Xiaomi Redmi Note 5: oferece muito por pouco

O Redmi Note 4 foi tanto na Índia quanto em países emergentes o aparelho mais vendido da Xiaomi em 2017. A junção de uma tela grande, com boa bateria e especificações de intermediário sempre fazem o interesse ir lá pra cima, mas a linha note sempre teve um problema: sua câmera.

O Xiaomi Redmi Note 5 tenta solucionar não só isso, mas trazer alguns incrementos. Será que eles valem a pena?

Design

Como sempre, a linha Note decidiu não mexer em quem está ganhando e só incrementar, então o design, no geral é basicamente o mesmo que de duas gerações atrás, com claro, as câmeras em pé que são tendências para 2018.

Ele está disponível em algumas cores bem legais, como dourado e azul claro com branco, o preto que temos por aqui e um vermelho bem forte que também chamou a atenção e é novo por aqui.

Tirando isso, o mesmo acabamento em metal com bordas superiores e inferiores em plástico está por aqui, mas um pouco mais esticada por causa da tela, que eu já vou comentar, porque tem um ponto legal e um ponto chato ainda na carcaça do aparelho.

O legal é que tal como a maioria dos modelos mais baratos da Xiaomi e de algumas outras marcas chinesas, o Note 5 já vem com infravermelho, o que permite transformá-lo em um controle remoto ou fazer mais algumas ações do tipo.

O ponto chato é que apesar de já ser um celular intermediário com boas configurações, o Redmi Note 5 só tem uma entrada micro USB – o que pode ser bem legal pra pessoas que não querem ter de trocar o seu ecossistema inteiro de cabos.

Eu vi algumas pessoas comentando que ele é um pouco mais espesso, com 8,1 milímetros, justamente por causa da bateria maior, mas isso não me incomodou não, ficou bem na mão e sinceramente? Eu acabei de fazer review do Doogee BL9000, um celular com 14 milímetros de espessura. Isso daqui não é nada comparado com ele.

Tela

O que pesa mais pra mim na ergonomia é o tamanho da tela que tem um total de 6 polegadas com resolução Full HD. Some a isso um pouco mais de borda em cima e embaixo que você tem um celular ali perto do tamanho de um Galaxy S8 ou Galaxy S9 Plus, que na minha opinião, já começa a exigir alguns movimentos e uso de 2 mãos para algumas situações.

Felizmente a qualidade da tela compensa, já que temos um painel IPS com boas cores, contraste e até mesmo um brilho que começa a permitir que você enxergue melhor na rua. Não é que nem um Moto G6 Plus ou S8 que contam com mais de 500 nits, mas já é melhor que os intermediários de entrada por assim dizer.

Desempenho

Um ponto engraçado é que pelo menos na Índia, a versão com Snapdragon 636 é chamada de Pro, mas para nós brasileiros, ao comprar em lojas da China como Gearbest e Banggood, qualquer modelo Note 5, mesmo esse daqui com 3GB de RAM e 32GB de armazenamento já é com o processador atualizado.

Aliás, deixa eu aproveitar para comentar dele. Apesar de contar com os mesmos 8 núcleos do 625 a 1,8Ghz, um pouco abaixo dos 2,0Ghz da geração anterior, o 636 possui uma arquitetura nova que junto com uma GPU atualizada promete pelo menos 40% de melhora em desempenho.

No dia a dia eu fiquei bem feliz com o desempenho do 636, que em conjunto com a MIUI, é extremamente fluido e geralmente até mais rápido que meu Galaxy S8 que dá umas belas de umas engasgadas em sua interface depois de quase um ano de uso e milhares de tranqueiras instaladas.

Em jogos, o que você vai sentir é que ele reduz a qualidade dos gráficos, que ficam no médio e dificilmente tem quedas de frames. Breackneck ainda dá aquela engasgada na tela inicial mas é super fluido no jogo. Real Racing 3 tem os gráficos reduzidos para que o sistema rode o jogo com fluidez.

Mesmo com 3GB de RAM, situação onde alguns aplicativos acabam sendo fechados se tem muita coisa pesada em paralelo, o Xiaomi Redmi Note 5 entregou um desempenho ainda melhor que a linha Moto G6 que estava um pouco fraca nesse quesito.

Consegui transitar entre email, GPS, YouTube, e mais alguns apps facilmente sem ter de recarregar nada. É mais quando eu abro um jogo que meus outros aplicativos vão se fechar totalmente.

Vale comentar sobre a boa velocidade da memória RAM e do armazenamento interno, características que já estão sendo copiadas por outras empresas chinesas para melhorar o desempenho dos celulares, mas tinha uma época que qualidade de componentes não era prioridade.

O Redmi Note 5 tem um ótimo desempenho no dia a dia, não é dos mais gastões e entrega uma boa experiência com jogos que infelizmente tem de estar com uma resolução menor pra rodar liso. É o pau para toda obra.

Câmera traseira e frontal

As câmeras realmente evoluíram e evoluíram bem! A traseira conta com 12 megapixels e abertura f/2.2 mais um segundo sensor de 5 megapixels com abertura f/2.0 para o modo retrato. Sinceramente eu acho que tem muita coisa de software para esse incremento ter acontecido, já que esse não parece ser um sensor tão legal assim.

Até por ele ter uma abertura f/2.2, as fotos em boa luz saem com uma boa qualidade e uma profundidade de campo maior, algo que lentes mais caras que trazem, mas em baixa luz ele começa a granular bastante e necessitar de um processamento maior, que acaba por retirar também a cor das fotos.

O modo retrato me surpreendeu por fazer um bom recorte tanto de pessoas quanto objetos, mas você precisa estar em boa luz, contra a luz, e com isso você consegue um resultado bem legal só que com menos cor do que uma foto “normal”. O interessante é que a distância focal da câmera não muda muito.

Esse celular deveria ser capaz de gravar em 4K, mas com a MIUI 9.5 que temos em mãos ele só vai até 1080P. A Xiaomi já falou que tal função vai chegar pra MIUI 10 que ja está em beta, então você pode ser do futuro e já estar com ela em mãos, e mais uma função de AI adicional também.

De qualquer forma, em 1080P o vídeo já dá uma chacoalhada, então em 4K vai ser um terror de solavanco, mas por essa faixa de preço eu não esperava muito mais.

A câmera frontal é de 13 megapixels e eu gostei bastante tanto do modo normal como o retrato que consegue fazer um bom recorte, infelizmente, como todas as câmeras da Xiaomi até o Mi 8 tem esse problema: mesmo que você tire toda a função de embelezamento, ele continua te deixando branco além da conta.

Pelo menos a estabilização frontal é bem legal. O microfone deu uma melhorada e agora está no padrão, porque ele era bem ruim.

Outra coisa que eu gostei bastante foi a bateria, com 4000mAh até esperava um pouco mais, mas consegui umas 9 horas e meia de tela com esse equipamento aqui. O accubattery deu 10.5% de gasto médio por hora, o que vai no mesmo caminho que minha percepção do aparelho.

O Snapdragon 636 nunca tentou ser super econômico nesse ponto, então chegar e sobrar no final do dia tá ótimo pra mim.

Temos Wi-Fi 802.11ac por aqui permitindo acessar redes 5Ghz, GPS com GLONASS e A-GPS que funcionou bem aqui em São Paulo, e o celular tem acesso as bandas B3 e B7, ficando faltando a B28 ou 700Hz que algumas empresas como a Tim usam para o 4G aqui no Brasil. Vale ressaltar que a bandeja do cartão é híbrida, então se for usar dois cartões SIM não é possível usar o micro SD.

Conclusão

O grande resumo da conversa é: com preços ligeiramente abaixo dos 200 dólares para a versão de 3GB de RAM, o Xiaomi Redmi Note 5 é provavelmente o melhor smartphone que você pode pegar lá da China.

Tela bonita, desempenho acima da média em conjunto com peças de qualidade, uma câmera que avançou bastante, bateria que sobra no final do dia e um sistema operacional que pode demorar mas é atualizado, e claro bonito.

Sem brincadeira, tirando o fato de que a conexão é apenas microUSB e que falta a frequência B28 para 4G, eu recomendo bastante esse aparelho para quem quer importar ou topa comprar pelo Mercado Livre de alguém que importou.

Ele é o celular funcional, sem firula, sem característica especifica nem nada.

8.5 Total Score
Xiaomi Redmi Note 5

Um dos celulares com melhor custo benefício do mercado, que oferece um bom desempenho e experiência, além de uma câmera melhorada para essa nova geração.

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