Xiaomi Mi 9T Pro: difícil justificar o preço do nome

O Xiaomi Mi 9T Pro, também conhecido como Redmi K20 Pro lá fora e com um nome que eu não esperava que chegaria por aqui, é o super custo benefício da Xiaomi, para quem quer um gostinho do melhor processador Android, junto de todas as tendências de 2019, por um preço um pouco mais chamativo.

Sabendo que a diferença entre a versão Pro e a versão normal é basicamente o processador, será que vale pagar um pouco mais caro ou o Mi 9T normal já resolveria?

Olhando as duas versões da linha Mi 9T, você pode até confundir quem é quem, levar um para casa achando que é um, quando na verdade é outro. O problema é que eles possuem a mesma carcaça, com as mesmas cores, mesmo design e mesmas dimensões de corpo e de tela, que alcança 6,39 polegadas.

Um tamanho um pouco acima do que eu geralmente acho confortável, mas com um corpo mais fino e os cantos um pouco curvados, devo dizer que o Mi 9T Pro vai muito bem, mesmo com a sua capinha um pouco mais robusta, que eu gostei bastante e que vai na direção contrária dos outros modelos da marca, que tentam economizar a todo custo nesse componente.

Design

Essa não é a primeira vez que a Xiaomi copia e cola dois celulares, mudando só algumas peças internas. Mas é como dizem, “em time que está ganhando, não se mexe”, principalmente se isso vai economizar horas e horas da equipe de desenvolvimento.

O Mi 9T Pro é certamente um celular muito bonito e estiloso, saindo daquela fase degradê da marca e entrando nos designs futurísticos, que você encontra aqui e no Mi A3, que aliás, foi totalmente reutilizado na linha Mi 9 Lite.

A construção legal, pegada boa e a traseira diferente no entanto, são ofuscadas pelo grande atrativo dessa linha: a câmera retrátil. Esconder o sensor frontal tem sido um dos movimentos mais interessantes de se acompanhar nessa indústria, e o resultado é realmente bom e é sempre legal ver qual “engenhoca” eles inventam para resolver isso: slider, câmera retrátil, câmera giratória, telas na traseira e por aí vai.

Por aqui a escolha foi por algo mais enxuto, a câmera fica guardadinha dentro da sua toca e sobe e desce quando você precisa. E ela conta com luzes LEDs piscando para fazer um show sempre que ela é acionada.

Tela

A área útil extra na tela não deve ser subestimada, porque assistir séries, ler livros ou uma jogatina rápida se tornam atividades ainda mais imersivas, principalmente por conta da resolução Full HD e tecnologia AMOLED utilizada por aqui. Seria legal uma resolução maior se a versão Pro realmente quisesse desafiar os topos de linha, mas não é exatamente necessário com o foco no custo benefício, porque alguns limites precisavam serem impostos.

A escolha deste tipo painel também o permite entrar na outra onda de 2019, que é o leitor de digitais escondido embaixo da tela. A velocidade parece ser a mesma do Mi 9T normal, que não ia mal nesse quesito.

Desbloqueando os dois ao mesmo tempo, o Pro liberou a tela mais rápido em metade das tentativas, e nas outras eles simplesmente empataram. Talvez a diferença tenha sido apenas por sorte, mas a minha percepção foi de que o Pro é mais fácil de acertar.

Além das digitais, temos também o desbloqueio facial, onde houve um aumento na velocidade, comparável ao OnePlus 7 Pro que temos aqui e que usa o mesmo mecanismo, tudo graças ao novo SoC instalado do Mi 9T Pro, o Snapdragon 855.

Parece que no fim, não era o mecanismo que era lento no Mi 9T, e sim o processamento, e para não ficar feio ajustaram o tempo de subida e descida.

Desempenho

O processador é basicamente o mais potente da família Qualcomm atualmente, ficando 4% atrás do 855+ que tem um clock mais alto. Esse processador é encontrado em praticamente todos os topos de linha Android. As vantagens que ele traz perante o 730, do seu irmão não PRO, vão além de velocidade.

Mas é claro, dá para jogar todos os jogos na configuração mais alta possível e vai demorar um bom tempo até ele começar a ter dificuldade em rodar algo. Outra mudança está nas memórias, além das versões de 64GB e 128GB de armazenamento, ambos com 6GB de RAM, o Pro chega a 256GB de espaço com 8GB de RAM, opção que coloca as temidas lentidões de sistema ainda mais longe.

A Xiaomi também não tem um sistema tão pesado. A MIUI tem alguns detalhes que incomodam, como as propagandas que, por enquanto, você ainda consegue desativar, mas a versão 10 deixou o sistema bem otimizado e adicionou algumas melhorias interessantes. Ela tem encontrado a sua cara, mesmo que claramente se inspirando no iOS, vale a pena experimentar se você anda cansado da Samsung e da Motorola.

Algo que tem sumido recentemente dos intermediários é o NFC, ainda presente por aqui, e que possibilita uma série de recursos, como pagamento pelo smartphone. Ele também tem Bluetooth 5.0, todos os sensores de navegação, incluindo um bom GPS, e suporte às bandas de 4G, na versão global, que é o aparelho com o nome Mi, e não Redmi.

Voltando um pouco para os jogos, o Mi 9T Pro tem um sistema de refrigeração até que interessante, combinando grafite e cobre, cheio de camadas, que pode não ser tão robusto quanto os encontrados na série Note da Samsung, mas conseguiu segurar bem a temperatura do celular mesmo depois de uma boa jogatina, e o melhor, sem consumir toda a bateria.

A carga total é de 4.000 mAh, um ótimo valor e que se tornou bastante comum nesse ano em flagships. Essa capacidade, combinada com a eficiência do chip de 7 nanômetros conseguiu aguentar um dia inteiro sem problemas.

Aqui conseguimos ver os benefícios de um celular mais simples, sem um sistema cheio de firula que pode comer a bateria em coisas que você nem usa. Com o brilho alto, o Consumo médio no youtube foi de 7 porcento, e jogando 15 porcento o que da umas 6 horas de tela ou mais se você diminuir a luz.

Na hora de carregar, o Supercharger de 27 W precisou de 2 horas na tomada para uma carga de 0 a 100%, o que pode parecer bastante, mas é porque o final da bateria demora bastante para finalizar. Em trinta minutos você chega quase em 50%, que é um bom valor, principalmente se considerarmos a sua capacidade.

Câmera

Nas câmeras é onde temos a menor diferença entre as duas versões, a frontal retrátil, possui os mesmos 20 MP de resolução e abertura f/2.2. No geral ela traz o que você espera de uma câmera intermediária, sem muitas dificuldades mas também sem destaques.

De vez em quando o HDR consegue destacar algo melhor do que no aparelho mais barato, mas esses são momentos raros, normalmente fica tudo muito parecido. O salto de um processador série 700 para 800 é muito menor do que era da série 600.

Na traseira a história não muda também. São três lentes, onde a principal tem resolução de 48 MP e abertura f/1.8, a telephoto conta 8 MP e abertura f/2.4 e a ultrawide 13 MP, também com abertura f/2.4.

A abertura menor das duas câmeras auxiliares já apontam uma certa dificuldade em ambientes escuros, mas no geral elas vão bem em média luz. É apenas em situações um pouco mais escuras que você irá notar uma discrepância grande entre a lente principal e as outras duas.

Comparando de novo com a versão normal, as lentes parecem ser as mesmas, então esperamos os mesmos resultados. O chip poderia ajudar no pós processamento, mas provavelmente só alguém muito atencioso conseguiria notar grandes diferenças entre as duas fotos.

O mesmo pode ser dito da lente principal. Em fotos na resolução máxima, ela perde o HDR, algo que faz bastante falta, me levando para o modo comum. De vez em quando o céu fica mais azul, só que em questão de detalhes, nitidez e contraste, nada muda.

O mérito é do aparelho mais barato, e não um problema do mais caro, até porque mesmo com o aumento no preço, as fotos continuam indo bem quando comparado com o que você encontra na mesma faixa, principalmente se considerarmos uma possível queda nos valores a médio prazo.

Conclusão

Para resumir, eu devo dizer que curti o Mi 9T Pro tanto quanto gostei do Mi 9T. É um prazer pra mim ver celulares potentes com entrada P2 e totalmente sem entalhes, além de claro, uma boa construção.

Diferente do que ocorreu com o Zenfone 5 e o 5Z, onde o processador topo de linha influenciava fortemente o processamento de câmera e o desempenho, o salto do 730 para o 855 não é grande o suficiente para fazer com que o usuário médio invista mais.

Quem pode tirar um pouco mais de proveito do upgrade são os gamers, que podem conseguir jogar e “streamar” sem problema com o celular, ou até mesmo embarcar com maior resolução em títulos mais pesados.

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