Galaxy A50 vs Redmi Note 7: qual é o melhor?

O Redmi Note 7 e o Galaxy A50 são dois dos melhores aparelhos de 2019, só que com os dois representando muito bem o que cada marca oferece para o mercado de intermediários. Com características que suprem as necessidades de grande parte dos usuários e pequenas diferenças importantes, será que vale a pena comprar qual celular? Será que o custo baixo do Note 7 supera todos os beneficio do A50? É o que vamos discutir no comparativo de hoje.

Construção e tela

Os dois aparelhos representam muito bem o que Xiaomi e Samsung trazem para o mercado de smartphones. Comparar o Note 7 e o A50 é então uma maneira de entender qual é a prioridade de cada uma delas, e a primeira delas é justamente na tela, a parte que você mais interage.

O que os diferencia não é a resolução, pois os dois são Full HD, nem o tamanho, onde o A50 até consegue entregar mais área útil, graças a bordas menores, mas é bem pouquinho, algo que você só percebe com eles lado a lado.

O que muda mesmo é a tecnologia do painel, onde o Redmi traz a tecnologia LCD IPS, contra a Super AMOLED da própria Samsung. É difícil falar que uma é definitivamente melhor que a outra, pois tudo que envolve visão varia bastante com o gosto de cada um. Porém, a gente costuma preferir a AMOLED, que além de possuir cores mais vivas e o tal “contraste infinito”, traz também alguns benefícios, como gastos energéticos menores, e mais recursos, como o Always On Display.

De novo, não é que o IPS seja ruim, ele pode entregar cores mais fiéis e você consegue dar uma tunada se precisar, graças ao alto nível de customização que a MIUI entrega. Só que nós vemos a Samsung realmente buscando trazer uma tela melhor, até porque é ela que fabrica, enquanto a Xiaomi até opta pelo AMOLED nos seus topos de linha, mas não tem tanto medo de voltar para o LCD para preservar o preço do celular.

Por outro lado, a tela LCD pode estar com seus dias contados, já que o OLED é necessário para o leitor de digitais debaixo da tela, algo que a Xiaomi também tem trazido para os seus intermediários. Por aqui, apenas o A50 traz essa tecnologia. Sinceramente, ela é bem menos precisa que o sensor físico do Redmi, o que acaba me fazendo preferir a escolha do Note 7, que é mais rápido e ajuda a deixar o aparelho mais barato.

No design, temos outros pontos de distinção. O layout do Note 7 é um pouco mais quadrado, enquanto o A50 coloca os chanfros bem conhecidos nos aparelhos da marca desde a era do Galaxy S6. Os dois tem várias opções de cor, como o degradê do Note 7 e o furta-cor do A50.

Na construção, as duas marcas optaram pelo caminho mais econômico, trazendo armação de plástico, que oferece bem menos sustentação que o metal. O Note 7 ainda traz vidro, que é até mais premium, mas acaba diminuindo a resistência, já que o celular não oferece a sustentação necessária.

Por outro lado, a traseira de glástico do A50 também tem seu lado negativo: ela não vai estilhaçar igual ao vidro, mas risca com bastante facilidade, e pode deformar com um tempo de uso. Apesar disso tudo, podemos dizer que os dois estão dentro do esperado para a faixa de preço que ocupam. Não é fácil encontrar algo muito melhor nesses intermediários um pouco mais baratos, e uma capinha mais rígida pode resolver boa parte desses problemas.

Além disso, ambos tem som externo mono e bem ruim, que é contrabalanceado pela presença do P2. Para adicionar uma funcionalidade extra, o Galaxy A50 traz TV digital fullseg, através de um adaptador. Na mesma pegada, o Redmi traz o infravermelho, ficando ao seu critério se você prefere ver TV em qualquer lugar ou controlar a TV de casa com o celular.

Software

Se a tela muda bastante, e em construção eles meio que empatam, o próximo ponto é software, onde comparar o Note 7 e o A50, deixa ainda mais evidente as diferenças entre a Xiaomi e a Samsung. Os dois aparelhos já estão com Android 9, mexendo bastante no sistema base da Google.

Esteticamente, a One UI valoriza bastante os novos e os antigos aparelhos da Samsung, trazendo uma interface mais moderna e com mais recursos a sua disposição. Gostei bastante do modo escuro nativo e a grande reestruturação dos menus e apps próprios, otimizados para o uso com apenas uma mão.

Porém, existem alguns pontos que me incomodam, e o mais notório é a implementação ruim da navegação de gestos. A Samsung basicamente escondeu os botões, substituiu o pressionar por arrastar, e achou que foi o suficiente. O problema é que às vezes, parece que demora mais.

Se faltaram ideias, era só ter se inspirado na própria MIUI, que traz justamente o melhor nesse quesito que, apesar de ser ainda mais longe do Android stock, e demandar um período maior para você se acostumar, a MiUI é uma das interfaces que eu mais gostei de usar e que traz muito recurso útil.

Além de diminuir o bloatware de tempos passados, ela é muito bem otimizada agora em sua decima versão. Você pode, talvez, não achar ela tão charmosa quanto a One UI, pode encontrar um anuncio aqui ou acolá, mas vale a pena pelo menos experimentar. Acho que de novo, é bastante questão de opinião, já que em questão de funcionalidades as duas estão bem parelhas.

Desempenho e bateria

Na escolha de armazenamento os dois divergem um pouco mais. O Note 7 sai na frente graças a grande variedade, você pode ir desde 32GB até 128GB, e como você precisa importar o aparelho para pagar um valor que faz sentido, é fácil encontrá-lo em todas as versões sem que o preço tenha uma grande variação. O Galaxy A50 já é mais limitado, geralmente encontrado na versão de 64GB aqui no mercado brasileiro, apesar de existir com 128GB lá fora.

Só que quando falamos de desempenho puro, para jogos e aplicativos pesados, eles voltam a ficar parecidos. O Snapdragon 660 do Note 7 praticamente empata com o Exynos 9610 do A50, rodando uma grande variedade de títulos, até alguns mais pesados, desde que estejam em configurações medianas.

Dificilmente um deles vai engasgar no dia a dia, só que a idade de cada chip acaba gerando um impacto no consumo de bateria. O Snapdragon 660 fez aniversário e é até que bom para atividades básicas, como rede sociais ou horas de Netflix.

Se você abusar da câmera ou jogar por muito tempo, vai notar que a carga vai embora mais rápido do que no A50, mesmo possuindo a mesma bateria de 4000mAh. É preciso maneirar mais um pouco mais com o Note 7 para chegar no final do dia com segurança.

Quando falamos de carregamento, o Galaxy A50 também sai um pouco a frente, conseguindo uma carga completa abaixo de 2 horas, 30 minutos a menos na tomada que o Note 7.

Nenhum dos dois conta com NFC ou proteção contra água, os dois possuem espaço para cartão MicroSD e 2 chips, mas o Note 7 usa uma bandeja híbrida, que te faz escolher, enquanto o A50 tem os 3 slots.

O GPS funcionou sem problema algum em qualquer um deles, a saída de som do Note 7 decepciona, e dai a coisa só piora quando percebemos que ele não vem com fone de ouvido, coisa que o A50 coloca na caixa. O modelo da Xiaomi no entanto vem com uma capinha bem simples que espana e que é melhor do que não vir com nada, como é o caso da Samsung.

Câmera

Como tudo ficou parecido em hardware também, tirando nas opções de armazenamento, acredito que esse não gere um grande impacto na sua escolha. O terceiro diferencial fica então para as câmeras.

O Note 7 foi um dos primeiros aparelhos a trazer a tecnologia QuadPixel, um sensor de 48MP capaz de juntar 4 pixels em 1, gerando uma foto de 12MP com uma maior riqueza de detalhes e, por consequência, mais perto da realidade.

Porém, o A50 não tão fica atrás, capaz de fazer praticamente a mesma coisa, chegando “só” até 25MP. Nos dois casos você até consegue tirar fotos com a resolução máxima, só que perde os recursos inteligentes, algo que você provavelmente não quer. Por isso, vamos focar a comparação nas fotos de 12MP.

A primeira coisa que você nota é que o Note 7 puxa bastante as cores, as vezes até exagerando e perdendo um pouco de informação, mas no geral deixa as fotos bem mais alegres, quando comparadas com as tiradas com o A50. Por outro lado, no aparelho da Samsung vemos fotos mais bem definidas, e que preservam melhor os detalhes da cena, também deixando elas um pouco mais quentes.

Nos dois casos, temos bons resultados com o HDR e com o modo retrato. E de noite, o QuadPixel mostra para que veio e realmente aumenta a nitidez das fotos em baixa luz. No geral, o Note 7 fica à frente com a câmera traseira.

Mas temos um porém! O A50 ainda tem a lente aberta para fotos ultrawide. Ela não é tão boa quanto as lentes encontradas nos topo de linha, perdendo bastante qualidade em média e baixa luz, mas é uma lente super legal para quem vai viajar e precisa enquadrar uma paisagem.

Na câmera frontal, temos uma clara vantagem para a Samsung também. O A50 passa a frente em resolução, trazendo 25MP, contra 13MP do Note 7. O aumento dessa característica não só possibilita imagens maiores, como também ajuda a dar um contraste melhor para as fotos, tanto de dia quanto a noite.

O pós processamento mais forte do Galaxy às vezes erra, e pode te deixar com uma aura branca em torno de você, ou criar um efeito aquarelado nas fotos à noite, mas geralmente vale a pena. Nas fotos com o desfoque, a diferença é ainda maior, pois parece que o Note 7 nem consegue aplicar o HDR.

As filmagens são bem tremidas nos dois aparelhos e estão limitadas a resolução Full HD. O Note 7 consegue filmar a 60 frames, só que com a falta de estabilização a gravação pode ficar caótica.

Conclusão

Com um hardware e funcionalidades bastante parecidas e com outras características que são mais questão de opinião do que realmente diferenciais – layout e sistema operacional – fica fácil reduzir o comparativo a dois fatores: tela e câmera.

Também existe uma certa influência do gosto de cada um nesses quesitos, mas do meu ponto de vista, o Galaxy A50 vai um pouco melhor. Bordas menores, melhor contraste e mais opção de câmera, com uma wide angle e uma frontal melhores. Além de claro, algumas melhorias pequenas como uma bateria que carrega ligeiramente mais rápido, fone de ouvido na caixa e mais alguns detalhes.

O Note 7 se sobressai por trazer quase as mesmas características com uma câmera traseira única melhor, por um preço mais baixo quando importado. Se o seu foco é jogar e você não liga de ficar com o carregador por perto ou se nenhuma das características do A50 te impressionou, vale a pena dar uma economizada com o Xiaomi.

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