Xiaomi Mi Pad 4: vale a pena importar esse tablet?

A linha Mi Pad sempre se posicionou como uma opção barata e potente para aqueles que precisam do essencial em um tablet. Em sua quarta versão, o Mi Pad 4 está menor, mais comprido e felizmente, mais potente.

Será que essa troca foi válida e o equipamento continua competitivo em 2018 ou será que a Xiaomi está lançando tanta coisa que está errando a mão?

Design

Um ano depois da versão 3, o Mi Pad 4 quer ser, de novo, o melhor tablet na sua faixa de preço. Seu acabamento é feito em alumínio, com uma faixa em plástico no topo que serve não só para passar o sinal como para dar uma cara de iPad 5ª geração pra ele, sensação que passa bem rápido, porque a proporção do Mi Pad 4 é bem diferente do quadrado que é o iPad.

Ele é um pouco mais grosso e tem bordas menores que seu antecessor, e é um pouco mais comprido. Sua dimensão de tela mudou e não é padrão para tablets. Até por isso, o Mi Pad 4 parece mais um celular gigante do que propriamente um tablet, “phablet”, como costumavam chamar.

Felizmente, diferente de uma boa parcela dos smartphones mais caros da Xiaomi, esse equipamento possui a entrada P2 para fones, que fica no topo do aparelho, ou pra simplificar, no lado contrário da entrada USB-C e das saídas de som.

E eu falo saídas porque elas são estéreo,  deixando mais difícil o ato de acidentalmente abafá-las. Ponto para o Mi Pad 4, porque esse é um problema que muitos equipamentos têm. Então dá para você deitar, assistir um filme, jogar e ainda sim não precisar de um fone de ouvido em todos os momentos. Não é incrível que nem do Galaxy Tab S3, mas já é um belo quebra galho de ver um vídeo no YouTube ou uma música sem muitos graves.

O acabamento nas laterais e na frente é impecável e a Xiaomi decidiu ser um pouco mais contida no número de cores – temos disponível apenas em rosa-dourado e preto, que fica mais para um cinza escuro.

Tela e usabilidade

A pegada do equipamento é boa, e como eu já comentei, ele é menor do que a maioria dos tablets. São 20cm de altura e 12cm de largura para um painel LCD de 8 polegadas, que tem proporção 16:10.

Diferente de um Galaxy Tab A P585 ou mesmo de um iPad que tem 9,7 polegadas, o Mi Pad 4 tem como principal intuito ser utilizado com uma única mão. E nesse ponto tanto seu tamanho quanto sua proporção de tela vão muito bem.

Eu achava que seu tamanho reduzido acabaria atrapalhando um pouco para produtividade, e de fato, ter menos espaço de tela te limita um pouco ao utilizar a split screen, mas depois que eu coloquei um teclado e comecei a usar o tablet em pé, a proporção da tela dividida ficou legal.

Eu consigo ver um vídeo do YouTube e já digitar logo embaixo, ou ver algum texto e já fazer as anotações. O chato é que a MIUI limita essa divisão entre 25, 50 e 75% da tela, tal como no iPad. O que limita um pouco as possibilidades. Por outro lado, o iPad não permite divisão de tela em pé, o que dá um pouco mais de opção na hora de usar esse equipamento aqui.

Mas de novo, você precisa estar com um teclado externo a mão para usufruir da tela. Infelizmente, o Mi Pad 4 não transferiu dados de imagem quando eu conectei com um cabo USB-C. A opção é via Wi-Fi mas o lag me incomoda. Acho que até por isso dá para comentar que o Mi Pad 4 não tem nenhum outro diferencial, além do seu desempenho e proporção. Ficam de fora acessórios como uma caneta ou teclado externo próprio pra ele.

Outra coisa que ficou de fora é o sensor de digitais, que foi substituído pelo desbloqueio de tela via reconhecimento facial. Menos seguro e que não tem um bom desempenho no escuro. Em situações de média e boa luz ele no geral ele funciona bem.

Mesmo com um downgrade em resolução quando comparado com o ano passado, o Mi Pad 4 me impressionou bastante depois que eu tirei a película fosca que já acompanha o equipamento. Ele conta com um painel IPS LCD de 1900 x 1200 px. É realmente um prazer usar o tablet ou assistir qualquer coisa nele, até porque ele conta com uma boa definição de cor e o brilho é bem forte, ou seja, você consegue usar tranquilamente debaixo do sol.

Software

Como essa é uma versão chinesa de software, eu tive um trabalhinho para instalar todos os aplicativos do Google, o Netflix, Prime Video e afins, que também tiveram de ser instalados via apk – por fora.

Esse lance de ter uma ROM chinesa só incomoda na hora de fazer esse setup inicial, mas eu realmente esperaria a global para não ter nenhuma dor de cabeça.

Felizmente, o desempenho não é nem de longe afetado. A MIUI, que há uns anos sofria em comparação com outros sistemas operacionais, hoje é otimizada nas mais variadas frentes e já está atualizada na maioria dos equipamentos. Testamos com a versão 9.6 e rapidinho vai chegar a 10.

Desempenho

Outro ponto forte é no uso do novo Snapdragon 660, um processador intermediário atualizado focado em performance e economia de energia que foi lançado para ser o sucessor do 653. Ele é acompanhado de opções de memórias de 3GB ou 4GB, então você não vai ter nenhum problema pra rodar até os jogos mais pesados.

Consegui jogar Asphalt 9 e Injustice 2 numa boa. Quase não dá pra notar frames perdidos e ele carregou tudo bem rápido. Pra ser sincero, o tamanho até te ajuda um pouco, dando mais agilidade pra fazer alguns movimentos na tela.

Vale salientar que o downgrade de resolução de QuadHD para FullHD também exige menos do processador, o que dá mais espaço para esses jogos mais pesados se saírem bem.

Você também não vai ter problemas com a bateria dele. Os 6010 mAh entregam uma média de 8 a 12 horas de tela. Com o brilho no máximo, no YouTube eu gastei 12,5% por hora, mas como essa é uma tela brilhante, você irá usar na metade e consequentemente ter mais desempenho.

Com certeza aguenta o dia todo, o único problema aqui é o tempo pra carregar, que pode demorar mais de 3 horas já que o carregador é de 10W e a bateria é grande. Quando é assim, o ideal é por pra carregar quando você for dormir mesmo.

Câmera traseira e frontal

Na parte de câmeras ele não tem nada de mais. a câmera frontal tem 5 megapixels e serve mais pra fazer uma vídeo conferência. É também aqui que está posicionado o sensor de desbloqueio facial, que até pela resolução me deixa na dúvida quanto à segurança.

A traseira conta com 13 megapixels de resolução e é bem parecida com a do ano passado, do Mi Pad 3. Ela basicamente vai servir para você deixar algo anotado, uma apresentação que deveria ser gravada ou um código de barras que precisava ser lido.

Os vídeos são em 1080p, mas não tem quase nenhuma estabilização, então vai ficar tudo bem tremido. Além disso o microfone é fraco, que diminui ainda mais a qualidade da gravação e que pode influenciar na sua jogatina se você não acabar colocando um fone.

No geral é um conjunto de câmeras bem fraquinho, até quando comparado com alguns celulares de entrada como o Redmi 5 Plus, mas é meio que um padrão para tablets que precisam ser usuais e não realmente bons. Não esperava muito mais do que isso.

Existe a possibilidade de suporte para chip de celular em alguns modelos, o que não é o caso por aqui, onde só é possível fazer o upgrade de armazenamento interno. Com isso você não pode fazer ligações e nem ter acesso à rede 4G. Não temos GPS por aqui e não fica exatamente claro se o modelo com 4G tem – eu suponho que sim. E dai ligando ele na internet vai conseguir melhor precisão.

Até porque todos os modelos contam com um monte de sensores de navegação, como bússola, acelerômetro, giroscópio, contador de passo e alguns outros que além de serem legais por si só, ajudam na precisão do seu GPS, coisa que ficou de fora do modelo anterior e que pode tornar esse uma opção legal para quem quer ter um sistema digital no carro.

Conclusão

Com o iPad de 5ª geração saindo por uns 1500 reais atualmente, porque pegar um Mi Pad 4? O preço. Se você acabar sendo taxado no valor padrão que é menor do que os 60% que seriam o correto, dá pra pegar o equipamento por uns 1200 reais. Por si só essa não é a vantagem.

O Mi Pad 4 tem mais espaço de armazenamento, uma tela bem parelha com a do iPad, melhor som, e para mim, o formato dele, focado pra quem quer usar com uma mão só e que vai bem em alguns jogos competitivos, é realmente o grande diferencial. Por esse preço já estou contando com o 4G que vai sair bem caro no iPad.

Infelizmente a versão chinesa ainda precisa que você instale manualmente algumas coisas, então eu esperaria o preço baixar e a versão global chegar para pegar o melhor custo benefício possível. Mas sinceramente, se você quer um tablet Android essa pode ser, junto com o Huawei Pad M5 e o Lenovo Tab4 8 Plus a melhor opção.

Talvez ele não seja a melhor opção para quem precisa de algo grande, já que está bem mais compacto, mas é exatamente esse seu diferencial. Ficam faltando só características exclusivas que só modelos mais caros como iPad e Tab S3 entregam, mas dai eles são mais caros.

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1 Comment
  1. Olá. A Xiaomi lançará ou já lançou a versão global do Mi Pad 4?
    Muito obrigado.

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