Zenfone 5: o melhor celular que a Asus já fez?

Depois de um Zenfone 3 que dois anos depois ainda é um custo benefício legal para um intermediário de entrada e um Zenfone 4 que teve uma atualização de software bastante necessária e incremental, a Asus está apostando no fato de ter sido a primeira a anunciar um Android com notch pós iPhone X e no AI, ou inteligência artificial para posicionar seu novo lançamento.

Nós passamos as últimas 3 semanas testando o equipamento pra te dizer se vale a pena considerar como seu próximo intermediário.

Design

Está claro que a Asus vem evoluindo muito de um ano pro outro. O hardware sempre foi uma especialidade, com o Zenfone 3 entregando um acabamento em vidro bastante premium em um momento onde a transição ainda era para o alumínio na faixa de preço em que estava inserido.

Nesse ponto a empresa não teve que trabalhar muito no Zenfone 5. Ele ainda tem um acabamento bastante similar ao modelo anterior, com uma traseira reta, em vidro, e que claro, contém os círculos concêntricos típicos da marca.

As bordas em metal prometem um pouco mais de resistência para o aparelho, que ainda permanece bastante escorregadio. A capinha de TPU ajuda, também para não arranhar o aparelho.

A entrada USB-C e de fones de ouvido ficam na base, juntamente com um dos alto falantes, porque o segundo fica na frente, virado pra você. A qualidade dos dois é boa para a faixa de preço e o fato de serem stereo são um diferencial.

Para fechar essa parte meio de carcaça e tudo mais, o equipamento conta com uma bandeja híbrida, para um segundo cartão sim ou expansão de memória interna.

Olhando e pegando você vai perceber que o equipamento é um filho do Zenfone 4 com o iPhone X. Mesmas dimensões do modelo anterior da Asus, pegada parecida, acabamento, mas com uma área de tela adicional possibilitada pelo notch e a câmera traseira em pé. Gosto do notch mas me incomoda a câmera em pé, bem mais bonito o Zenfone 4.

A empresa ainda anunciou como feature o fato do notch ser menor, e ok, isso pode ser legal, mas começamos a entrar em um ponto aqui onde a Asus vem sofrendo, tentando melhorar e as vezes batendo cabeça, o software.

Com o notch vieram também bordas curvas para o topo e a base da tela. Sim, temos menos espaço para os ícones mas isso não quer dizer que eles precisam bater nas bordas e serem desalinhados em tamanho e centralização, como estão por aqui.

Imagino que a Asus vá corrigir em algum momento, mas o aparelho já foi lançado alguns meses atrás lá fora nada foi feito sobre isso até agora. Ter ícones desalinhados não é um fim de mundo, é mais pra mostrar alguns pontos onde a empresa poderia ter mais cuidado e que vão se repetir mais pra frente.

Tela

Para mim, esses ícones incomodam porque eu adorei a tela do aparelho e queria uma experiência perfeita. Ela tem 6,2 polegadas com tecnologia IPS LCD, resolução Full HD Plus em proporção 19:9 e cores bastante ressaltadas. Por padrão o celular vem com um esquema de cores mais saturado, mas é fácil mudar e ajustar.

Um ponto que me agrada na experiência com a tela é a fonte utilizada pela Asus – eu simplesmente gostei de ler e usar o aparelho bem como a interface no geral. Pode ser o fato de lembrar um pouco da Samsung Experience, mas não é bem isso, eu só gostei mesmo.

Desempenho

Pra impulsionar o Android Oreo com a personalização Zen UI – uma interface bastante customizada – o equipamento vem com um Snapdragon 636, 4GB de RAM com 64GB ou 128GB de armazenamento.

A verdade é que o conjunto de processador intermediário com consumo energético bem equilibrado, você vai conseguir rodar tudo numa boa. Nos jogos mais pesados como PUBG e Injustice 2 você também não vai sentir nenhuma lentidão que preocupe a jogatina.

Os recursos de inteligência artificial, como o AI Boost e AI Charger, juntamente com o Optiflex, fazem com que o aparelho aprenda seus padrões de uso e com o tempo, vai acertando o poder de processamento do aparelho de acordo com suas exigências pra você ter uma bateria mais otimizada sem abrir mão dos gráficos fluidos.

Pode parecer balela, mas é que demora um pouco para as funções começarem a aparecer com você e realmente fazerem efeito, tanto na bateria – que passou de umas 4,5 para 6 horas de tela ao longo das semanas -, como no desempenho de abertura dos aplicativos e nas recomendações, que aparecem na bandeja de aplicativos.

Aproveitando que estamos falando de bateria, ele conta com 3300mAh e carrega em mais ou menos 1 hora e quarenta minutos.

O que tem de diferente é o AI Charger, que carrega e mantém a bateria em 80% até perto do horário em que você acorda para finalmente dar o resto da carga antes de você acordar e manter uma maior durabilidade da bateria ao longo dos anos. Bem interessante essa função e imagino que vamos ver mais aparelhos trazendo isso com a chegada do Android P.

Câmera traseira e frontal

Outra função que tem “inteligência artificial” embutida é a câmera. De novo, começam a aparecer celulares como o Xiaomi Mi 8 e o Redmi Note 5 que já utilizam função parecida. Basicamente, o celular é capaz de identificar a cena e ajustar algumas coisas como exposição, ISO, temperatura e velocidade do obturador para ter um resultado melhor.

Diferente do Mi 8, onde você consegue na própria interface visualizar e retirar as configurações, o Zenfone 5 não só escolhe por você e pronto como a foto que você está vendo na prévia não é como ela vai sair no final. Então você tá lá, conseguiu uma imagem legal e quando tira a foto tem a surpresa de um processamento diferente.

Isso é bom e ruim. Ruim porque você não tem noção de como vai ficar, mas bom porque o HDR tanto da traseira como da frontal melhorou muito quando comparado com o modelo anterior, que por vezes deixava a foto superexposta.

Para entrar um pouco mais a fundo, são 12 megapixels com abertura f/1.7 na câmera traseira principal com uma lente secundária de 5MP wide angle, num ângulo estilo GoPro, pra pegar mais área da foto.

A qualidade é bem boa para o segmento e supera claramente o Moto G6 Plus tanto na normal quanto na funcionalidade de ter uma wide que também vai bem em boa luz.

No quesito vídeo tivemos avanços também no HDR e no fato de estar disponível a gravação em 1080P a 120 frames por segundo, possibilitando um modo de slow motion mais interessante, também possível em HD com 240 frames.

O modo de intervalo de tempo que eu adoro também está presente bem como o modo GIF que faz basicamente a santa trindade do que eu uso.

A câmera principal já tem estabilização ótica e faz uma estabilização até que boa, mas que fica um pouco pra trás dos flagships, não tem jeito.

A câmera frontal basicamente não mudou desde o último modelo em hardware – 8 megapixels com abertura f/2.0. A evolução foi de software, com o HDR novamente fazendo milagres para tirar a superexposição do modelo anterior.

Essa exposição excessiva ainda aparece no preview mas é resolvida na pós, entregando melhor contraste e cores também que a anterior. Tanto a câmera traseira como a frontal contam com modo retrato e eu sinceramente acho que para um intermediário está bem bom, mas ela é um pouco mais exagerada em alguns momentos. Mas isso é questão de opinião e está presente em outros modelos, cada um tem seu tipo de retrato.

Conclusão

Para fechar, o equipamento conta com um bom GPS, tem todos os sensores, NFC funciona corretamente, e tem o APTX da Qualcomm para melhorar o som com Bluetooth, então está todo completinho para um intermediário nesse quesito.

Sabendo de tudo que falamos até o momento, o Zenfone 5 é sim um belo de um competitor na faixa dos intermediários premium. Tela bonita, câmera traseira bem competente em foto, processador e hardware padrão, mas bem otimizado para velocidade e funções de AI que depois de algumas semanas começam a funcionar e adicionar valor ao produto.

Me preocupa o software que melhorou, mas ainda não é totalmente consistente. A falta de capilaridade da assistência técnica e a demora nos upgrade de software que pelo menos sabemos que virão – vide Zenfone 3 que está bem atualizado.

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