Motorola One Zoom: todas as câmeras possíveis

O Motorola One Zoom é o último e mais potente celular da Motorola até o momento. Com quatro sensores traseiros, design atualizado e um desempenho de intermediário, ele é uma aposta mais robusta da marca para um público que se preocupa cada vez mais com câmeras, mas que também fica um pouco mais caro do que já vinha sendo feito pela empresa.

Com tanta câmera no mercado, será que vale investir no Zoom ou apenas quem já está acostumado com a Motorola que realmente vai curtir o aparelho? É o que vou tentar te explicar hoje nesse review.

Construção e design

Pegar o Motorola One Zoom pela primeira vez me remete muito a linha Z. Ela não foi exatamente extinguida, mas não recebe uma atualização aqui no Brasil desde Junho de 2018. Fazia tempo que eu não pegava em um aparelho mais “premium” da empresa.

Primeiro que a proporção da tela voltou dos 21:9 para os 19,5:9 que já estamos mais acostumados. E isso tirou a cara de transgressor dos últimos modelos, o Motorola One Vision e One Action, e trouxe algo mais consistente, até um pouco mais comum.

A proporção maior pode te dar um pouco mais de espaço para multitarefa, mas um celular um pouco mais robusto me parece mais confiável, passa uma sensação de sólido. Isso é complementado pelo belo design, que na minha opinião foi a melhor aplicação de 4 câmeras. Se aparecesse o iPhone com esse sistema, ele certamente virava o padrão.

Gostei bastante do Note 10 e o Mate 20 não era de todo ruim não, mas fazia tempo que não achava um celular bonito como o One Zoom. Ainda teve uma surpresa, já que dessa vez o logotipo da Motorola é retroiluminado. E claro, o design por si só não seria tão legal sem as cores e as texturas: titânio, bronze e violeta.

A Motorola sempre teve modelos bem característicos, e isso não mudou com o One Zoom. Ele traz uma saída de som no seu topo, apenas em um dos lados, então você pode acabar tampando ainda se tentar assistir ou jogar na horizontal, mas ficou mais fácil de saber onde não colocar a mão.

A bandeja é híbrida, ainda temos entrada de fone de ouvido, e claro, conexão NFC para parear rapidamente com outros equipamentos, quem sabe utilizar um Google Pay e afins. No entanto, a Motorola não chegou nem perto de proteção contra água e poeira, algo que sim, já percebemos que não importa tanto, mas que já foi chamariz da linha G algum tempo atrás.

Outro ponto que me remete a linha Z é a tela. Com o intuito de aplicar a tecnologia de leitura de digitais abaixo da tela, a Motorola não teve outra opção senão o AMOLED. Eu gosto mais desse tipo de tela, porque apesar de trazer algumas cores exageradas, permite a Moto Tela, função que acaba gastando um pouco a mais em modelos que não utilizam esse painel.

Câmera traseira e frontal

No geral, a experiência com o Motorola One Zoom é bem agradável, o sistema é fluido, mas tem um ponto onde sinceramente minha experiência não foi das mais rápidas: na câmera! E é disso que eu quero falar.

A lente principal utiliza um sensor de 48MP, o mesmo do One Vision, e por isso mesmo não só tira fotos comuns como foto noturnas. Como sempre, essa função é um pouco melhor do que a média, mas não é um modo noturno de Pixel não.

A segunda lente é uma ultrawide de 16MP, que estranhamente ficou abaixo do esperado. Ele tenta aumentar a nitidez para dar mais detalhes, mas a foto fica um pouco estranha por causa disso. Tal como acontece em todos os outros modos de câmera, parece que o sistema de preview de foto, tem uma qualidade bem inferior. Então, o que você está vendo na tela não é o que sai na foto final.

Prefiro que o preview seja pior do que o contrário. Quem nunca se viu super focado em uma selfie da Samsung e descobriu depois de tirar a foto que ficou tudo borrado e cheio de efeito de embelezamento? Mesmo assim, o melhor dos mundos seria ter na pré-visualização o mesmo resultado final, então não dá para exatamente dar um ponto para a Motorola nesse quesito.

Isso é ainda mais real no caso do último sensor que quero comentar e o que dá nome para esse aparelho, o zoom. Com 8MP e uma aproximação ótica de 3 vezes, ele vai bem, entregando imagens bem detalhadas e dificilmente borradas, já que traz um sistema de estabilização ótica – essencial para esse tipo de câmera, onde qualquer mexidinha importa -.

É engraçado que parece que esse modo de zoom também deixa a foto um pouco mais clara, dando uma sensação de que ela também está um pouco mais definida, tudo isso feito no pós processamento. Até por depender de processar e tudo mais, esse não é um celular para você sair clicando loucamente.

Aliás, ficou faltando eu falar da câmera frontal, que utiliza um sensor de 25MP no mesmo esquema de quadpixel que a traseira. Esse sensor é o mesmo utilizado no Motorola One Vision que eu gostei anteriormente, e olha, ele me deixou menos laranja que no modelo mais barato da marca. O recomendado é usá-lo na versão de 6MP, mas mudar para a resolução total não tem tantas perdas quanto antes no quesito HDR. É questão de situação mesmo.

Em questão de filmagem, as lentes traseiras com estabilização ótica ajudam a dar uma melhorada na qualidade da gravação, que pode ocorrer até em 4K. É possível também fazer slow motion com Full HD a 120 quadros ou apenas HD a 240 quadros por segundo.

Software e bateria

Só que temos um problema por aqui. O Motorola One Zoom não utiliza o sistema Android One, ele fica com o Android da Motorola que tem apenas uma grande atualização prometida, o Android 10 e 2 anos de atualização de segurança.

A Motorola diz que o One é porque cada aparelho é único, mas achei que foi muita coincidência os outros 3 primeiros aparelhos serem únicos e usarem um sistema chamado Android One. Achei mancada da empresa, até porque é um celular mais completo que tem o ciclo de atualizações mais lento.

Em questão de bateria, o Motorola One Zoom implementou uma capacidade maior em detrimento ao tempo de carregamento, que é apenas o Turbo Power comum de 18W, não o super rápido do Moto G7 Plus de 27W.

Com relação à capacidade, 4.000mAh é mais do que necessário, permitindo que você chegue facilmente no final do dia, mas não entrega números excelentes. Ficou de fora também um gerenciamento melhor como no caso da linha Z anterior, que fazia milagre com menos capacidade. De novo, não é ruim, é mais do que suficiente, mas não entra como diferencial.

Conclusão

O Motorola One Zoom é o Z4 que talvez nunca chegará por aqui. Seguindo o padrão dos últimos modelos da linha Z lançados pela mesma faixa de preço, eu acredito que o Zoom terá uma queda acentuada, estabilizando por volta de R$1.500,00 no futuro.

Pensando nesses valores, eu acho que ele passa a valer a pena, principalmente por conta da qualidade da câmera principal, zoom e selfie, além de claro, um bom desempenho, ótima construção e uma bateria bem aceitável, mas que não brilha.

Me preocupa a tela com taxa de brilho menor do que a média, coisa que já vimos no primeiro Motorola One, o menor número de atualizações de software e os 4GB de RAM, que outros modelos do segmento já ultrapassaram.

Ele terá pela frente um páreo duro com o Galaxy A70, que tem um pouco mais de memória RAM, uma bateria maior, o mesmo processador e um conjunto parecido de câmeras, com uma wide melhor e uma lente de zoom pior. Sinceramente, o Motorola One Zoom é um aparelho que eu gostei, que é consistente, mas que vale a pena esperar baixar de preço.

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