Xiaomi Mi A2 Lite: o chinês com Android puro

O Mi A2 Lite da Xiaomi faz parte da nova linha de aparelhos Android One, feita em parceria direta com o Google. A ideia por aqui é ao invés da MIUI ou de qualquer sistema operacional adaptado de uma marca, ter um Android mais simples e sem firulas, para que com isso ele possa ser atualizado com maior frequência.

Pensando nisso, hoje eu vou tentar te responder se isso é o suficiente para deixar um smartphone importado com uma cara melhor para nós brasileiros, que até agora só temos o Motorola One como único modelo do segmento nacional.

A Xiaomi é bastante conhecida como uma marca mais barata que sempre entrega qualidade. O modelo de negócio deles é ganhar em outras pontas que não o hardware, mas apesar de equipamentos consistentes nunca foi segredo que a empresa demora pra atualizar a MIUI.

Além disso, eu gosto, mas tem muita gente que não quer chegar nem perto do sistema da marca chinesa e é justamente por isso que o Android One atrai os olhos de muita gente.

Design

Mesmo sendo mais barato, o Mi A2 Lite, ou Redmi 6A como ele é conhecido lá na China, não fica pra trás em quase nada. O seu corpo é bem parecido ao do Motorola One – o irmão nacional.

São as mesmas dimensões, mesma borda e até o notch com leitor de digitais atrás. Sem dúvida, esses são aparelhos de 2018. Sua tela é de 5,84 polegadas, num corpo de 15 centímetros, feito em alumínio e com bordas de plástico para deixar o sinal passar, e no geral, a pegada fica ideal para quem gosta de celular pequeno.

Além disso ele ainda tem o P2, que definitivamente não pode ser retirado quando o aparelho tem apenas o Micro USB como esse daqui e bandeja tripla para 2 chips e um micro SD. Ele é bem completinho, sendo que um dos poucos problemas é o falante mono inferior que é bem ruim.

Este é um ponto que a Xiaomi sempre economiza. Para desavisados, a saída é só mono e facilmente tampável, já que esses outros furinhos na parte de baixo são só para estilo.

Tela e desempenho

Agora, um ponto que o Mi A2 Lite é melhor que muito “aparelho de entrada” de 2018 é na resolução de sua tela, já que ela é um LCD IPS que chega até Full HD. Pra você ter uma ideia, a densidade de pixels é praticamente o dobro do Galaxy J8 e do Motorola One. Bem melhor para quem usa bastante YouTube e Netflix pelo celular.

As cores são o de sempre em LCD, e o brilho é equivalente aos concorrentes, em volta de 540 lux. Algo que pode incomodar um pouco é a falta de customização de cores do Android One, principalmente quem já está acostumado com as cores mais vivas do AMOLED.

A escolha de hardware fica entre 32GB ou 64GB de memória interna, porém eu acho 32GB muito pouco e nem deixa ele tão mais barato assim, então eu só recomendaria pra quem não guarda nada ou que joga tudo para a nuvem, já que o Android One, mesmo sendo bem leve, ainda come uma boa parte da memória. A versão de 64GB é o que eu considero o mínimo pra nunca precisar se preocupar com espaço.

Em memória RAM as opções também são as de sempre, 3GB ou 4GB, mas considerando que esse não é um aparelho para uso pesado, a RAM não faz muita diferença no dia a dia. Digo que o Mi A2 Lite não é para uso pesado por conta do Snapdragon 625 , um chipset que já está datado com quase 3 anos de idade, e na época ele já era uma opção para desempenho intermediário.

Isso na verdade não é ruim. Tudo quanto é aplicativo mais normal roda bem por aqui e a maioria dos jogos roda com gráficos no minimo sem problema. PUBG e o Arena of Valor, por exemplo, ficam na qualidade mais baixa e dão umas travadinhas de vez em quando, mas roda, até porque eles são desenvolvidos para ter a maior abrangência possível. Então ninguém vai ficar de fora só porque tem um smartphone mais fraquinho, mas com o tempo os jogos vão ficando mais pesados e você mais pra trás.

Outro grande atrativo do Mi A2 Lite é sua bateria, que tem carga de 4000 mAh e aguenta fácil qualquer coisa que você jogar nela. A média por hora no PUBG foi de 14,3%, então ele chega a 7 horas jogando. É um número muito bom, mesmo sem ter que reduzir a resolução para HD que nem o Motorola One.

Com relação às atualizações, o Xiaomi é realmente um dos mais rápidos. Já temos a atualização de Novembro de 2018 rodando nele logo no começo do mês, e poxa, eles realmente deixaram ele bastante limpo, tem quase nada de nada. Eu particularmente me incomodo e fico feliz de usar várias funções embutidas em outros sistemas, mas aqui você terá de ir atrás. O que pode ser bom e ruim. Tenha isso em mente.

Câmera traseira e frontal

A traseira é dupla e tem resolução de 12 Megapixels com 5 megapixels para auxiliar o modo retrato, e na frente o sensor também possui apenas 5 megapixels. Para compensar as lentes mais fracas, a Xiaomi sempre usa bastante pós processamento. O software e interface de câmera é um ponto que a Google liberou para as fabricantes customizarem.

No geral, a câmera principal tem um resultado legal mantendo uma certa nitidez e sem chiados, mas a definição vai embora com toda essa pós, além disso, o HDR funciona bem e rápido, ponto importante.

O modo retrato por sua vez dá algumas erradas de recorte mas até que está ok quando comparado a outros aparelhos por menos de 1000 reais.

Já a selfie, meu Deus, tem jeito não. É bem mais fraquinha, sem conseguir lidar muito bem com fontes de luz, e claro, não tem HDR que faça milagre. Ela só serve para ser usada quando você precisa muito de uma câmera frontal e não liga pra qualidade.

Para vídeos ele também só consegue o básico, a resolução do vídeo chega em 1080P a apenas 30 frames por segundo, o microfone é ok e a estabilização é eletrônica, não esperava muito dele nesse quesito mesmo.

Conclusão

Considero esse o melhor Android One lançado até agora, principalmente porque um dos grandes problemas da Xiaomi é a necessidade de uma ROM global, que nem todos seus aparelhos recebem. Basicamente, ao importar o Mi A2 lite você terá o melhor dos dois mundos por um preço bem justo.

O maior problema é justamente a necessidade de importação e falta de assistência local. O primeiro pode ser resolvido comprando de alguém que já trouxe de fora, mas o segundo tem jeito não. Como sempre, é uma questão de escolha, mas no geral vale muito a pena para quem não liga para as selfies bem fraquinhas.

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