico entre outros está disponível para gravações.

Essa era uma promessa da Qualcomm para os seus aparelhos com o Snapdragon 855, então eu fiquei bem surpreso dela aparecer aqui. Até que eu fui comparar com o efeito presente no Instagram e percebi que eles são basicamente a mesma coisa.

Puro software que faz questão de errar bem no meu cabelo desarrumado, principalmente em movimentos mais rápidos. Pode ser legal, mas eu sinceramente prefiro a nitidez de uma gravação no modo “normal”. Aliás, não sei porque não colocaram esse efeito na câmera de trás também já que é software.

Um problema que eu notei na câmera frontal é que o vidro pode refletir um pouco de luz e criar um arco íris na parte debaixo da foto, o que complica na hora de tirar fotos contra a luz. Para fechar, o fato dela ter 24 megapixels sempre me faz pensar que teríamos uma foto incrivelmente nítida, não é o caso, mas é geralmente melhor que uma de 12, como virou o padrão dos celulares ocidentais.

O sensor principal da câmera frontal possui 12 megapixels de resolução e a auxiliar com também 12 megapixels. As fotos tem boa definição e cor, mas o pós processamento é pesado demais pro meu gosto, algo típico da Xiaomi mesmo.

O modo AI está habilitado, mas de novo, eu acho que ele exagera em alguns momentos. Eu sei que muita gente vai gostar, mas é sempre mais fácil editar pra mais do que tirar cor. No geral, esses sensores traseiros parecem ter menos pós processamento que a frontal, mas ainda tem, mesmo depois de eu reduzir para zero o embelezamento.

O modo noite funcionou bem, mas perdeu bastante definição. Não é nada comparado com o night sight. É provavelmente uma das melhores câmeras da Xiaomi, mas eu ainda sinto que ela fica pra trás em faixa dinâmica quando comparada com o OnePlus 6 e 6T, ou qualquer outro topo de linha – mesmo o Galaxy S8. Isso vale também para a frontal que em momentos de muita luz pode acabar estourando.

Em vídeos, o Mi Mix 3 é capaz de gravar em 4K com estabilização ótica, mas isso só vale para 30 frames, tal como qualquer outro celular, ao aumentar o número de quadros o número de solavancos também aumenta.

Bateria

E para concluir a história toda, a bateria tem carga de 3200 miliampere-hora. Na tela vão aparecer alguns exemplos de consumo, que mostram um celular para uso moderado, mas que perde carga rápido em aplicativos mais pesados, como jogos e gravações com a câmera.

Seu carregador fast charge de 18 Watts é capaz de completar a bateria em 1h45m. O Mi Mix 3 também tem suporte para carregamento sem fio e já vem com um Qi Charger na caixa. Um diferencial quando comparamos com outros topos de linha ocidentais que ainda não implementaram isso.

Ele também tem suporte para NFC e Banda 4.5G que utilizamos por aqui. Então no geral, é sucesso.

Conclusão

O Mi Mix 3 é um celular importante para a Xiaomi por dois motivos: primeiro que ele sai daquele design batido de notch e consegue trazer uma tela que você consegue aproveitar por inteira de verdade. Segundo que o celular é, no geral, um dos mais completos já lançados até agora pela marca e por um preço bastante competitivo.

As linhas anteriores pareciam custar mais do que deviam, mas esse aqui não. Carregador sem fio, que vem na caixa, tela amoled com uma proporção bem alta, ótimo desempenho e construção, fotos de qualidade para o padrão chinês e o bokeh no vídeo são todos pontos fortes e que trazem algum diferencial quando comparado com outros celulares importados que tem foco em custo benefício.

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